Entrevista exclusiva com o grupo de arte Voina
No dia 23 de dezembro de 2010 publicamos algumas notícias sobre a censura que o polêmico grupo russo Voina vem recebendo por protestar, através de sua arte, contra as ações do governo.
Eis então que eles tiveram acesso a este post e nos procuraram para oferecer uma entrevista exclusiva. Então confira o que estes ativistas nos falaram de dentro da prisão. Opa, mas como assim? WTF! Bom, vamos explicar: uma militante do grupo (Yana Sarna) nos procurou, fizemos as perguntas e então ela levou aos detentos. Logo após, transcreveu e nos enviou.
Saca só esse papo sinistro que tivemos com os caras:
O que é o Voina? Quem faz parte deste grupo?
Alexei Plutser-Sarno: O Voina é um grupo esquerdista de arte radical. Uma comunidade aberta de artistas, filósofos e escritores que declararam guerra contra policiais, autoridades e burocratas corruptos da Rússia, onde todos os direitos humanos e liberdades estão aniquilados. Nossas ações são protestos nas ruas em forma de arte. E nela, é possível achar elementos do anarquismo, do punk e do libertarianismo.
Yana Sarna: No Voina, Oleg Vorotnikov é o principal ideólogo, Natalia Sokol é a principal coordenadora, Leonid Nikolayev é o nosso “presidente”, Alex Plutser-Sarno é o principal ‘midiático’ do nosso grupo e eu sou fotografa e editora/arquivista do grupo. Há também os ativistas, que escondem seus rostos e nomes.
Natalia Sokol: Nós fazemos um guerra simbólica de informações. Nossa principal arma são as ações artísticas, através das quais ridicularizamos o regime de direita e fazemos um retrato vergonhoso das autoridades. Como na ação “Fuck for the Heir – Medvedev’s Little Bear!”, realizada no maior “silêncio” dentro do museu de Biologia um dia antes da eleição de Medvedev. O nosso grupo começou a ridicularizar o governo logo após que D. Medvedev herdou o “trono presidencial” de V. Putin.
Yana Sarna: Então estas autoridades ficaram com medo das nossas peças de arte, motivo pelo qual estão tentando nos destruir. Oleg Vorotnikov e Leonid Nikolayev já estão na prisão. Eles foram espancados e torturados. São acusados de “fomentar o ódio e a inimizade a um grupo social”, conhecido popularmente como polícia. Eles estão enfrentando baterias de julgamentos e podem ser condenados a sete anos de prisão. Natalia Sokol e Alexei Plutser-Sarno são procurados insamente pelos quatro cantos do país durante 24h por dia. Todos os outros ativistas estão sendo seguidos, interrogados e tendo seus telefones grampeados ilegalmente.
Quantas pessoas fazem parte do Voina?
Natalia Sokol: No momento há sete lideres e ideólogos. Mas, muitos outros ativistas atuam nas ações. Nosso grupo é aberto. Com frequência anarquistas, punks e socialistas juntam-se a nós. The Dick on the Liteyniy drawbridge foi pintado por nove pessoas, mas também teve toda a função de suporte, então eram 20 pessoas no total.
Oleg Vorotnikov: No dia 16 de outubro de 2010, criamos uma arte-instalação onde um carro de polícia ‘capotou’ em frente ao State Russian Museum. Cinco ativistas participaram, mas cerca de 20 pessoas acabaram se envolvendo. Em nenhum momento tivemos medo de realizá-la, até porque ensaiamos diversas vezes durante meses. Apelidamos esta ação de Palace Revolution e usamos como slogans as frases: “Beg for mercy, cop!”, “Wicked cop always blames his balls!”, “Repent your sins, two-faced dirty dealin’ cops!”.
Alexei Plutser-Sarno: Mais de cinqüenta pessoas, incluindo anarquistas e alguns artistas famosos, participaram da ação onde paramos o trânsito em frente ao escritório do Procurador do Taganskaya. A ação recebeu o nome de Cencorship SUX! E teve como slogans: “Cops are burden in life!”, “Feds don’t hold us, we fuck feds!” “Higher, higher with the black flag! State’s our main foe!”.
Yana, onde você e os outros membros do grupo estão vivendo agora?
Yana Sarna: Estamos na Rússia, se escondendo em squats e apartamentos secretos.
Como é a política na Rússia agora?
Oleg Vorotnikov: As autoridades russas são totalitárias e de direita. Eles passam por cima da política de direitos humanos e violam o direito de liberdade de expressão. Pessoas são mortas ou colocados na prisão. No presente momento, eles começaram a campanha, com o objetivo de destruir o protesto da juventude pensante. Milhares de jovens inocentes, homens e mulheres são mantidos na prisão por falsas acusações.
Alexei Plutser-Sarno: E os jornalistas que ainda são honestos e defensores dos direitos humanos são assassinados.
Como é o ativismo e a arte radical na Rússia? O que as pessoas falam sobre isso?
Leonid Nikolayev: As pessoas na Rússia estão com medo de sair de casa porque os policiais viraram os principais bandidos. Sua finalidade principal é proteger as autoridades da população. O ativismo está desaparecendo no contexto de medo generalizado. Ainda há alguns artistas radicais e quase todos eles se juntaram ao Voina. Embora o ativismo anarquista esteja crescendo um pouco, ainda estamos buscando respeito e o intuito é que no final acabe servindo de inspiração para todos.
Quanto vocês arrecadaram com as doações do site Free Voina?
Natalia Sokol: Parte do dinheiro foi gasto com honorários advocatícios, na ajuda aos ativistas presos e de subornos a policiais corruptos. Excluindo-se o dinheiro gasto, neste momento temos cerca de dois mil dólares em nossas mãos.
Qual é a relação do Banksy com vocês? Já pensaram em fazer alguma ação juntos?
Alexei Plutser-Sarno: Banksy nos disse que ele tem acompanhado nosso trabalho por muito tempo. Ele ouviu a reportagem da BBC sobre a detenção de Oleg e Lenya, então entrou em contato conosco e ofereceu sua ajuda. E, sinceramente, estamos muito gratos por isso. Ele fez o mundo inteiro olhar a desgraça que está acontecendo na Rússia.
Natalia Sokol: Banksy vive em Londres e estamos em Moscou. Nós dificilmente poderíamos fazer ações juntos agora. Mas o fato de que ele proclamou a sua ajuda para o Voina e vendeu sua ” weapon” para o bem dos artistas russos já é uma ação conjunta.
Alexei Plutser-Sarno: A dura reação das autoridades sobre as ações da nossa arte é uma parte do nosso trabalho. Criamos um retrato das autoridades que são monstros feios. Esses monstros estão correndo em nossa direção e tentam nos devorar. Assim, as autoridades, olhando para o espelho de nossa arte, mostram seus focinhos repugnantes para o mundo. E Banksy, através do seu “weapon”, participou na nossa guerra.
O que vocês querem dizer com a arte que o grupo dissemina?
Alexei Plutser-Sarno: Queremos dizer “Fuck you!” para os direitistas e o obscurantismo político. Dê uma olhada em nosso Pênis de 65 metros de altura. Isso representa todos os funcionários corrompidos, policiais corruptos e mafiosos que ocupam altos cargos no governo.
Natalia Sokol: A ponte levadiça Liteyniy pesa 4.000 toneladas e ele leva 4 minutos para chegar na posição vertical. A abertura da ponte de São Petersburgo é magnífica. Quando está nublado, ela toca as nuvens. Viramos a ponte em um pênis em frente ao quartel-general da KGB.
O que vocês planejam fazer para sair da prisão?
Alexei Plutser-Sarno: Vamos lutar para libertar os artistas presos. Mas é difícil. Recentemente houve uma audiência sobre os apoios de pré-julgamento de Oleg e Leonid. Seus defensores exigiram a libertade dos artistas sob fiança e com a ajuda de Banksy, mas o pedido foi negado. Quanto à falta de fundamento da prisão e detenção, a violação de direitos durante a prisão, não houve resposta do Ministério Público. Os promotores não apresentaram qualquer prova de culpa concisa. Como prova, eles apresentaram um registro de questionamento de uma testemunha, que viu as ações via internet. Mas, mesmo assim Oleg Vorotnikov e Leonid Nikolaev ficarão sob custódia até o dia 24 defevereiro. Infelizmente não há justiça, nem juízes justo na Rússia.
Se você quiser ajudar o Voina, acesse o Free Voina. E todas as ações do grupo podem ser vistas através do blog oficial do grupo.
Natalia Sokol: Banksy vive em Londres e estamos em Moscou. Nós dificilmente poderíamos fazer ações juntos agora. Mas o fato de que ele proclamou a sua ajuda para o Voina e vendeu sua “ weapon” para o bem dos artistas russos já é uma ação conjunta.
Alexei Plutser-Sarno: A dura reação das autoridades sobre as ações da nossa arte é uma parte do nosso trabalho. Criamos um retrato das autoridades que são monstros feios. Esses monstros estão correndo em nossa direção e tentam nos devorar. Assim, as autoridades, olhando para o espelho de nossa arte, mostram seus focinhos repugnantes para o mundo. E Banksy, através do seu “weapon”, participou na nossa guerra




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[...] início de 2011 publicamos uma entrevista exclusiva com os integrantes do coletivo de arte Voina, da Rússia. O tempo passa, o tempo voa, mas a [...]
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