Arctic Monkeys – Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not [2006]
Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not foi lançado em janeiro de 2006, mas antes disso já tinha colocado em polvorosa o galerê internético que vasculha a net atrás de novidades, como quem esfola os dedos num tapete branco durante uma abstinênciazinha corriqueira. Com um punhado de sons rápidos, lotados de melodias simples que fazem o cara se sentir um bosta por não ter pensado naquilo antes, os Macacos do Ártico ganharam o mundo com um vocalista comum, um baterista que só deve ter ouvido róque a vida toda, um guitarrista simplório e um baixista esforçado. Talvez por isso os riffs sejam absurdamente simples (já tentaram tocar Fake Tales Of San Francisco? Éééé, amigo…), embora incrivelmente pegajosos. É impossível ouvir Dancing Shoes e não ter vontade de cair na noite. Still Take You Home faz neguin’ se sentir orgulhosamente proud cantando junto “What do you know?/Oh you know nothing!/Yeah, But I’ll still take you home” e, se estiver em casa, provável que queira cair na noite e… bem, você sabe. As baladinhas Riot Van, Mardy Bum e A Certain Romance formam a tríade pra ouvir no day after, quando você estiver prometendo pra si que nunca mais vai fazer tudoissodenovo. E nem vou falar de I Bet You Look Good… porque é certo que meio mundo skipa ela hoje em dia. Whatever People Say I Am That’s What I Am Not é um disco djóven, vigoroso e contagiante, pra ouvir de ponta a ponta.
Interpol – Turn On the Bright Lights [2002]
O cartão de visitas do Interpol, Turn On The Bright Lights, não podia ficar de fora dessa lista. O climão denso, triste e às vezes letárgico, formado por ótimas melodias de vocal, são a tônica. Quase em câmera lenta, Untitled abre as cortinas com destaque pro baixão de Carlos D, que dá voz pra linha simples mas eficiente da bateria de Greg Drudy Sam Fogarino (thanks, Katia!). Aliás, esses dois são peças fundamentais no Interpol, vide o entrosamento da dupla em Obstacle 1 (um dos pontos altos) e as inúmeras vezes em que as guitarras seguem quase retas, mas a cozinha garante todo o sabor da coisa (sem trocadalhos do carilhofazfavor). Em seguida, NYC ganha até os mais convictos de si com a frase de abertura: “I had seven faces/ Thought I knew which one to wear”, com umas das melodias mais belas e tristes do disco. PDA e Say Hello To Angels dão um pouco de velocidade a função toda, com instrumentais que poderiam ser considerados simples, não fosse o baixo no contratempo. Provavelmente ao chegar na décima faixa, você já esteja se sentindo um tanto claustrofóbico, tamanha a densidade apresentada até aqui. Então, The New entra em cena como um resumo do disco: instrumental tranquilo e melodia de vocal suave e cativante, mas que desmancha, quando um riff de guitarra que lembra uma sirene explodindo toma de assalto a calmaria, sustentado por um baixo com timbre grave, grande e gordo, como um bom timbre de baixo deve ser. Leif Eriksson encerra a função toda, e vou citar apenas um trecho da letra: “She swears I’m a slave to the details/But if your life is such a big joke, why should I care?” E aí, depois de 48min e 49 seg de melodias menores, vocais introspectivos e guitarras ásperas, você finalmente saca que Turn On the Bright Lights não é apenas o nome do disco. É, definitivamente, um pedido.
Há poucos dias postei no twitter que tenho um problema GRAVE com bandas que bebem post-punk. Porque, por mais parecidas que elas possam ser, acabo gostando de 4 ou 5 músicas de um disco de 12 faixas, por exemplo. Mas eu me referia ao Screaming Lights que teve album de estréia lançado em janeiro deste ano e também ao White Lies, que tem forte influência do Joy Division. Inclusive, sempre que alguma banda é taxada de post-punk revival pelos reviwers, ela acaba sendo considerada um filhote da Joy, embora tenham músicas um pouco mais up e MUITO mais produzidas do que a banda de Ian Curtis. Ok, eu sei do fascínio que um vocalista suicida pode causar nas pessoas, mas isso não significa esquecer que outro gigante do post-punk segue vivo, chama-se Echo & The Bunnymen e acaba de lançar The Fountain.
Think I Need It Too inicia os trabalhos com guitarrinha slide, baixo grave e marcado, parecendo uma banda nascida nos 2000. E numa horas dessas já não sei mais quem influencia quem. Porque desde que voltaram a trabalhar juntos (Evergreen- 1997) Ian McCulloch e Will Sergeant fazem a banda soar atual. Inclusive, é um tanto bizarro ouvir uma banda dos 80 tentando fazer um som atual,enquanto algumas bandas atuais acabam parecendo um bando de garotos perdidos na tentativa de parecer uma banda dos 80.
A diferença entre elas é que mesmo depois de envelhecer, destruir seus ricos narizinhos e apresentar cocerinhas pelo corpo, dentre outras narco-consequências, algumas bandas da antiga não perdem a capacidade de compor algo que preste.
Naturalmente, Ian McCulloch mostra sinais do tempo, cantando um pouco mais grave e rasgado, e, embora algumas faixas soem um bocado alegres demais, esse senhor segue com o timbre embebido na melancolia característica. Claro que nem tudo são flowers. O disco tem pontos baixos, como a participação de Cris Coldplay Martin Bixinha na faixa título, intercalando com McCulloch seu singelo vocal ranhento.
No geral, The Fountain é um bom disco. Destaque para Think I Need It Too, Shroud Of Turin, Everlasting Nevertless, Proxy e Drivetime, a melhor do álbum.
Mas já aviso que não é um clássico como Ocean Rain. Digo isso porque SEMPRE aparece alguém pra dizer que “nos anos 80 eles eram assim e assado e mimimi”. Até entendo isso, mas os 80 acabaram, má friend. E aposto que tua mãe também te achava melhor nos 80, mas nem por isso te abandonou quando tu ficou com centenas de espinhas na cara, passava dias sem tomar banho e se bolinava seguidamente.
Sabe aquela guampa indesejada? O gol do título raspando o poste aos 44? O bolso vazio pra próxima cangibrina? Ou aquela gatinha que tu não pegou porque era bundão de mais e agora se arrepende till da bones? Enfim, enfrentamos frustrações vez que outra, querendo ou não. Aí, o que nos resta? Ouvir algo que se gosta. Ouvir uma música, um disco e uma banda que se gosta. Aí, você pega e junta todas essas frustrações assim, daquelas que te matam a semana toda e do outro lado da linha descobre que o disco novo daquela banda que você tanto curte está ali na net. Aí, você vai ali, Rapidshare, espera malditos 90 segundos, tic/tac/tic/tac donwload. Aí…
Aí, você encontra mais uma frustração. É exatamente isso que o novo disco do Editors, In This Light and On This Evening é: uma enorme frustração. A impressão que se tem é que aquele não é um disco do Editors, mas de QUALQUER OUTRA coisa. Uma lambança só. Sem velocidade, sem graça, sem nada. Um amontoado de sintetizadores que chega a me lembrar o Bravery quando apareceu. Sim, porque comparar essa mudança na sonoridade da banda com o Joy Division ter se transformado no New Order é uma das MAIORES VIGARICES que eu já li. Prefiro pensar no Bravery (que tu nem lembra mais) e que, aí sim, é uma comparação honesta.
É necessário um esforço de pedreiro pra chegar até a última faixa, seja pra não apertar o STOP PLEASE ou pra não cair no sono. Concordo que uma banda tem que se reiventar de tempos em tempos, e que fazer sempre a mesma coisa é um pé no saco. Mas o Editors, nessa tentativa de oxigenar o som, acabou fechando o duto de ar e matou tudo o que a banda tinha de positivo, sobrando só a voz grave e agora ainda mais arrastada e pastosa de Tom Smith, num disco que não sabe o que quer, tentando ora parecer dancin’ 80, ora parecendo uma releitura bizarra do Sisters of Mercy. E se a intenção é fazer música triste, lamuriosa, down, deprê, ou algo que o valha, o Editors acerta como nunca: a frustração é o princípio de toda a tristeza possível.
Sei que deveria esperar até 08 de Junho, quando o novo trabalho do Placebo será oficialmente lançado. Mas não pude evitar quando ouvi For What Its Worth, primeiro single de Battle For The Sun. Porque quem ouviu Meds com fome de Placebo, certamente percebeu que o direcionamento havia mudado. Ainda que a banda, gradativamente, tenha buscado variações do que podia fazer, Meds não teve bom resultado. O baixo de Stefan Olsdal aparece com um timbre mais grave, além de estar ainda mais alto do que nas mixagens de Sleeping With Ghosts, por exemplo. Em contraste, Molko canta mais agudo do que antes, chegando a ser irritante em vários momentos. Os efeitos eletrônicos, até então usados para fortalecer algumas passagens, ficaram mais salientes e o velho e bom ménage à trois – guitarrabaixobateria-, tão bem usado na abertura de Sleeping With Ghosts, com Bulletproof Cupid, se mistura aos efeitos e nada se destaca. Resultado: o instrumental é insosso. E mesmo que a angústia e raiva de antes estivessem presentes, o Placebo parecia precisar de ar.
Com a saída de Steve Hewitt, que construiu fortes e competentes linhas de bateria, contribuindo no salto de qualidade entre o primeiro trabalho, Placebo, e Without You I’m Nothing, a expectativa de um novo disco com o mesmo “cansaço” de Meds era grande. Mas o novo baterista, Steve Forrest, consegue manter a pegada de Hewitt e For What It`s Worth prova que o Placebo pulsa firme. O baixo de Olsdal, carregado de distorção e reto, como em Allergic, rasga a introdução com virada no contratempo. Acompanhado pela guitarra de Molko ao fundo, seguindo a mesma linha, mas atolada num delay/flanger, dando a sensação de movimento necessária. Em seguida, Molko canta “The end of the century/ I said my goodbyes/ For what it’s worth” com voz mais grave do que em Meds (obrigado!) e, depois de apenas uma estrofe, uma parada breve e, em 40 segundos, chegamos no refrão. Carregado pelas guitarras que ouvimos em Without You I’m Nothing, e que tanto fizeram falta, Molko canta acompanhado de backing vocals um pouco mais agudos do que seu tom, impedindo que ele acabasse se esganiçando feito uma marreca atropelada e sem uma pata. No último refrão é possível ouvir uma menina gritando ao fundo. Preste atenção nela, por favor. E ao fim de 2 minutos e 47 segundos, o Placebo empolga muito mais do que em seu último trabalho. E, ao que parece, vai acertar em cheio em Battle For The Sun.
Ouvir um disco recente de uma banda que já tem alguns anos de estrada é como assitir uma corrida de cavalos: você sabe que vão estar na pista uns 8 ou 10 cavalinhos e que um deles vai ser o melhor e vai vencer.
Mas com o tempo algumas bandas reconstróem sua sonoridade, apesar de, na maioria das vezes, ter a vontade mas não a habilidade necessária. Outras mudam a sonoridade disco a disco, ficando mais assim ou mais assado, mas seguem com suas características principais.
Este o caso de Sounds of Universe, novo trabalho do Depeche Mode. Estão lá a densidade e a atmosfera soturna, as ótima letras, os sintetizadores saindo pelos olhos e o timbre inconfundível e cada vez melhor de David Gahan.
Um pouco mais grave do que em Playing the Angel, Gahan é, em alguns casos, o brilho de algumas músicas, deixando o que poderia ser um pedaço de ferrugem em algo polido.
Mas como os fãs vão gostar deste disco assim como gostaram dos outros e os não fãs nem devem estar lendo este review, vou poupar tempo e escrever só sobre os pontos altos. Afinal, criticar os vícios de uma banda com 29 anos é o mesmo que explicar para um cavalo porque ele tem que correr um páreo.
Ouça In chains, que apesar de perder muito quando sai do refrão e desagua numa trecho-completamente-quebra-clima, tem estrofes fortes. Wrong tem ótima letra e é o single, né? Você já deve ter ouvido – eu espero – e se não gostou dela, um abraço. Fragile Tension é, talvez, a música para as massas. Synth-pop, pura e simplesmente. O que muita banda de agora tenta fazer, mas não consegue. E In Simpathy e Peace valem a pena pelo timbrão eletrônica 80, pra não esquecer de onde eles vieram.
Exitem boas intenções em Wolfgang Amadeus Phoenix, a começar por “Lisztomania” e “1901”, que abrem o disco. Com bases carregadas em pianos e sintetizadores, acompanhadas por guitarras minimalistas e bateria com timbre anos 80, tem boas melodias de vocal. Apesar da voz limitada de Thomas Mars lembrar, em alguns momentos, Alec Ounsworth, vocalista do Clap Your Hands Say Yeah. Principalmente quando canta “Oh, It’s 20 seconds til the last call/ Going hey hey hey hey hey” em “1901”. E acho que não preciso dizer se isso é bom ou ruim.
Em seguida, “Fences” mantém ali a obrigação de ser a terceira faixa do disco, mas não faria muita diferença se não estivesse lá.
Porém “Love Like a Sunset” é uma viagem instrumental de quase oito minutos, com vocal aparecendo só pelos seis. Lembra AIR em alguns momentos – e isso é um elogio. Mas está deslocada. Quebra por completo a sequência do disco, e parece dividí-lo em duas partes, apesar das faixas seguintes retomarem a pegada das iniciais.
No geral, Wolfgang Amadeus Phoenix tem bom instrumental, com trechos interessantes, apesar de não acrescentar muito ao revival oitentista que estamos atravessando (ainda).
Caso tenha sorte, talvez você comece ouvindo Fall Dow, da cantora dinamarquesa CallmeKat, por Flower in The Night. Com uma pegada que beira o dançante, o som tem ótimas passagens e diferentes climas, incluindo uma levada de guitarra limpa acompanhada com uma tecladeira a lá Top Gear (quem nunca jogou?). A melodia de vocal é boa, e segue acompanhada pelo chiado característico dos bolachões. É provavel que você acabe lembrando de Kat dizendo “i neeed fresh airrr…” durante algum momento da sua vindoura vida.
De resto, temos ali um lance experimentalista, com efeitos de teclados e computadores, incluindo alguns barulhinhos orgânicos “criados” pela cantora (algo que parece um serrote ou um reco-reco na pedra). Kat tem uma bom timbre e canta melodias igualmente boas, mas nem sempre é o suficiente para manter a audição interessante. Algumas vezes é preciso aturar uma introdução chata pra se chegar até uma passagem ótima, o que é uma pena. Como em By The Lake, por exemplo. Ou em Not Awake, que tem bom refrão, mas que perde muito quando retorna para estrofes que usam a introdução como base.
Fall Dow é um disco para poucos ouvidos. Se bem que com as releituras de Toxic da Britney Spears e Lovecats do The Cure, talvez um público um pouco maior queira conhecer o resultado. Aliás, gravar dois covers no mesmo disco é meio pesado, nénão? Seria por falta de material interessante? Independente disso, quem chegar a Fall Down pra conhecer estas versões até vai ouvi-las. Mas vai acabar desistindo na primeira intro chata que tiver de enfrentar.










