Vampire Weekend – Contra: a tese
Nada muito diferente, mas bastante original.
Não deve ser fácil a vida para o Vampire Weekend. Digo, não deve ser fácil em termos – a nossa vida deve ser relativamente ridícula em comparação com a deles, mas enfim, nevermind. Com um primeiro disco aclamadíssimo pela crítica entendida e até pelos mais abestados, o Vampire Weekend tinha tudo para ser o next big thing da parada. O auê midático estava lá e deu resultados, emplacando hits e colocando Vampire Weekend (o álbum) nas paradas de sucesso americanas e inglesas. No entanto, faltou algo para ser realmente o big thing da questão, digamos assim numa escala Strokiana ou até mesmo Franzferdinanda. Metaforicamente falando, a banda chegou a dar uns amassos na gostosona, mas não levou pro CAFOFO pra terminar o serviço.
As razões para isso? Pois bem. Obviamente chegamos no aspecto analítico da coisa e o som que a banda faz é o fator x da questão. Guitarrinhas suingadas, toques percussionísticos africanos e uma devoção escancarada ao trabalho estilo world music realizado por artistas como David Byrne, Peter Gabriel e – AHA – Paul Simon. Não que Ezra Koenig (guitarra e vocal) e seus companheiros Rostam BATMANglij (guitarra e teclados), Chris Tomson (bateria e percussão) e Chris Baio (baixo) não tivessem seu apelo pop. Muito pelo contrário. Mesmo com essa bagagem de influências sofisticadas, que poderiam deixar a banda como um gosto adquirido e não como um possível SU-CE-SSO, eles tinham a manha de encaixar todas estas influências em canções enxutinhas e – agora é o detalhe – grudentas. Tudo milimetricamente calculado pra ser BEM MANEIRO. Um exemplo: A-Punk, do primeiro disco, foi um delicioso e totalmente não ortodoxo hit das pistas. E quem viu aquela propaganda de uma empresa de telefonia que escancarou M79 como música de fundo? Até meu pai curtiu a música.
Muito acusam o VW de ter pretensão de mais (vai esperar o quê de estudantes de Columbia?) e colhões de menos, ou simplesmente não conseguem assimilar a enxurrada de informação, ou sei lá, não se identificam com as influências e sonoridades inusitadas apresentadas por eles. Não se pode culpar quem não gosta, afinal de contas, world music (ou wannabe disso) é um terreno arenoso mesmo. Mas enquanto isso, a banda permanece nesse meio termo. Até mesmo porque, ser sucesso indie não é ser exatamente sucesso.
Para remediar essa situação (ou não), eis que chega o antecipadíssimo Contra, o teste do segundo disco para a gurizada. E pra quem não gostou do primeiro disco, já digo de largada: nada de concessões por aqui, e sim muitos ajustes. Koenig e sua gangue pegaram toda a sonoridade que fez Vampire Weekend ser especial e não apenas evoluíram, como buscaram algo que de certa forma faltava no disco de estréia: FOCO. Aos primeiros acordes de Horchata, é possível ouvir uma banda determinada a detonar. Os timbres estão mais cheios, o vocal de Koenig esbanja confiança, mesmo que a letra tenha seus deslizes (rimar horchata com balaclava é meio demais, mas enfim). No entanto, a bela melodia e a econômica percussão que a acompanha fazem uma singela abertura.
Uma das novidades de Contra é o aumento do uso de toques eletrônicos em boa parte de suas canções. Se no disco de estreia, a presença de teclados e sintetizadores era discreta e parecia orgânica dentro das composições do grupo, neste disco ele tem justamente a função de dar um ar mais moderno ao som do VW. Em canções como White Sky e Run, essa diferença torna o som mais cheio, mais grandioso de certa forma (confira a quebrada na parte central de Run e depois me responda). Giving Up The Gun, por exemplo, é praticamente uma canção pronta pra ir para as pistas de dança, com sua batida forte e melodia de apelo instantâneo. Já a minha preferida do disco, Diplomat’s Son, é um dancehall muito maroto, daqueles pra dançar de olhinhos fechados e punhos cerrados, tipo vovozinho dançando desacompanhado no bailão. Sucesso garantido. Falando em sucesso, Holiday é a mais candidata a A-Punk do disco, mas incrivelmente é a menos marcante.
Contra também conta (sacaram, hein? CONTRA? CONTA?) com sua parcela de esquisitice, representadas pelas absurdamente birutas Cousins e California English. Se tu ainda não ouviu Cousins, faça o favor de conferir o clipe mais abaixo. Já California English é uma piração de Koenig, enlouquecido entre vocalizações auto-tune, batuques polirrítmicos e jogos de palavras, com direito até a citação ao William Friedkin, um dos diretores mais fodais da história: “Living like the French Connection, but we’ll die in LA”. Que beleza, hein guri?
Fechando os trabalhos, I Think UR A Contra encerra o álbum com um momento estilo Motion Picture Soundtrack (aquela última do Kid A que eu tenho certeza que você chorou no cantinho quando ouviu). Não que eu queira comparar as duas canções, antes que alguém tente me apedrejar, mas as duas possuem aquele vibe meio “suspende tudo no ar e manda rumo ao nada”, bem apropriada pra terminar um disco. A propósito, a música é linda pra caralho, com orquestrações belíssimas e uma letra de dar um aperto no peito. E quando o refrão entra, é até meio difícil não lembrar do Thom Yorke cantando “I think you’re crazy, maybe”.
Pois bem, pra encerrar esse texto, o resumão. Assim, Contra é um disco muito massa, que até mesmo supera o álbum de estreia da banda em vários aspectos. Sai aquele desleixo sofisticado e entra mais foco e uma riqueza de detalhes impressionante, ainda permeado pelas mesmas influências e aquele apelo pop supimpa. Nada muito diferente, mas deliciosamente original. De certa forma, tudo o que os fãs esperavam da banda, mas nada assim muito revolucionário para converter os que não embarcaram na onda deles na primeira vez. Mas sei lá né rapaziada, às vezes é bom ter uma segunda opinião. Vai ver que dessa vez eles estouram de vez e pegam a gostosona.



[...] This post was mentioned on Twitter by my cool, Leandro Souza. Leandro Souza said: leiam se tiverem guts RT: @mycool: @bolotaites escreveu uma tese – OPS – uma resenha do novo do Vampire Weekend: http://tinyurl.com/yhtucys [...]
Bom review. Disco foda.
[...] 8,59 Contém: 1 arquivo de áudio + 1 booklet em PDF (capa do single e letra) Review do álbum: Vampire Weekend – Contra: a tese [...]
[...] a dançar com Ezra 2 Fevereiro 2010 por shuna 1 views No Comment Se você ouviu o último cd do Vampire Weekend e não entendeu nada daquele Chiclete com Banana meets Indie meets Dança do Vampiro na ponte [...]
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