Diário de um Johnny Depp bêbado

Sempre massa que resolvam fazer um filme baseado na obra do Hunter Thompson, salutar que Johnny Depp tenha abraçado a coisa como um projeto pessoal, inclusive o filme abrindo os trabalhos de sua produtora. Tudo muito lindo, mas… temos um MAS.
The Rum Diary é um livro escrito em 61, em que o ator achou o manuscrito na casa do próprio escritor — eram amigos íntimos, aos que não sabem — e o convenceu a publicar, isso apenas em 98. A história conta as desventuras de Thompson em San Juan, Porto Rico. Na época com apenas 22 anos e auto-nomeado Paul Kemp, a ideia dele era apenas escrever pro jornal local, mas o cara se vê num rolo envolvendo mulheres, trago e tramoias. Mulher, quando ele se vê obcecado pela esposa de um corretor freelancer; trago quando passa a tomar doses cavalares de rum com seus roomates; tramoias ao ser convidado pelo mesmo corretor freelancer a escrever propaganda fraudulenta para supervalorizar um futuro resort na ilha.

A escorregadela começa quando o roteiro passa a romancear em excesso o pseudo-triângulo amoroso. A maneira como Kemp/Thompson conhece a personagem do fetiche, como se ela fosse uma sereia numa miragem, é o extremo do cafona — e absolutamente inexistente no livro. Romanceia, também, a forma como o autor tenta salvar o jornal prestes a fechar, conseguindo a grana redentora aos 47 do segundo tempo. Concentração demais nos tons novelescos e de menos no quê histórico da coisa: a óbvia tensão entre americanos e porto-riquenhos (Porto Rico pertence aos EUA), a alarmante disparidade econômica e, bem, Hunter Thompson no auge dos primeiros contatos com LSD e álcool.
Não exatamente ruim, The Rum Diary é bastante abaixo de qualquer expectativa. Salva-se um fantástico cenário e figurino, além duma atuação coadjuvante esmagadora de Giovanni Ribisi, como um jornalista alcóolatra/psycho/nazi. Quanto a Johnny Depp, que conheceu o autor for real, pro meu gostinho deixa muito a desejar na figura do autor que conheci através dos livros. E, bem, considerando que esta foi a sua segunda investida como HST, a conclusão que se chega é que ele NÃO SERVE MESMO pro papel. Sinto muito aí, desapontar uma geração de calcinhas molhadas.


Preciso conferir, pois adoro Johnny Deep, depois falo se concordo ok?
bjs
cimara
Vignoli, comparando o livro e o filme fica extremamente complicado mesmo e se tu for ver cada um vai tirar uma imagem do Hunter nesta época que para minha visão ainda era extremamente virgem nas drogas e isto dá uma diferença enorme no que ele escreveu depois.
O que li foi de um cara que em breve se tornaria o Thompson do Fear… mas que era um tanto inocente e isto no filme talvez tenha sido levado em consideração demais. Tambem achei meio piegas a coisa, mas nas entrelinhas tu vÊ toda a parada de “sereia” (que tu mesmo usou ali) e tal.
abraço
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