500 days of magic, of distance, of tenderness, of Summer
Poderia resumir 500 (Days Of Summer) desta forma e você que decidisse se é elogio ou avacalhação: filme de cultura pop sobre relacionamentos que invariavelmente falham pela incompreensão de uma das partes sobre ele e recheado de enxertos do cotidiano. Não é mesmo uma história original, e longe de ser algo que você de fato nunca viu. Toda compreensão, inclusive, passa pelo teaser que acerta na mosca. “Boy meets girl. Boy falls in Love. Girl doesn’t”. É sobre isso, e só isso, que se trata o filme. Agora, o que não se pode simplificar, e muito menos menosprezar, é a qualidade da execução. O roteiro de 500, desenvolvido de maneira descronológica e por isso pedinte de dose extra de atenção, é envolvente do início ao fim e realizado com extrema eficácia (ninguém pode culpar esse filme de não ter chegado aonde queria. Ele chega, e com sobras).
Desde o início da relação, a menina da questão diz que tava só curtindo. O menino da questão não leva a sério, quer algo mais. De quem é exatamente a culpa nisso? O fato é que caso você seja uma pessoa que se envolva na trama a ponto de se identificar com personagens, a única coisa que vai sentir pelo moleque é pena, por ser tão bobão. Talvez por coincidência (provável que não), a química do casal funciona muito: Joseph Gordon-Levitt tem a aura boboca de filmes como Dez Coisas Que Eu Odeio Em Você e eternamente conduzirá a pecha de “Heath Ledger genérico”; enquanto Zooey Deschanel tem mesmo o jeito de menina presunçosinha blasé que canta e toca indie-rock-ui-ui. Todo o sentido uma relação entre os dois do jeito que foi contada.
E ela foi contada como um rio de referências pop. O primeiro contato entre eles é através duma música dos Smiths. O primeiro encontro após um karaokê onde ele canta Pixies. Na primeira DR eles citam Sid & Nancy. Terminam após verem A Primeira Noite de Um Homem. O que realmente diverte e funciona, como pano de fundo a todas as frustrações que relacionamentos provocam e machucam (nada novo de novo, mas nem é preciso tanta sorte para pelo menos uma das situações filmadas ter sido vivida por você mesmo: e quanto mais próximo de você, óbvio, mais chance de nó na goela). Doses de humor negro e fracasso profissional também são ingredientes bem fortes. Agora, se você quiser ir numa vibe mais simplificada (ou no caso, não entender porra nenhuma), 500 prova por A + B que toda mulher é uma baita cu-de-cachorro.
Na forma estética, o diretor Marc Webb meteu a mão. Ele vem dos videoclipes (só esse ano, dirigiu dois do Green Day e um do Weezer) e usa e abusa de recursos. A cronologia é marcada através de cada um desses 500 dias de relação. Uma das cenas mais bonitas do ano está numa divisão de tela, uma mostrando expectativas do personagem em relação ao que poderia acontecer, a outra com a realidade, em si. Doutro lado, uma das mais descabidas surge numa dança coreografada no meio da rua, em meio a vários passantes (a cena é bonita na verdade, mas meio que ‘ok, cara, tu quer fazer um musical, uma comédia romântica, imitar o Gondry? Te decide aí, brou’.) Agora ninguém pode culpar ele de não ter tentado. Na maior parte, tentou e acertou. “Filmes de cultura pop sobre relacionamentos que invariavelmente falham pela incompreensão de uma das partes sobre ele e recheado de enxertos do cotidiano” realmente tem aos borbotões. E 500 Days of Summer, bote fé, é dos mais bem feitos.
ps: no Brasil a tradução virou 500 Dias Com Ela, o que terrivelmente quebra uma espécie de IRONIA DO DESTINO COMO MORAL DA HISTÓRIA PLANEJADA (o nome da personagem principal, Summer, é um trocadilho com a estação do ano, e o fato é que não english-speakers vão ficar total boiando na jogada final, o que é lamentável).




(2 votes, average: 4.50 out of 5)
Grande Vignoli muito bom este filme ainda, teu texto saiu ainda melhor.
[...] de março, é da musica In The Sun. Num clima totalmente colegial, Zooey está mais linda do que em 500 Days Of Summer. No clipe, ela em nada lembra a tímida Summer cantando Sugar Town e dançando suavemente. Agora, [...]
Comentaí!
assine nosso RSSinscreva-se para receber novidades
follow me on Twitter
Get this widget →
autores
amigos e pessoas ou coisas do tipo
Agora Que Sou Rica
Amarelo Jaune
Amelia`s Mag
Ana Clara Garmendia
Bem Resolvida
Blog da Mariah
Blog de Meninas
Bryan Boy
Café Mode
Cara do Abuso
Cathy Horyn
COACD
Codevilla
Conversation
Cool Hunting
Data Clipe
Create Vulgo
Deep in Vogue
Descolex
Dia de Beauté
Erika Palomino
Face Hunter
Fashion Affair
Fashion Bubbles
Fashion Eye
Fashion Fab
Fashion Hunter
Fashionista
Fashionize-se
Fashion Pirates
Fila A
Figurama
Filme Fashion
Fashionite
Fashion Squad
Fashion Toast
Fashionzzz
Fora de Moda
Freak Style
Garotas Estúpidas
Hel Looks
Hip Candy
Hipster Musings
Hypercool
I Love Fashion Show
Indienation
It Girls
Fake Karl
Katylene
lepillodiStefano
Lilian Pacce
Londonist
Love Mag
Made in Brazil
moda.blog.br
Moda pra Ler
Moda Sem Frescura
MODELS.com
Modices
Move That Jukebox!
mycool decaDANCE
Nylon Mag
Oficina de Estilo
Opino
Overheard in NY
Papel Pop
Paper Mag
Pirecco
Prata Porter
Retalhos
Sanduíche de Algodão
Sans Artifice
Starbucks and Jane Austen
Starpulse Doshka Harvey
Style-a-Holic
Tag Opus
The Fashion Spot
The Sartorialist
Trabalho Sujo
Trendtopia
Vanguarda
Vogueite
Volume
Tags
Arquivos