Who The Fuck Is PJ Harvey?

Se eu tivesse que deixar dois conselhos para a humanidade, seriam: 1) não vá ao Carrefour numa tarde de sábado. O tempo de espera na fila do caixa rápido pode chegar a 50 minutos; 2) ouçam – e leiam – com calma Let England Shake, o último da PJ Harvey. Taí um álbum que merece ser apreciado da primeira até a penúltima música – porque a última é meio chata.
Às vezes complicada, sempre perfeitinha. PJ Harvey pode até parecer uma mulher de fases, mas não: ela segue coerente no 8º álbum de sua discografia, sempre firme no objetivo de descobrir quem é a própria PJ. O que muda de um trabalho pro outro são os ritmos, o humor, e os lugares onde ela se procura: se não encontrou nas próprias entranhas, expostas em White Chalk (2007), nem nas agruras da vida a dois berradas em A Man A Woman Walked By (2009), agora ela estende o processo de auto-análise a todo um país.
England’s dancing days are done.
Another day, Bobby, for you to come home
& tell me indifference won
(Let England Shake)
Na primeira ouvida, o oitavo da PJ pode até lembrar as melodias fáceis e flutuantes de Stories from the City, Stories from the Sea (2000) – aquele com The Mess We’re In, parceria com Thom Yorke merecedora de rios de lágrimas. Na segunda audição, porém, se percebe que o buraco de Let England Shake é bem mais embaixo: a crueldade das letras quebra a impressão faceira deixada na primeira ouvida, e o teor político se sobrepõe ao instrumental pop de John Parish, fiel escudeiro de PJ desde os anos 80.
I’ve seen and done things I want to forget;
I’ve seen soldiers fall like lumps of meat,
Blown and shot out beyond belief.
Arms and legs were in the trees.
(The Words That Maketh Murder)
Mas é lá pela 17ª ouvida que vem o vício e a noção do verdadeiro valor do que se ouve: não é só mais um punhado de composições politizadas (ainda é moda?) escritas por quem acha que o inferno são os outros. Let England Shake esmiuça a PJ Harvey herdeira do pós imperialismo, a que mandou tropas para a guerra, a que enxerga o fruto do próprio território como uma “criança órfã e deformada”. Esmiuça também a PJ que, mesmo assim, declara amor incondicional a sua terra. Let England Shake é intenso, cruel, pesado, lindo.
Enquanto o império desaba, Polly Jean constrói com lucidez sua auto-imagem e encaixa uma peça fundamental na boneca russa que é a sua discografia. God bless you, PJ.


[...] This post was mentioned on Twitter by mycool.com.br and Vanessa Thalheimer, Jacqueline. Jacqueline said: mto unica!! *o* RT @mycool Quem essa PJ Harvey pensa que é? http://bit.ly/flWAxy [...]
e o meu agradecimento, dieguinho?
rs.
O meu amor pela PJ é todo culpa do Dogs. Ouvi esse disco pela primeira vez acho que uma semana atrás, ou mais um pouco. É tudo isso daí que ele disse. Não poderia descrever melhor.
[...] que alegrias! O álbum que vai mudar a lista de melhores de 2011 (temos certo PJ Harvey, Radiohead e… só) ainda não tem data certa pra sair, mas já tem nome: Nine Types Of Light. E [...]
[...] ano, porém, foi da PJ Harvey. Além de faturar o Mercury Prize, o Let England Shake da moça agradou NMEistas e pitchforkeanos, coletando TREZE medalhas de ouro (NME, Uncut, Mojo, [...]
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