Home » moda, música, todo o resto

Hipsters: superficialidade ou atitude?

30 outubro 2009 por 2.560 views 14 Comments

Ontem passeando pela livraria e fazendo minha compra mensal de revistas, fiquei paquerando uma adbusters, e, contrariando toda a filosofia da AQUISIÇÃO, paguei e levei uma pra casa (pra quem não sabe a adbusters é uma organização sem fins lucrativos e anti-consumista).

Na mesma hora lembrei da matéria famosa que eles publicaram ano passado sobre cultura hipster e resolvi fazer esse post, mais pra iniciar uma discussão a respeito do que qualquer outra coisa.

adbusters_issue79_hipster_cover

E o título (capa da revista) já começa causando – Hipster: O Beco Sem Saída da Civilização Ocidental. Ao longo de todo texto o autor, Douglas Haddow, basicamente afirma que os hipsters não trouxeram nada de novo pra sociedade atual e se alimentam somente de referências culturais do passado:

“Uma cultura perdida na superficialidade do seu passado e incapaz de criar qualquer novo significado”.

“Enquanto os movimentos de juventude anterior desafiaram a disfunção e decadência de seus antepassados, hoje temos os hipsters, uma subcultura jovem que espelha a superficialidade de uma sociedade condenada”.
A Vice Magazine foi uma das publicações acusadas no artigo de ter incentivado toda a hipsteria. Quando questionado, eis o que o ex editor chefe da revista disse:
“Eu sempre achei que a palavra (hipster) é usada com desdém, geralmente por blogueiros gordinhos entediados e irritados com estes jovens que gostam de sair pra noite, se divertir e estar na moda.”
O autor ainda diz, e com razão, que é raro, se não impossível, encontrar uma pessoa que se diga orgulhosa de ser hipster. E finaliza sua obra prima com impacto:
“Nós somos a última geração, uma culminação de todas as coisas anteriores, destruídas pela falta de interesse que nos rodeia. O hipster representa o fim da civilização ocidental – uma cultura tão separada e desconectada que parou de dar a luz a algo novo.
Enquanto, aparentemente, ser hipster nos gringos é uma ofensa, no Brasil galere acha que ser hipster é ser cool e moderninho. Sem querer tomar lado algum e deixando opiniões à parte, acho que o que falta mesmo no país é o bom entendimento da definição do termo, pra depois sim começarem os posicionamentos.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars (3 votes, average: 3,33 out of 5)
Loading ... Loading ...

14 Comments »

  • Gustavo Pera said:

    Achei que esse vídeo é muito hipster, pff. Já odeio hipsters. E é bem a cara dos brasileiros, pegar um termo e mudá-lo totalmente aqui.

  • André Dutra said:

    Vale uma referência gringa então pra aprimorar a discussão:

    http://lookatthisfuckinghipster.tumblr.com/

  • querido_andre said:

    confesso que no começo de tudo isso eu fiquei meio deslumbrado, tipo: “uaaaaw roupas coloridas, party people, etc”
    mas confesso que o tempo passou e eu percebi o quão ridiculo toda essa coisa moderninha é… bizarro… Porém, não vejo nenhum problema em se alimentar de referências culturais do passado.

  • Mauro da Silva said:

    O mais estranho é eu ir descendo a página enquanto leio a matéria crítica sobre “hipsters” e a porção, por assim dizer, “fútil” da adolescência contemporânea… e do nada vejo as caras estampadas da Lovefoxxx e dos membros do Little Joy – que, como todos sabemos, são gigantescas contribuições, nada superficiais, para a produção nacional, e também de grande auxílio para reverter a situação dessa geração que não se deixa levar por qualquer artista cunhado como “inovador” ou “profundo”! E como se não bastasse, é quase como se eu tivesse a leve impressão de que “hipster” é só um outro nome pra “cool”, embora ambos sejam a mesma coisa, mas estes apenas descarregam algo enrustido de si naqueles, para maldizê-los e levarem os demais a atacarem antes os hipsters, e não os cools, ou indies, ou alternativos, ou enfim, geração all-star ou, mais recentemente, geração lencinho-de-cowboy-no-pescoço-em-pleno-meio-dia-tropical. Impressão que se corrobora pelo fato de que muito provavelmente grande parcela de hipsters também devem ouvir CSC, Little Joy & cia.

    Mas são apenas impressões e eu sou apenas um nome falso com um e-mail falso que não teria real envergadura para comentar algo assim.

  • Barbara Mattivy (author) said:

    e foi exatamente por essas e outras que eu não tomei partido NENHUM no texto do post. só mostrei o que a adbusters falou e o que andam falando por aí em tv nacional. em nenhum momento afirmei que fulano ou ciclano é hipster ou não.

    “lencinho-de-cowboy-no-pescoço”? Nunca vi!

  • Ian said:

    Tá, mas HIPSTER é gay daí?
    Porque só tem caras gays na matéria, cara.

    “pessoas ‘MAIS JOVENZINHAS DO QUE EU’”

    ASDHASDHIAUHDIAUHSDUIAHSD


    mas
    MTV é RIPster?

  • Laura Madalosso said:

    MTV é hypster?

  • Barbara Mattivy (author) said:

    é? NOT!

  • Laura Madalosso said:

    R.I.P hypemtv

  • Move That Jukebox! » A gente não postou, mas você precisa saber said:

    [...] Hipsters: Superficialidade ou atitude? – mycool, 30 de outubro [...]

  • Bebel said:

    Cheguei tarde mas também quero comentar! haha

    Em terras tupiniquins pode até haver uma pqna falta de concordância com o significado internacional de hipster, mas de maneira geral TODO mundo ridiculariza esse povinho que se auto-entitula cool-modernoso-überbacaninha só porque ouve as bandas menos conhecidas (e portanto, mais legais?), sai pras melhores buatchys (escondidas, senão não tem graça), vê os melhores filmes (independentes, of course), blablablá.

    But then again, os “nichos modísticos” são tão próximos que às vezes se esbarram e ngm sabe o que é o quê. Hipster é cafona, mas lança tendência? Hipster é o novo indie? Seria eu uma hipster por ter uma camiseta com uma frase irônica, ou por ouvir Little Joy? Enfim…
    Hispter, pra mim, tinha um conceito underground, mas há tempos virou mainstream, tá hypado já. Hoje em dia tá na boca da galera — e no cabelo tingido, e nas roupas coloridas e sem bom senso, e nas atitudes “i dont give a fuck”… no final, seja no Brasil ou exterior, é tudo pseudoalternativo e beira o ridículo (#essavaipratuMariMoon)

    Masss a pergunta do dia: o que seríamos nós, o povo do mycool? Hipsters wannabes por causa da promo de camisetas cheeky da Cove ou pra frentex por causa de certos insights? Eu voto na segunda. Ha!

  • Bebel said:

    P.S: ainda não entendi o que a Jana tá fazendo no Scrap MTV. Adoro ela, o AQSR, o talento e o jeito divertido, mas trabalhar com e para a Mari Moon não desceu.

  • Thadeu Dias said:

    Na boa, eu acho que se, por exemplo, os hippies surgissem hoje eles também iriam virar um produto de consumo, assim como virou tudo que tem surgido nos anos 00′s. Assim, virando um produto, perdesse qualquer validade e argumento, porque se banaliza, vira moda.

    deu pra sacar meu ponto de vista? :)
    acho que vai por aí…

  • mycool – cultura, comportamento e coolness » Blog Archive » Ser uma cabeça de pinto é legal (Y) said:

    [...] amigo brasileiro, escuta todo mundo falar de hipsters na padaria, no barzinho da Augusta, na churrascaria, e ainda não entendeu exatamente o que é um [...]

Comentaí!

Comente ou trackback Você também pode assinar esse comentário subscribe to these comments via RSS.