Invictus
Não é uma questão de pagar pau, e sim a de que Clint Eastwood foi o grande diretor de cinema da última década. Em qualidade e em quantidade, tudo junto. Dele saiu obras muito premiadas como Menina de Ouro e Sobre Meninos e Lobos, as pouco premiadas A Troca, Cartas de Iwo Jima / A Conquista da Honra, e o injustamente não premiado Gran Torino. Não exatamente filmes com exuberância de arte e espetaculice, mas, de histórias excelentes conduzidas do jeito que deveriam ser conduzidas. Um lo-fi Clint.

Em Invictus teríamos um roteiro tão clichê e irreal, caso não fosse exatamente o que aconteceu na realidade. A equipe da África do Sul foi campeã mundial de rúgbi, jogando em casa, numa decisão épica contra a Nova Zelândia, menos de um ano após Nelson Mandella se tornar presidente. E o filme retrata, além do esporte, em si (a saber, a final do mundial de rúgbi é o terceiro evento esportivo mais assistido no mundo), mostra como o nobelista usou o torneio para ratificar a paz entre negros e brancos — rúgbi era algo de branquelo que os negros sul-africanos boicotavam por motivos óbvios. Invictus trata um marco histórico mundial (político e esportivo) com sutileza, sem agredir ou encher o saco. A atuação de Morgan Freeman é fabulosa, com toda grossidão do sotaque característico do lugar, e com todo o ar de humildade imponente, tal qual possui Mandella. Já Matt Damon, como François Piennar, o capitão dos Springbocks, soa um tanto exagerado, alguém quase letrado prum tosco jogador de rúgbi.

De volta ao roteiro – assinado por Anthony Peckham, o mesmo do novo Sherlock Holmes — , talvez seja o mais fraco nessa trajetória recente de Clint (ele apenas dirige roteiro dos outros, é bom frisar). Explicativo de coisas óbvias em excesso, usando escapismos que dificilmente são factuais (correr pelas ruas africanas na véspera duma final? no way), e uma ênfase na desordem familiar de Mandella. Pequenos erros avassalados pelos muitos acertos. Invictus é a melhor retratação de um filme de esportes em todos os tempos. As cenas de rúgbi são perfeitas ao ponto do real. A torcida, as cenas campais, os lindos uniformes. E especialmente o jogo a final, desde a tradicional dança maori protagonizada pelos neo-zelandeses (os All Blacks) até cada pedacinho retratado do jogo, em que o filho de Clint, Scott Eastwood, ganha destaque no papel do herói da decisão, Joel Stransky.
Com tudo isso, fica óbvio que todos os acertos do filme são bastante herméticos. Quem não se interessa por história-política e outros NelsonMandellismos, nem por esportes (tão pouco por rúgbi), dificilmente vai curtir esse filme na essência. Ficará claro, também, que o máximo de ogro que pode suportar, é o verdinho aquele do Shrek.













[...] que respalda isso, o filme anterior de ambos tratava a respeito de esporte: Clint e o rúgbi com Invictus, Morgan e o futebol com o subestimado The Damned United. A mediunidade por aqui ganha vida com [...]
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