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Aquele novo do Tarantino…

30 outubro 2009 por 728 views No Comment

Entre as coisas que não aguento mais ver no cinema estão filmes sobre Segunda Guerra Mundial e filmes do Tarantino*, a primeira coisa mais do que a outra. Mas, pelo estranho e pelo bizarro, uma história sobre Segunda Guerra Mundial contada pelo Tarantino não só parecia instigante, como rendeu um baita filme. (Logo, se você gosta de filmes sobre Segunda Guerra Mundial e do Tarantino, prepara-se para ouvir expressões como “o melhor dele desde Pulp Fiction”). Isso porque Inglourious Basterds usa apenas humor negro, nada de rios de lágrimas judaicas.

O filme tem como plot a ocupação nazista na França, e dali esmiúça várias histórias entrelaçadas em vários capítulos (bem, o fato é que é um filme do Tarantino, e é só isso que ele sabe fazer, ahn?). Temos um grupo de soldados judeus-americanos (os bastardos) cuja única função na guerra é matar nazistas para retirar o escalpo deles – humor negro detected. Temos uma judia que escapou da chacina de toda família, o que seria um grande clichê não fosse a personagem jamais usar isso como bengala, na verdade ninguém ao longo do filme sabe do seu passado – exceto nós. E ainda um agente da SS de fala tão perspicaz que ganha mais nossa simpatia do que repulsa (ter de admitir esse tipo de coisa é o grande mérito de todo o filme).

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Outro mérito de Inglourious é focar mais nos personagens do que na guerra, em si. Há exuberantes cenas de violência extrema, mas vindas, por exemplo, dum soldado espancando a cabeça dum nazista com um taco de beisebol, ao contrário de algum tiroteio qualquer em praias da Normandia. A violência é enfática, necessária e pontual, nunca inverossímil (Kill Bill?). Algumas críticas reclamam que há diálogos demais. Oras, para um filme do Tarantino, isso é quase como olhar um pornô e reclamar que há muito sexo. No máximo, você reclama que o oral é muito longo até chegar ao sexo. Óbvio que há muitos diálogos. Inclusive, boa parte deles representam tudo que provavelmente nazistas e aliados falavam às veras, ao contrário do politicismo correto que se vê em filmes com esse plot.

Dos atores, Christopher Waltz, que faz o agente jew-hunter da SS, eleva a outro nível o poder de argumentação e cara-de-pau-moral (sem contar o seu show poliglota, ao falar alemão, francês, inglês e italiano ao longo do filme). Brad Pitt é o maior retrato irônico da coisa toda, sendo líder duma “importante” missão apesar de sua escrachada inabilidade intelectual (a cena em que finge falar italiano é das mais engraçadas do ano).

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Como alternativa histórica – e alternativa para fugir de possíveis represálias diante do seu tom sarcástico a algo que “toca tão fundo os sentimentos duma nação devastada pela guerra” –, a trama chega num resultado de que Hitler morreria de qualquer forma (por traição, por vingança ou planejada). Whatever. No fim das contas, Inglourious Basterds é mais sobre Tarantino do que sobre Segunda Guerra Mundial. A cena final, brilhante, atesta isso de forma radical. Assiste lá e volta aqui pra ver seu eu não tenho razão. Malaho.

*originalmente publicado no nosso fanzine.

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