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Comunismo Maníaco

25 junho 2009 por 805 views One Comment

115665908_lQuando os Manics anunciaram que lançariam um álbum apenas com letras do integrante desaparecido era óbvia a intenção de criar um fato novo. Você sabe, a indústria musical não anda bem das pernas, e mesmo pruma banda que exalta o socialismo, um pouco de marketing viral é preciso. Ou isso, ou eles finalmente sepultaram a hipótese bizarra de que Richey James, enfim, pudesse estar vivo (caso você seja um ET, ele era o principal letrista e sumiu do mapa em 95, e jamais foi encontrado qualquer rastro seu). Agora aos fatos cruéis. Em Journal for Plague Lovers, as letras de Richey é o que menos chama atenção, e sua manjada escolha em temas como escapismo, niilismo, consumismo e, claro, COMUNISMO, na real até enche o saco. Tanto quanto o inacabável uso de referências cult, de Chomsky a Stephen Hawking, tudo isso é um enxerto desagradável pra quem não está lendo um livro. No ponto de vista das músicas, elas não desapontam, embora também enganem. Ao contrário da sujeira do single “Peeled Apples” e da alardeada produção inédita de Steve Albini (barulho, grosseria, minimalismo), ao longo do álbum você encontra de quase tudo: pérolas pop em estrofe-versão-refrão, baladas acústicas, e o hard-rock dos primeiros discos. “This Joke Sport Severed”, por exemplo, emerge duma típica balada em violão prum catártico final encharcado em melodias de cordas e bateria marcial, algo como se Chris Martin enfim tivesse feito uma música boa. Em outra direção oposta vai “Marlon J.D”, um hard-rock embanhado numa melodia de bateria eletrônica, algo que já haviam tentado antes, mas nunca de forma tão foda, e onde remixers farão a festa (o nome da música seria em referência a Marlon Brando e Johnny Depp em Don Juan de Marco). Aos apreciadores de rock purista, sugestão de “All is Vanity”, “V.S.E.C” e “Jackie Collins Existencial Question Time”, do riffzinho mais assoviável do ano. No fim, o que de fato faz a diferença nos Manics é esse incrível senso MELODIOSO sem que pareçam umas bichas choronas. Agora caso queira entrar na vibe e celebrar o “retorno” de Richey, a frase do disco é “the Levi jean will always be stronger than an Uzi”. Seja lá o que isso signifique.

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