Tsunami punk
Não sei quanto a vocês, mas na minha humilde opinião, atualmente chegamos a um ponto em que a cena musical anda muito (MAS MUITO MESMO) carente de coisas honestas, de algo verdadeiro. Embora sempre pintem musiquinhas maneiras aqui e acolá, tudo parece de certa forma, meio forçado demais, meio FAKE, por assim dizer.
Já tava pedindo minhas contas com a música atual e voltando a revirar meus discos antigos quando me deparei com este Post-Nothing, disco de estreia do duo canadense Japandroids, provavelmente o disco mais vibrante lançado em 2009. Em pouco mais de 35 minutos, a dupla formada por Brian King (guitarra e vocais) e David Prowse (bateria) promove um tsunami pop/punk/noise com melodias intoxicantes e gritos de guerra (ou letras) indefensáveis. Implacável, o disco se move de hino em hino, como se convocasse o ouvinte a cantar junto e pogar pela casa como um animal selvagem. Parece exagero meu, mas acredite, Post-Nothing tem este poder.
Todas as canções do disco são sensacionais, mas os destaques incontestáveis são Wet Hair e Young Hearts Spark Fire. A primeira é um primor pop, com um riff de guitarra que gruda instantaneamente e versos muito marotos (“We run the gauntlet/ must get to France/ so we can french Kiss some french girls”). Já Young Hearts Spark Fire tem tudo para ser a canção da vida de muito moleque de 25 anos por aí (como eu, devo dizer). Cinco minutos supersônicos, alternando sprints furiosos de pura rebeldia punk e desconcertantes apelos por uma vida mais digna: “I don’t wanna worry about dying/ I just wanna worry about those sunshine girls”. É de chorar se tremendo no cantinho, juro por Deus.
Verdade. Em certos pontos é tudo o que se busca numa boa canção. Post-Nothing capturou a verdade de ser um rapaz errante em guitarras distorcidas, ritmos frenéticos e uma simplicidade arrasadora. Gurizada, aqui está a trilha para expulsar os demônios e salvar vidas. Meninas, aqui está o caminho para o coração da gurizada: sujo, tosco, mas intenso, pois é assim que somos, portanto vão ter que curtir desse jeito mesmo. Ou vocês vão nos deixar na mão, assim como a última frase pronunciada por King no álbum: “I Quit Girls”. Acho que não né?



Leandro eu acho o japandroids massa e lembra muito o No Ages mas enfim.
Discordo do teu primeiro parágrafo. Muitas coisas boas este ano, foi uma festa, pelo menos pra mim e acho que foi o ANO dos lançamentos. Claro, poderia ter um disco do My Bloody, um Teenage Fanclub etc mas, por outro lado, teve um Dinosaur Jr, Flaming Lips e o próprio No Ages. Todos eles foram honestíssimos na minha opinião. Sem falar do Pains, Glasvegas….
[...] esperta dos filhões da SUP Magazine, com fotos e vídeos bem interessantes com a nata do indiesmo: Japandroids, Titus Andronicus, Everything Everything, MEN, Sleight Bells, salem, e [...]
[...] sobre música em um site (não por acaso, esse site aqui mesmo). A banda em questão se chamava Japandroids. Punk rock básico e com o coração na goela, mas que em comparação com a afetação da maioria [...]
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