Entrevista: Hook and The Twin
Não só em música, mas imagino que em qualquer ramo cultural, é cada vez mais difícil criar algo que possa ser considerado distinto ou que simplesmente vá em direção oposta aos últimos movimentos em voga e que quase todos, conscientemente ou não, acabam fazendo parte.
Bom, isso porque você provavelmente ainda não conhece Hook and the Twin. Ao produzir música semiautomatizada e fazendo parte da compilação Brand Neu! eles estão conquistando o seu espaço no topo. Semana passada eu tive uma ótima conversa com eles tanto para entender melhor o som e o background dos caras, mas também para falar sobre Londres, Brasil e guias turísticos. Confere aí:
Eu não sei muito sobre vocês. Será que vocês poderiam contar um pouco sobre a dupla e a música de vocês?
Bom… A gente vive em Londres e faz música semiautomatizada com o nome Hook and The Twin. O que você já ouviu?
Eu gostei muito de de Race for The Bone e Bang Bang Cherry. Curti muito mesmo. E o vídeo do Race também. Realmente maravilhoso.
Ficamos contentes. Fizemos esse vídeo numa sala coberta de tinta branca e farinha.
E como funcionou? Aliás, eu também queria aprender a fazer oobleck!
Você não estaria fazendo essa cara se tivesse visto aquilo no prato.
Por quê? Muito nojento?
É um negócio muito estranho. A gente viu umas filmagens científicas que alguém tinha feito em que eles explodiam oobleck com som em alto volume e faziam ele se elevar e dançar daquele jeito. Acabam se criando essas formas incríveis que parecem umas figuras meio demoníacas se contorcendo e entrando em colapso. Se você bater nele parece um tijolo, só que dá para deslizar os dedos para dentro como se fosse água. Possibilidades de afogamento terríveis.
Parece incrível! Como vocês tiveram essa ideia?
Tem um vídeo ótimo no youtube de pessoas fazendo o oobleck dançar como a gente fez (claro que não tão bem) e também gente correndo através de uma piscina inteira cheia disso. O cara que dirigiu o clipe, Willian Hall, tinha visto um filme na internet.
E quanto às suas influências musicais? O que vocês gostam de ouvir?
Nós ouvimos um monte de coisa. Recentemente muito David Bowie, muito música alemã dos anos 70 como Neu! e Harmonia – mais Eno e associados. Rádios ruins. Despertadores. Bandas novas como Ponytail, Post War years, Wooden Shjips… Que tipo de coisas você identifica na nossa música?
Não tem muito do que temos ouvidos ultimamente, mas pra mim tem muito de Foals; alguns dos sons me lembram eles. Mas fora isso soa super novo.
Interessante. Lamacq disse a mesma coisa! Estamos em uma compilação inspirado no Neu!. Chama-se Brand Neu!.
Então é assim que vocês gostariam de ser descritos?
“Novo” é bom. Eu acredito que como o Foals a gente tente misturar ritmos skittish, sons incomuns e letras com elementos melódicos bem “grudentos” – mas é claro que somos apenas dois e isso tem um impacto bem grande em como trabalhamos.

Claro.
Usamos muitos loopings ao vivo, gravando nós mesmos no palco e então reagimos imediatamente e gravamos mais camadas por cima.
Muito bom!
Valeu! É bem empolgante pra gente que consigamos fazer tanto barulho como uma dupla e que consigamos usar computadores para improvisar e tocar ao vivo e continuar nos sentindo autênticos ao vivo. Tem sido trabalhoso – tivemos que criar e construir nosso sitema, o que tomou um certo tempo. Daí quando começamos a tocar era bem frenético e bagunçado, um monte de fios para todos os lados e correndo de máquina para máquina. Mas parecia que a gente tinha praticamente dominado a técnica. Fizemos uma trilha ao vivo para o Metropolis em janeiro – 2 horas, semi-improvisado – e isso realmente nos permitiu explorar o que o sistema podia fazer e como melhor utilizá-lo. Foi só então que aprendemos como fazer apropriadamente música ao vivo com ele.
Há quanto tempo vocês trabalham juntos?
A gente se conhece desde que tínhamos 10 anos e fazemos música junto há uns 12. Tem muita coisa que ambos gostaríamos que o outro não soubesse. Mas faz apenas 18 meses que estamos fazendo o Hook and the Twin. 72 semanas.
O que vocês faziam antes? Como o som de você evoluiu nesses 12 anos?
A gente fez outras coisas – menos rítimicas. Nós vivíamos e morávamos no meio do nada, tocando em uma antiga base aérea abandonada em uma floresta. Um lugar incrível. A música refletia isso – mais fantasmagórica, mais suave. Para fones de ouvido ao invés de pista de dança. De onde você é?
Sou brasileira!
Acabei de ler um romance que se passa no Brasil. Fique super a fim de ir pra lá.
Onde exatemente se passava? Você lembra?
No livro chamava-se Heliopolis, mas eu acho que é pra ser em São Paulo.
São Paulo é enorme. Vocês definitivamente precisam ir!
Organiza um tour pra gente!
Adoraria!
Estamos bem livres depois do final de semana.
Tem um feriado chegando!
Vamos combinar.
Vocês conhecem alguma coisa de música brasileira?
Gostamos de Os Mutantes. Uma compilação da Tropicália de uns atrás. Eu gosto da trilha do Cidade de Deus. Gosto muito do funk brutal meio Morricone.
O que vocês curtem fazer em Londres quando não estão tocando? Eu adoraria umas dicas legais; cheguei há pouco tempo!
1. John Soane`s Museum – casa do século 18 do arquiteto/artista cheia de suas coleções – pinturas, sarcófagos, etc.
2. Caminhar ao longo da costa do Tâmisa na maré baixa – tem uma praia adequada no South Bank Centre. E centenas de cachimbos quebrados entre as pedras, cortesia dos fumantes vitorianos.
2. Lojas de discos no Soho – Phonica, Sounds of the Universe, Harry Moores.
4. Hampstead Heath. Lindo morro e lagos para nadar ao ar livre.
5. Barreia do Tâmisa à noite, do sul para o leste. Você precisa dirigir através do estado industrial no sul do Tâmisa e depois caminhar a última parte. Lindo.
Parece um ótimo Top 5!
Obrigado, é um prazer.
Muito obrigada!
Aproveite o verão.
Aproveitem o Brasil!
Vamos aproveitar. Você vai receber um cartão-postal.
Dá uma olhada nos ótimos vídeos, incluindo o Race for the Bone com seu oobleck!


















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