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Vermelho, Amarelo, Azul

19 Maio 2009 por Leandro Vignoli 450 views 2 Comments

Você sabe o que rolou no T In The Park 2007? Na menor tenda do festival e com um abacaxi amarrado na ponta duma corda de marinheiro, o vocalista Faris Badwan arremessava a fruta na galera, que arremessava ela de volta, até simplesmente não sobrar corda nem abacaxi nenhum. Naquela tarde, a banda até tocou algumas músicas, dançantes, lunáticas, bizarras, mas… obviamente não era esse o ponto. Ainda antes de acabar o show, Faris teve outra ideia. Arremessar o microfone num globo de festa disco preso ao teto e deixá-lo em pedaços. Na mesma hora a organização cortou o som, o show acabou e só pude me perguntar ‘caralho, isso aconteceu mesmo?’. Ok, foda-se…

1792305367_af91b4cbd3Todo esse caos era resultado claro da música feita pelo The Horrors. Em Strange House, literalmente, eles botavam o horror com sua mistura esquizo de punk-rock de quem ouviu mais The Cramps do que Ramones na infância, e assistia filme de terror enquanto comia um sucrilhos (um abraço, Zé do Caixão). Dois anos depois, a impressão é de que você nem ouve a mesma banda. O que seria ruim, porque eles eram realmente divertidos. Mas isso se o novo resultado não fosse fantástico. Não apenas surpreendente, Primary Colours soa como o update do que o Shoegazer desistiu de fazer pós a era Loveless. Resultado dum corpo de produtores formado por Geoff Barrow (vocês sabem, a cabeça do Portishead), Craig Silvey (o engenheiro do The Coral), e Chris Cunningham (o videomaker responsável, por exemplo, pela insanidade de “Sheena is a Parasite”), o álbum transborda microfonia de guitarras acoplada a infinitas mini-texturas eletrônicas. E onde parece apenas barulho sem sentido num primeiro instante, nos detalhes você percebe um The Horrors produzindo melodias como nunca. Impossível não notar que “Who Can Say” soa feito um My Bloody Valentine com synths e vocais identificáveis. Faris, no lugar de somente gritar, mostra-se um ótimo cantor (“Only Think Of You” arrepia na maneira em como lembra Ian Curtis em “Atmosphere”). Os onipresentes teclados do performer Spider Webb perderam espaço, a ponto de ele tocar baixo em Primary Colours – o baixista Tom Cowan assumiu os sintetizadores. Caso você curta texturas de guitarras e efeitos de pedal é uma obrigação ouvir esse álbum. Agora, se não, vá direto a última faixa, “Sea Within a Sea”, sete minutos de metalinguagem electro-kraut pra escutar no repeat dúzias de vezes. Tente com ácido. Depois me diz.

PS: Ah, eles tocam no T desse ano no NME/Radio One Stage. Não rateiem, crianças.

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