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Diário de um Johnny Depp bêbado

17 maio 2012 por 513 views 2 Comments

Sempre massa que resolvam fazer um filme baseado na obra do Hunter Thompson, salutar que Johnny Depp tenha abraçado a coisa como um projeto pessoal, inclusive o filme abrindo os trabalhos de sua produtora. Tudo muito lindo, mas… temos um MAS.

The Rum Diary é um livro escrito em 61, em que o ator achou o manuscrito na casa do próprio escritor — eram amigos íntimos, aos que não sabem — e o convenceu a publicar, isso apenas em 98. A história conta as desventuras de Thompson em San Juan, Porto Rico. Na época com apenas 22 anos e auto-nomeado Paul Kemp, a ideia dele era apenas escrever pro jornal local, mas o cara se vê num rolo envolvendo mulheres, trago e tramoias. Mulher, quando ele se vê obcecado pela esposa de um corretor freelancer; trago quando passa a tomar doses cavalares de rum com seus roomates; tramoias ao ser convidado pelo mesmo corretor freelancer a escrever propaganda fraudulenta para supervalorizar um futuro resort na ilha.

A escorregadela começa quando o roteiro passa a romancear em excesso o pseudo-triângulo amoroso. A maneira como Kemp/Thompson conhece a personagem do fetiche, como se ela fosse uma sereia numa miragem, é o extremo do cafona — e absolutamente inexistente no livro. Romanceia, também, a forma como o autor tenta salvar o jornal prestes a fechar, conseguindo a grana redentora aos 47 do segundo tempo. Concentração demais nos tons novelescos e de menos no quê histórico da coisa: a óbvia tensão entre americanos e porto-riquenhos (Porto Rico pertence aos EUA), a alarmante disparidade econômica  e, bem, Hunter Thompson no auge dos primeiros contatos com LSD e álcool.

Não exatamente ruim, The Rum Diary é bastante abaixo de qualquer expectativa. Salva-se um fantástico cenário e figurino, além duma atuação coadjuvante esmagadora de Giovanni Ribisi, como um jornalista alcóolatra/psycho/nazi. Quanto a Johnny Depp, que  conheceu o autor for real, pro meu gostinho deixa muito a desejar na figura do autor que conheci através dos livros. E, bem, considerando que esta foi a sua segunda investida como HST,  a conclusão que se chega é que ele NÃO SERVE MESMO pro papel. Sinto muito aí, desapontar uma geração de calcinhas molhadas.

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2 Comments »

  • divina Chita said:

    Preciso conferir, pois adoro Johnny Deep, depois falo se concordo ok?
    bjs
    cimara

  • arlen said:

    Vignoli, comparando o livro e o filme fica extremamente complicado mesmo e se tu for ver cada um vai tirar uma imagem do Hunter nesta época que para minha visão ainda era extremamente virgem nas drogas e isto dá uma diferença enorme no que ele escreveu depois.
    O que li foi de um cara que em breve se tornaria o Thompson do Fear… mas que era um tanto inocente e isto no filme talvez tenha sido levado em consideração demais. Tambem achei meio piegas a coisa, mas nas entrelinhas tu vÊ toda a parada de “sereia” (que tu mesmo usou ali) e tal.
    abraço

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