Metronomy conquista o Sul

Foto: Lucas Martins de Mello
Eu conheci o Metronomy em 2008, quando o Alex Kapranos, do Franz Ferdinand, mencionou-os como um de seus novos grupos favoritos numa entrevista pra MTV. Fui sacar o “Nights Out”, que o até então trio tinha recém lançado e vidrei absurdamente. Porém, ver um show deles na minha cidade era uma coisa que nem passava pela minha cabeça.
Três anos depois o grupo vive a provável melhor fase da carreira: nova formação, três discos fortes que marcam a evolução do, hoje, quarteto, ótima aceitação da crítica, chance de faturar um prêmio conceituado e por aí vai. Portanto, os demais que escutaram o sábio Kapranos naquela época puderam viver ontem, no Palco do Beco 203, uma noite fantástica. Ouso a dizer que a “cria” superou o “criador”: o Metronomy fez uma apresentação mais incrível que o próprio Franz Ferdinand, quando tocaram no Pepsi On Stage, ano passado.
Imagine a seguinte fórmula: um frontman carisma-puro, um tecladista incrivelmente performático, um baixista rei-do-groove, uma baterista bonitinha, músicas espetaculares, diferenciados efeitos visuais – os quatro membros possuíam uma espécie de prisma que se iluminava conforme o desenrolar das canções – e um trabalho executado impecavelmente.
Pra começar a pontualidade dos caras foi inacreditável: o único show que eu vi que começou CRAVADO na hora proposta. The English Rivieira, a faixa-introdutória que abre o novo disco de mesmo nome, foi lançada no ar enquanto os ingleses tomavam posição. Na sequência, We Broke Free e Love Underlined, a primeira e a última canção do aclamado novo álbum apresentavam o público oficialmente ao “Metronomy 2.0”.
Enganou-se, porém, quem acreditava que o trabalho mais recente sustentaria a apresentação: Back on the Motorway – mostrando todo o talento do performático Oscar Cash e seus instrumentos de sopro – e Holiday, duas das mais incríveis (e quais não são mesmo?) faixas de “Nights Out” engataram a sequencia para animar uma casa que se viu praticamente lotada. Por sinal, acho que foi o melhor público dentro do Beco de Porto Alegre pra um show de banda indie, junto com o Miike Snow. E eu estava longe de ser o único fã embasbacado.
She Wants, um dos singles do “English Rivieira”, seguiu empolgando o pessoal, pra culminar com o hit Heartbreaker, e o momento de êxtase em que me encontrava não me permite saber dizer exatamente o que aconteceu. A partir daí, o momento foi do bass-hero da noite, Mr. Gbenga Adelekan; os caras meteram a absurda The Bay na sequência e minha revolta foi pra quem não pulou junto. Vai balançar o corpinho no show da Cat Power, a gente tá falando da provável melhor música do ano – ou seria The Look?
O que aconteceu até então podemos chamar de Ato I do show e, embora teriam sido deixadas para o segundo ato canções fundamentais, esse foi certamente o mais empolgante. O grande carisma da noite (desculpa Jojô), idealizador, compositor e frontman, Mr. Joe Mount, não podia ter sido mais boa-praça: brincou com a galera, falou bem da cidade, das quintas-feiras, falhou no truque de mágica com a cerveja e convidou todo mundo pra socializar na festa. Te cuida, Ezra Koenig!
Pro tal segundo ato, a lembrança de que o Metronomy já fez um dia um disco de estreia, quase todo instrumental, com algumas faixas muito boas que serviriam de referência pro futuro da banda. A homenagem para esse passado que soa tão distante veio com a dance-punk You Could Easily Have Me, enquanto a também instrumental The End of You Too, logo na sequencia, simbolizava a transformação do grupo com o passar do tempo.
Corinne fez parte do público voltar a cantar, enquanto A Thing For Me empolgou geral novamente. O grande trunfo desse ato, porém, foi o final matador: a lindíssima The Look seguida pelo desfecho melancólico de On Dancefloors e seu forte clima de reflexão pós-ressaca.
Obviamente o povo não deixaria a noite acabar assim e pedia com força pela volta do grupo, que não fez muito mistério e logo retornou pro bis: Anna Prior nos deu esperanças até o final que cantaria Eveything Goes My Way, mas a tímida moça optou por deixar de lado os vocais e se concentrar na batida pra bossa nova-esque Some Written. E aí não podia faltar ela, R-A-D-I-O L-A-D-I-O pra fazer todo mundo voltar a sorrir, pular e desejar viver pra sempre em um show do Metronomy.
* Tentei ser o mais neutro possível, mas foi difícil. Me perdoem.
** “The English Riviera” pode ser o melhor e mais maduro trabalho do grupo, mas ficou comprovada ontem a importância gigante do “Nights Out”.
*** A gente ouviu 15 músicas e ainda assim ficou muita coisa boa de fora. Isso indica que o Kapranos tinha razão e o Metronomy está longe de ser “só mais um hypezinho”.
**** Eu ainda não consegui terminar a máquina do tempo e não tem mais vôo pro Rio, então subi o setlist inteiro no GrooveShark pra quem quiser reviver a noite. *Cheers*


um amigo meu, fanzão, viajou pra ver e dormiu no show
mas esse texto meu deu vontade de procurar saber mais sobre a banda
Everything goes my way teria sido incrível. Realmente 1h15 de show foi pouco, apesar de lindo
[...] por outro lado, certamente figura entre as melhores bandas da nova geração – e quem foi no show viu isso de perto. Uma das provas disso é a identidade fortíssima que o projeto de Joe Mount carrega; em todos os [...]
[...] vez é Everything Goes My Way, na voz da tímida Anna Prior, que infelizmente ficou com vergonha de cantar ao vivo na frente da [...]
[...] que lançou o melhor disco e foi a banda do ano na opinião do que vos escreve, dividiu opiniões; The English Riviera foi ovacionado pelos ingleses e esnobado pelos americanos. Ficou em primeiro lugar no Gigwise, em [...]
[...] foi a vez do Metronomy, nome que se destacou muito ano passado e caiu como uma luva no conceito da coletânea, apresentando 19 tracks que passeiam pelo r&b, [...]
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