BRMC – BTDT

A banda se estabelece entre o que há de mais cru do folk, country, blues, e entre o que há de mais barulhento do shoegazer. Beat the Devil’s Tattoo é como um misturão disso, e do que a banda fez nos últimos dois discos, nunca chegando a nostalgia fundo-do-poço de Howl, e tão pouco no formato hitmaker de Baby 81. O que não desqualifica o álbum de forma alguma. Talvez ele seja, até mesmo, o ponto exato do tempero do Black Rebel Motorcycle Club.
A faixa-título é como se fosse uma Ain’t that Easy Way em estado de sono, mais lenta, viajante, uma simbiose acústico/distorção de folk/shoegazer. Refrão em mantra aaah aaah aaah. Das letras, tudo parece um caso mal resolvido, ninguém nunca parece se amar nem se odiar de fato: apenas se desentender o tempo todo. “I could see it in your eyes and now it’s gone / With bad blood fellings, just bad blood feelings”, cantam na ruidosa Bad Blood (leve parentesco a Heart + Soul), para logo a seguir na BALADINHA FOFA Sweet Feeling mandarem a real que “the sweet feeling is gone, it’s just moving, no I can’t see it all” (prima em menor grau de Promise). Robert Levon Been e Peter Hayes combinam timbres de vozes e personas como pouca gente. Não dá exatamente nunca pra saber quem faz o quê, toca o quê, canta o quê ou veste o quê, denotando um senso de unidade fantástico.
Beat the Devil’s Tattoo é bastante longo pros tempos modernos, em algum ponto, modorrento de se chegar até o fim. Mas é na exata distribuição das músicas, na sua uniformidade, nos seus up’s e down’s constantes que ele se fortalece. Então, não desista.
Faça uma tattoo mais preza que a do demo.













Melhor banda do mundo, hoje.
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