The Walkmen – Bows + Arrows [2004]
The Walkmen – Bows + Arrows [2004]
Caso você não tenha sequer ouvido falar de The Walkmen, não foi pela postura outsider ou pela música hermética demais, porque na verdade eles são caras bem estéticos-fashion e a música super palatável. Ao menos, se você tratar música naquele sentido bem de arte mesmo, sem que isso pareça um pedantismo cult. Cada pedacinho de Bows + Arrows é arte pura: entalhada, pensada, trabalhada, exaurida, pintada. Principalmente vivida, suponho. A carga da desgracêra emocional é latente, jogada na tua cara sem medo, de maneira muito próxima, como um desabafo, como se a banda precisasse de um bilhete com um ‘agüenta firme aí, brou’ de consolo. Um disco pra fazer os ouvidos sangrarem em Little House of Savages e The Rat, um dos coices mais passionais e também sonoros do período: épica distorção de guitarra mandando ver em cima da (provável) linha de bateria mais esmagadora ever, tudo sob gritos de “Can’t you hear me, I’m bleeding on the wall? Can’t you see me, I’m pounding on your door?” e uma sensação de que a pessoa em questão não ouve, não vê e na real tá se lixando pro lance. Bows + Arrows também troca desespero por conformismo (a sort of), sem barulho, com o piano aparecendo de forma massiva, as melodias encharcadas em detalhezinhos, uma trilha bem melancólica, mas de absoluta lindeza. Algo que não faz deprimir: faz refletir. E bastante. No fim, nunca consigo deixar de pensar no álbum como metáfora da vida e um alvo. Você pode ser o arco, que usa uma porção de flechas pra atingí-lo, mas sempre dependente. Ou você pode ser a flecha, lançada de cabeça sem saber onde, livre, mas com a chance de se quebrar todo. Bows + Arrows não esclarece qual a melhor opção.














[...] músicas que falam de cada um dos 50 estados do Obama (uma atual e uma clássica). Bandas como The Walkmen, Sufjan Stevens, Bon Iver, Grizzly Bear, Los Campesinos!, e outras tantas falando do seu amor (ou [...]
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