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Where the Wild Thigs Are

14 janeiro 2010 por 783 views 2 Comments

Nessa altura do campeonato você já espera alguma coisa nada convencional da mente de Spike Jonze. E se por algum motivo pareceu estranho ele estar por trás da adaptação de uma história infantil, o fato é que ele contou uma história infantil nada convencional – aliás, exatamente como o livro, um tanto desconhecido no Brasil. Do ponto de vista estético não se faz uma única reprimenda, todo o case artístico e técnico é brilhante (fotografia, direção de arte, montagem). A trilha sonora da ex-namorada de Jonze, Karen O, é das mais invasivas num filme desde muito tempo, complementando e até interferindo em várias cenas-chave na história.

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E daquilo de mais inovador, a mistura de live-action, protagonizadas pelo menino interpretado por Max Records, com os monstros, um grande misto de animação e efeitos visuais, é simplesmente perfeita. Daquela maneira suave, sem forçar a ideia de que você tá vendo algo “de mentira”. Tudo em Where the Wild Things Are é bonito e lúdico, o gigantismo das imagens impressiona, onde valeria a pena cada frame, mesmo que ele fosse um filme-mudo. Ainda assim, o roteiro é por demais confuso (pelo menos a parte que interessa, quando o garoto vai para o lugar “onde vivem os monstros”), mesmo levando em conta tratar-se duma fábula – tal qual História Sem Fim algum dia já fez, de modo mais amador.

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Claro que estou aqui fazendo uma hipérbole, e que dá pra entender exatamente “a moral da história”, que é o case de todo conto infantil. Agora, o fato é que toda sua aura metafórica deixa o espectador livre a interpretar o que quiser, embora “imaginar” deva ser o termo mais apropriado – e não sei exatamente se crianças possam entender ou mesmo se identificar com ela. Como adulto, fiquei amedrontado e não absorvi a história o suficiente para sequer ter pensado em levar afilhados para assistir. Talvez eu seja burro demais para a pretensão. Talvez Spike Jonze, por mais demente e talentoso que seja, ainda precise remar muito nesse ramo para se tornar David Lynch.

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