
“Setembro é o Janeiro na moda”, diz Candy Pratt Price, mas no meu caso, foi o final de Julho. Após um ano de moda bem sem graça que incluiu o fechamento de muitas revistas, coleções super decepcionantes, bem como o possível desaparecimento de uma das maisons de alta costura mais veneráveis, na semana passada tive boas notícias. Finalmente.
Uma cópia (meio ilegal eu diria) do The September Issue caiu nas minhas mãos. Para aqueles tipos fashion challenged (ou os que neste momento não disseram: que sortudo!) eu vou explicar brevemente que TSI é um documentário sobre a preparação da (como o título diz) edição de setembro da Vogue americana trazendo Anna Wintour como personagem principal … ou pelo menos foi isso o que venderam nos trailers.
Mas a verdade é que Anna não é realmente a protagonista do documentário, e o enredo é basicamente baseado nas discrepâncias criativas entre a editora malvada (que usa mais Oscar de la Renta e Chanel do que Prada) e a meio estranhinha e encantadora Grace Coddington, diretora criativa da revista.
Desde o início RJ Cutler ilustra Anna como uma pessoa muito dura, quando o pobre Edward Enningful tem que avisar um muito decepcionado Steven Klein que eles têm que renunciar duas modelos em um shooting, simplesmente porque Anna não quer as beldades por lá. “A revista Vogue da Anna” é uma das falas mais espirituosas no documentário, tal como foi dita por Pratts Price. E assim é demonstrado durante todo o divertido filme: Anna decidindo no retailing de Paris, Anna arrancando páginas de editoriais, Anna entediada com a última coleção de Stefano Pilati, Anna dando várias oportunidades ao seu protégé du jour Thakhoon, Anna dizendo que o cabelo de Sienna Miller é um desastre e que ela deveria usar peruca, Anna prestes a morrer de tédio na frente de um muito extravagante Mario Testino falando da sua cobertura editorial, Anna fazendo a pobre Grace quase chorar novamente por causa de cortes e mais cortes nas páginas do editorial dedicado aos anos 20.

E o difícil no filme é não simpatizar com a ruiva e ex modelo, atualmente diretora criativa por acaso. Sempre vestindo preto (cor que supostamente Anna odeia) Grace apenas por ser amiga da editora e do resto da equipe a torna livre do escrutínio do público. Ela parece sempre ter razão, em oposição a Anna, que tem uma visão mais comercial e menos interessante das coisas. Grace é a única pessoa em todo o filme que realmente nivela poder com La Wintour. É Coddington que, com seu jeito tiazona manca, humilha a grande editora e no final prova estar fazendo o certo, quando é chamada para um editorial de última hora porque o coitado do Enningful foi completamente cortado do trabalho.
Com menos de 90 minutos, o filme é uma melhor representação da moda na vida real se comparado com toda a fantasia mostrada em O Diabo Veste Prada. É um documentário realista, rigoroso, e que vai direto ao foco. Eles vieram pra mostrar como uma das mais importantes publicações mensais em todo o mundo é criada, como todas as coisas aparentemente superficiais que as pessoas leem naqueles papéis brilhantes tiveram muito trabalho por trás. Não tem muito de garrafas de champanhe e roupas extravagantes, mas sim muito a ser feito para realizar o sonho americano chamado Vogue. Também é revelador e perspicaz (basicamente você vai se ligar quem vai ser responsável pela revista quando Anna jogar tudo pro alto e decidir a sair), e ainda assim é fresco e muito divertido (principalmente por conta de Grace ou a fome de beleza de André Leon Talley) . Se há um filme cult no mundo da moda ele é, definitivamente, The September Issue. Se você tem ao menos um pouco de interesse em moda, peles ou uma desatualizada eletro-fashiony trilha sonora, corra para o cinema em Janeiro (looks na moda, por favor) e vá assistí-lo!
luxo!
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