A mente por trás da Tranquera

Texto cedido gentilmente pela garota prodígio Ana Termignoni, que lutou por meses, enchendo o saco e finalmente contribuindo para a vinda da festa Tranquera à província gaúcha. Se liga sebinho, que esta destruição massiva à base de graves abissais tá chegando este final de semana em Porto Alegre, e o mycool vai deixar você por dentro de tudo. Fica chill.
Um contrabaixo gordíssimo, pululante, incessante, uma batida irresistível. Um ambiente denso e quente, como se eu estivesse embrenhada numa floresta tropical, mas sem aquela alegria associada geralmente à musica dos trópicos: o som é sombrio, com muitos graves, se arrasta. Alguns poucos samples quase sempre de vozes masculinas, ecoando cheios de jamaicanidade.
Foi mais ou menos isso que senti quando, em meados de 2008, alguém colocou nos meus ouvidos uns fones que vibravam loucamente ao som de um podcast do coletivo Tranquera, comandado pelo DJ Bruno Belluomini, de São Paulo. Foi ouvindo o Tranquera que travei o meu primeiro encontro com o dubstep, gênero nascido no Reino Unido no final dos anos 90 e que evoluiu até se tornar um fenômeno das pistas de dança mundo afora. Esse estilo surge da fusão de influências jamaicanas com os ritmos dançantes de variações mais agressivas e rápidas do House, chamadas de UK Garage. A floresta que eu imaginava estava encravada numa metrópole.
Paralelamente ao seu trabalho como DJ e produtor, Bruno Belluomini também é o CEO de um projeto – eu diria quase BENEFICENTE – de divulgação do dubstep e da cultura “bass“ no Brasil. O Bruno vai ao ar todo domingo e mixa ao vivo desde seu QG virtual podcasts exclusivos. Os podcasts são gravados, catalogados e disponibilizados para download no tranquera.org. Uma iniciativa inédita, ainda mais se tratando de dubstep no Brasil. Esporadicamente artistas da cena mundial e local são convidados a fazer um mix exclusivo pro site, ou a discotecar na festa do Tranquera, que acontece mensalmente no clube Vegas de São Paulo.
O dubstep é um estilo que preza muito as sonoridades graves do espectro. Não é à toa que a maioria dos produtores e DJs preferem gravar e tocar suas faixas em vinil, e não em formatos digitais. Ouvir dubstep em um bom sound system, com um subwoofer poderoso é parte fundamental da experiência de se ouvir um som desses.
Segue abaixo uma entrevista exclusiva com o Bruno Belluomini, que prometeu trazer pra Porto Alegre uma boa dose dessa experiência. Aguardemos.
1. Conta pra gente, resumidamente, o que é Dubstep e qual é a origem do estilo (contexto social/raíz musical).
O Dubstep é um gênero eletrônico dançante que surgiu do House inglês – o Garage britânico, também conhecido como UK Garage. O som nasceu por volta de 1999 mas só foi batizado com esse nome algum tempo depois. No início, as produções tinham uma delicadeza muito sutil: o Jazz, o Soul e os ritmos caribenhos influenciavam bastante pioneiros como MJ Cole, El-B e Zed Bias. A música passou a ficar mais pesada, grave e agressiva a medida que a molecada mais nova tomou gosto pela coisa. Hoje a sonoridade do Dubstep é muito ampla e pode somar desde os timbres do Techno germânico aos pianos oldschool do Jungle, Hardcore, etc.
2. Como e quando foi que tu conheceu o Dubstep? Como foi essa experiência?
É uma história curiosa. Toco desde o final dos 90 e em 2004 estava vasculhando uma pilha de whitelabels. Sem querer encontrei as partes separadas daquele triple packGrime da Rephlex. Dali em diante fiquei apaixonado pela música e comecei a trocar idéia com os caras: Kode 9, Skream, Benga, Mala, Mark One, Plasticman, Scuba, etc. A atitude daquele som foi o que mais chamou minha atenção. Naquela época o Caspa estava louco para tocar no Brasil mas não havia público para aquele som no momento.
3. Além do Dubstep que outros sons tu costuma tocar nas tuas festas?
UK Funky? WonkyBass? Dubstep Techno? É difícil definir ou classificar. Os sons são muito recentes e transitam num horizonte musical pouco explorado ainda.
4. Qual a importância do sound system em uma festa do Tranquera?
É fundamental! No sub no dub! O Dubstep é um som para ser sentido com a pele e com o corpo. Não faz sentido usar CD, laptop ou Serato. Só o vinil tem a masterização que faz o grave bombar de verdade no sound system.
5. Que sons tu recomendaria pro pessoal que nunca ouviu Dubstep debutar no estilo?
Os podcasts do Tranquera. Sempre tem novidade em cada episódio.

6. O pessoal aqui tá curioso pra saber como é que se dança Dubstep, e como é a vibe de uma festa do estilo.
Tem alguns vídeos da festa do Tranquera no Youtube. É uma coisa muito loca. Parece mais um show Punk Rock do que qualquer outra coisa! Só descendo numa festa para saber como é na real! Hahahaha!
7. Quem é o artista que tá te deixando mais empolgado atualmente?
Vários. Scuba, Geiom, Martyn, 2562, TRG e Ramadanman são os caras que estão levando o som para frente. Joker, Rustie e FlyingLotus também. Skream e Benga sempre entregam discos que arrasam na pista. Não dá para deixar de citar Kode 9 e Mala; eles têm lançado muita coisa legal em seus selos.
8. Quando tu tá em casa tu costuma ouvir as mesmas coisas que tu toca ou tu gosta de outros estilos também? Quais?
No momento tenho ouvido muitas bandas que curto bastante: MinorThreat, Black Flag, Gorilla Biscuits, Seaweed, Oasis, etc. É a pegada da festa, né? Bem visceral. Esse é meu momento sonoro como residente da Tranquera.
9. Vi que tu é o cara que faz o webdesign do Tranquera.org, os flyers e toda a parte da identidade. Da onde tu tirou inspiração pra criar a estética Tranquera?
É muito grave na cabeça, né? Hahahahahahaha! Gosto de desenhar e essas coisas que surgem no papel são minha visão sobre o que é a festa, o som, as pessoas. Tudo no Tranquera é feito para o público: camisetas, stickers, flyers, etc.
10. Qual a origem do nome “Tranquera”?
Ah! Isso a gente não pode contar! Hahahahaha!
Pure Bass Tour 2010: Tranquera em Porto Alegre
Quando: Sábado, 21/08/10
Quem toca: Bruno Belluomini, Dani e Pedro Damasio
Onde rola: Casa do Lado, Rua da República 546, Porto Alegre, Rio Grande do Sul
Lista desconto R$12,00: Casa do Lado




Muitoooo bom a entrevista…
Curto muito o tranquera.
Sempre estou ao vivo e no live twitter!
xxx henrique
Hááá Brunão, mando bem! Dichava a mulecada do Sul hehe =P Abráss
a molecada do sul vai vicar no grave!
dahora a entrevista.
Háaa muito bom!
Quer dizer que vai ter muito grave e chimarrão!
É nesse frio vai ser bom!
BASS
[...] A festa acontece sábado, dia 21/08/10, no club Casa do Lado. Leia a entrevista sobre a gig no site My Cool. Confira o serviço completo da noite [...]
Não pode deixar o hardcore de lado mesmo não mano !
What happened to you?
You’re not the same
Something in your head
Made a violent change
It’s in your head
FILLER
[...] Ainda não sacou bem a proposta? Confere aqui mais detalhes sobre o Tranquera, Dubstep, Bass e uma entrevista com o próprio Bruno [...]
Comentaí!
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