Penetração Jarvisana
O adjetivo que marca a carreira de Jarvis Cocker é elegância. Sua voz elegante, seus outfits, seus arranjos no Pulp. Até a maneira com que chutou a bunda de Michael Jackson naquele Grammy foi de grande elegância. Noutro lado, Steve Albini é marcado por colocar pra fora o lado sombrio das pessoas. Os dois juntos num mesmo estúdio não é algo definitivamente fácil de imaginar. Eles concordando em algo, menos ainda. O resultado: na maior parte do tempo, Further Complications é como o carro que joga aquele jato de lama em alguém de terno bem cortado que estava esperando para atravessar a rua. Guitarras ruidosas e bateria que lembra muito o Shellac (bem, todas baterias gravadas pelo Albini acabam soando feito o Shellac), o disco é até uma boa e agradável surpresa pros velhos padrões. Faixas como o single “Angela”, e a própria faixa título, lembram até uma versão repaginada de Elvis Costello (embora a diferença de idade entre ambos nem seja grande). Claro que há ainda da elegância de Jarvis, em baladas lounge como “I Never Said Was Deep”, “Hold Still”, e em “You’re in my Eyes”, que fecha o álbum como se fosse uma lembrança inconsciente do Pulp (a faixa mais brit-pop desde o fim do brit-pop). Funcionam quase como um terno trocado em meio a toda lama. “Pilchard”, a melhor do álbum (e mais surpreendente) é um instrumental pós-grunge entrecortado pelos gemidos de Jarvis. Que, aliás, deu uma declaração bem curiosa a cerca de “Fucking Song”, outra das melhores aqui. “Como eu não posso foder todas as mulheres do mundo, no mínimo posso penetrá-las caso ouçam essa música.[...] Essa canção entrando nas suas orelhas é como eu penetrando o seu orifício”. Algo que escapou na avaliação é que homens também vão ouvir. E pela glória de Jesus, não senti nada disso.














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