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Sobre Muse, metal e como pegar todas na balada

12 Agosto 2009 por Leandro Vignoli 676 views 3 Comments

Existem essas bandas que meninas tem uma predileção especial. Em geral, “banda de mulherzinha” é aquela coisa fofa, de melodias coloridas, falando bobagenzinhas sobre amor e de preferência num filme como Juno – e você imagina o Belle & Sebastian de cara.  Agora o Muse também é uma dessas e o fato é que nunca consegui entender exatamente por que, embora sejam quase um glossário de algo “não-mulherzinha”. Tudo que o Muse gostaria de ser, no final das contas, é uma banda de metal. Está tudo ali enrustido. Os shows cheio de pirotecnia, as guitarras muito feias do Matthew Bellamy, o jeito com que ele toca essas guitarras, sempre solando demais e usando efeitos de pitch, gritando operisticamente dramático, até algumas fotos com guampinhas também são facilmente encontradas. O Muse nasceu pra ser uma banda de metal, mas que no meio do caminho ouviu o The Bends muitas vezes. Veja bem, não acho eles exatamente ruins. Só não entendo o porquê de todas as meninas curtirem, é uma preocupação minha.

“United States of Eurasia”, a primeira música liberada do novo álbum, “The Resistance”, carrega o exato protótipo de “somos quem na verdade gostaríamos de ser”. Não há nada de errado em ser clichê e ficar copiando suas referências, o rock é quase apenas isso. Porém, até pruma banda como o Muse, isso já ficou over-exposto. E isso é terrível quando a veia pseudo-metal se transformou numa veia pseudo-metal-sinfônico. É possivelmente aceitável a intenção (como eu já disse) de querer mixar guitarras pesadas, rock progressivo, pianos, ópera, e a referência à Bohemian Rhapsody, mas isso passa da conta e você sente até certa vontade de vomitar quando percebe que, ao somar tudo, a banda conseguiu atingir, no máximo, a idéia do Dream Theather e congêneres. Talvez não seja um defeito pra boa parte das pessoas, mas sem dúvida pro tipo de pessoa que ouve Muse – com certeza um defeito pras meninas que não sei por que curtem a banda.

Uma vez, num tradicional clube indie de Porto Alegre começou a tocar Starlight e não sei por qual motivo olhei praquela garota e disse “massa esse som né, Muse!”. Ela ficou com cara de paisagem e aspecto de “AHN!?”, embora logo percebi que não foi pela minha cantada de tiozão, mas porque ela não sabia bulhufas do que eu tava falando. Vocês sabem, uma cidade pequena como POA e com tantas poucas opções, até mesmo num clube indie você acha todo o tipo de gente. Ela era um “todo tipo de gente” na multidão, mas era japa, e qualquer um que me conheça sabe que tenho um fraco por orientais (e se na realidade essa nem era tão bonita, o meu fraco é grande o bastante para dar em cima até mesmo de japas não tão bonitas). No clímax da história fiquei com a amiga dela (que era mais bonita, embora não fosse japa), que de acordo com o que apurei gostava muito de Muse e não se importou com minha cantada ruim.

Toda essa bagunça da história resume mais ou menos o que é o Muse. Alguma coisa bagunçada e que por um grande acaso acaba dando certo. “United States of Eurasia” não é a pior música que você vai ouvir no ano. Mas é uma espécie de cantada ruim.

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