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Dexys e o retorno de uma velha alma rebelde

22 junho 2012 por 344 views No Comment

Kevin Rowland  – esse cara no centro da foto aí em cima – é um sujeito especial. Dono de uma das mentes mais excêntricas e talentosas do pop britânico, o seu tino para desenvolver pepitas soul/pop só não é menor que a sua tremenda inaptidão de jogar dentro das regras do mundo da música. Com essa rebeldia, Rowland capitaneou o Dexys Midnight Runners nos anos 80, criando três discos, geniais e deliciosos na mesma medida que mostram a sua total desconsideração com cenário da época. A sua inspiração era vívida, cristalina e furiosa. O primeiro disco dos Dexys, Searching For The Young Soul Rebels (1980) foi a maior mostra disso: um bando de branquelos de Birmingham vestidos de estivadores, fazendo soul de primeira qualidade, falando de amor, poesia e esbofeteando a hipocrisia punk da época na cara. Pretensão é pra quem pode.

Ao compor Come On Eileen, single do segundo disco dos DMR (Too-Rye-Ay, de 1982), Rowland foi responsável por um dos hits mais improváveis da década (que com certeza tu ouviu e dançou em algum momento da tua vida), mas que segue delicioso e, de certa forma, inovador até hoje no âmbito da música pop. O terceiro disco, Don’t Stand Me Down (1985), na minha opinião, UMA OBRA PRIMA ABSOLUTA, foi retumbantemente trollado e engolido pelo tamanho de sua ambição, o que foi injusto, mas compreensível. Destituído e desajustado, Rowland preferiu se resignar e, salvo por alguns breves retornos, se ausentou do cenário musical. Cansado, o rebelde guerreiro aposentou suas armas. Até agora.

27 anos depois, velhaco, mas não acabado, o tal sujeito reuniu velhos amigos, convocou alguns novinhos e com One Day I’m Going to Soar, está na área a versão 2.0 dos Dexys Midnight Runners, batizada simplesmente de Dexys. E quer saber? O cara não perdeu a mão. Nem um pouco.

A faixa de abertura de One Day I’m Going to Soar,  “Now”, é o perfeito sumário e cartão de visitas para a banda: a canção abre com Rowland despejando letras confessionais e evocativas ao piano, e em seguida entra na área um groove soul confirmadaço carregado pelo lendário naipe de metais capitaneado pelo trombonista “Big”Jim Patterson, da formação original dos Dexys. Perto do seu final, a faixa desemboca em um clímax épico de violinos, botando fogo nos trabalhos e chamando o gelere pra dançar num sacolejo indefensável. Todas as encarnações da banda encapsuladas em uma única e genial canção.

Se o disco parasse por aí, já seria motivo para esse retorno da banda. Mas a volta dos Dexys não foi a passeio. Perfeccionista quase patológico, Kevin Rowland mostra esse esmero nas 11 faixas do álbum. Claro que em alguns trechos a mão do cara chega a pesar demais, mas momentos brilhantes sobram no disco, em faixas como “Incapable Of Love”, “She Got a Wiggle”, “You” e a destruidora “It’s OK, John Joe”, onde em um momento doloroso, o líder dos Dexys reconhece que está velho, cansado e sozinho, mas ainda assim toca o barco. Ainda bem. Bem vindo de volta, Mr. Rowland, almas rebeldes como eu estavam sentindo a sua falta.

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