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Os que criam formas novas de princípios novos

22 Abril 2009 por Nathália Garcia 661 views No Comment

Recentemente ocorreu em Porto Alegre um seminário sobre crítica entitulado “O Estado da Crítica”. Foram quatro debates com assuntos distribuídos entre cinema, música, teatro e arte. capa_estado_da_critica

Um elemento singular no debate sobre CRÍTICA de arte foi constatar que não existe CRÍTICA de arte no Estado (da crítica). Não existe crítica em jornal, não existe crítica em revista, não existe crítica na Internet. O que lemos sobre arte então? Apresentações de exposições e textos poéticos interessantes ou entediantes, geralmente redigidos por algum doutor designado da Universidade. Se a crítica de arte positiva é basicamente nula nos veículos, imagine então a crítica negativa.

A minha resposta para esse fenômeno é bastante clara: arte contemporânea é acessível, mas não é inteligível. Na antiga arte moderna, há 57 anos, um grupo chamado Ruptura, formado por artistas paulistas claramente influenciados por Mondrian e totalmente reacionários à pintura figurativa de caráter expressionista, já ditavam em seu manifesto:

“Hoje o novo pode ser diferenciado precisamente do velho. Nós rompemos com o velho por isto afirmamos: é novo: conferir à arte um lugar definido no quadro do trabalho espiritual contemporâneo, considerando-a um meio de conhecimento deduzível de conceitos, situando-a acima de opinião, exigindo para o seu juízo conhecimento prévio.”

wk2Exigindo para o seu juízo conhecimento prévio. Essa frase tão usada pelos concretistas, em minha opinião, pode ser aplicada perfeitamente à arte contemporânea e, para ser mais precisa aqui nos pampas, à arte de bienal. Na Bienal do MERCOSUL temos fácil acesso à arte contemporânea reconhecida como tal. Por exemplo, a bela e angustiante vídeoinstalação do sul africano William Kentridge que esteve no Cais do Porto em 2007, dois anos antes pôde ser conferida na Bienal de Veneza.

O mínimo de conhecimento prévio de história da arte e bons mediadores são fundamentais, é claro. Mas, acima de tudo, o espectador precisa estar disposto a encarar a obra não só como lazer, mas também como um consistente meio de questionamentos e indagações. Não sejamos hipócritas, não temos um museu fixo de arte contemporânea na capital (ou alguém se atreve a chamar o MAC da Casa de Cultura Mário Quintana de museu?) e queremos crítica de arte em jornal?

Uma coisa de cada vez. Estamos engatinhando.

Foto thumbnail por João Menna Barreto.

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