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Indie games e o loser lifestyle

19 julho 2012 por 670 views No Comment

Não jogo e não entendo bulhufas de videogame e, nesse ponto, minha visão sobre Indie Game: The Movie (vencedor do ultimo Sundance na categoria melhor edição em documentários) é muito mais comportamental. Aos que jogam, o bônus são os meandros por trás de Braid, Super Meat Boy e Fez – esse último, até onde saquei, uma espécie de CHINESE DEMOCRACY dos games. Como foram feitos, story-telling’s, a mente por trás, tudo está ali. A maneira como são encaixados os games na filmagem, em si, também são espetaculares (acho).

Pra mim, o filme é quase um estudo realmente foda sobre o lifestyle loser. Aqueles caras ali, os criadores dos games, são nerds no sentido extremo e real do termo, não um adjetivo que se popularizou em rede social — hoje qualquer imbecil de óculos é chamado de nerd, quando nas antigas denotava pessoas muito inteligentes pra caralho mesmo. Conheço, curiosamente, duas pessoas desenvolvedoras de games, e elas não são realmente anti-sociais, pelo contrário, são muito buena onda. O que significa dizer que o loserismo é aplicável aqueles caras específcos, não a toda classe nerd-gamer. E são expostos três tipos de loser, bem marcados. Um é o paranoico indie, do criador de Fez, uma espécie de COVER DO PC SIQUEIRA cheio de preocupações medíocres a respeito do seu papel no mundo, que tenta convencer que não dá a mínima pra opinião dos outros, mas tá na cara que evidentemente dá. O cara vai da arrogância ao mimimi em 30 segundos, um loser bastante típico. (ps: após seis anos em desenvolvimento, Fez foi lançado em abril desse ano, data posterior ao filme. Não tenho ideia se é um sucesso).

Outro tipo de loser é o obssessivo, um cara mais velho, sem expressão, daquele estilo de que a qualquer momento vai entrar num colégio e metralhar todas criancinhas. Pra se ter ideia, esse sujeito criador de Braid (um dos jogos mais populares de 2009), Jonathan Blow, se dava ao trabalho de entrar em tudo que é forum/resenha/blog/twitter para responder menções ao seu game, algo surreal, parecia quase um bot automático, e virou até uma piada entre jogadores (aliás, se você estiver lendo isso Jonathan, relaxa, porque nunca nem joguei o teu game, descobri a existência dele através do filme).  O terceiro tipo, um dos criadores de Super Meat Boy, é o loser fofinho, que dá vontade de dar um abraço. O cara tem vida, namorada, ATÉ SE DIVERTE, faz um dos jogos que se provaram mais populares do mercado indie (ou seja, enriqueceu) e, ainda assim, diz coisas como “sinto que falhei em algum aspecto”. Porque loser, no fim e ao cabo não se trata de efetivamente ser ou não bem sucedido, mas se sentir como um fracasso. Minha percepção talvez seja um aspecto exagerado ao real objetivo do filme (já que não sou um gamer), mas o aspecto comportamental desses sujeitos provoca reais sensações – de repulsa, medo ou afinidade, respectivamente. São sujeitos sozinhos, que optaram por viver longe da indústria gigantesca de games, tentando pôr em prática a sua visão atípica de mundo em forma de sei lá quantos bits.

E conseguem, pelo que entendi.

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