Home » cinema

Roman Polanski e O Escritor Fantasma: MUITA CLASSE

5 Julho 2010 por Leandro Souza 185 views No Comment

GhostwriterlargeRoman Polanski é um mestre do suspense. É um pedófilo também, mas isso não vem ao caso. O que importa é que o cara tem talento às pencas caminhando lado a lado com sua mente perversa. Poucos diretores tem o talento de produzir situações tensas como este polaco faz. Filmes como “Faca Na Água”, “Chinatown”, “O Inquilino” e “O Bebê de Rosemary” são clássicos do suspense, o que já rendeu ao diretor diversas comparações ao supremo Alfred Hitchcock.

Depois de produções mais dramáticas, como o magnífico “O Pianista” e “Oliver Twist”, Polanski retorna ao suspense com “O Escritor Fantasma”, com resultados espetaculares. Carregando no teor político, o filme acompanha a história de um escritor (Ewan McGregor) encarregado de ser o ghost writer da biografia de um ex-primeiro-ministro britânico (Pierce Brosnan). O que seria um trabalho simples degringola a partir um escândalo envolvendo espionagem e estratégias ilegais de contra-terrorismo.

Assim como é um retorno às suas raízes no suspense, o longa marca o momento consistente do diretor em sua carreira. Mesmo sofrendo com problemas na produção do longa, que foi finalizado com o diretor em prisão domiciliar (quem mandou pegar uma menina de 12 anos, né Roman?), o filme tem o carimbo de qualidade estampado do começo ao fim. A dupla de protagonistas (McGregor e Brosnan) está perfeita, e o elenco coadjuvante não fica por menos.

Contudo, o show mesmo é do diretor. A partir de um roteiro genial porém extremamente complexo (escrito pelo próprio Polanski), que poderia virar uma bagunça na mão de um condutor menos talentoso, o cineasta brilha ao manobrar cada virada da trama com uma maestria invejável. Nada é escancarado na cara do espectador. Tudo é acompanhado de uma sutileza desconcertante, o suspense é dado de forma silenciosa, deixando o espectador num desconforto implacável. Não há clímax, não há alívio. E ah, nem vou entrar muito no assunto, mas a história guarda um tapa fodido na cara de Tony Blair que é indefensável.

Filmes como “O Escritor Fantasma” são um alívio em meio às produções cada vez mais pasteurizadas dos grandes estúdios. Um filme que é focado ao entretenimento, mas que não insulta a inteligência do espectador, guarda ponderações importantes sobre a realidade e também te deixam triste de certa forma. Uma hora dessas Polanski não estará mais por aí. E por mais que as garotinhas fiquem mais tranqüilas, daí, como fica o cinema, meu Brasil?

1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars (No Ratings Yet)
Loading ... Loading ...

Comentaí!

Comente ou trackback Você também pode assinar esse comentário subscribe to these comments via RSS.