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[8 fev 2013 | por Leandro Vignoli | Um Comentário | 291 views]

Não tomo muito refrigerante e não vejo muita diferença entre Coca-Cola normal, Light, Zero ou até mesmo FRUKI-COLA. E por mais afetação que ache nessa galera que considere isso uma heresia, até compreendo a ofensa. Um negócio com uma tradição de décadas e uma FÓRMULA SECRETA deve ser realmente diferente dos outros, imagino. E é aí que chegamos nos 21 anos, 2 meses e alguns punhados de dias desde que o My Bloody Valentine havia lançado Loveless, seu até então último álbum de estúdio. Bastou menos de dez segundos de “She Found Now”, a faixa que abre o novo disco, pra sacar que embora nessas duas décadas em que ouvi umas 250 bandas imitarem o MBV (achando muito válido, diga-se), o timbre de Kevin Shields é único e INACREDITÁVEL. A despeito de divulgarem que todo o processo é feito analógico, numa improvável combinação de multitrack tradicional e fitas de meia polegada (algo muito técnico pra quem nunca trabalhou em estúdio ou rádio), não seria a WIKIPEDIA a fonte do real mistério. E quantos tipos de combinações de cordas, guitarras, pedais, tremolos e outras variáveis não foram tentadas sem sucesso para chegar na trademark pessoal do cara? Só que, ao contrário dos primeiros donos da Coca-Cola, ele jamais vendeu a fórmula por 5 dólares.

O lançamento de m v b é o maior comeback da história da música. Vinte anos é bastante tempo pra suceder um álbum que frequenta qualquer lista importante que você possa procurar — ‘melhores dos anos 90′, ‘melhores britânicos pós-1990′, os ’500 da Rolling Stone’, os ’1001 Pra Ouvir Antes de Morrer’ –, a banda fez um legítimo ‘foi comprar cigarro e nunca mais voltou’. Somado a essa óbvia conotação cult da coisa, temos a formação original, a persona sempre pirada de Shields e, principalmente, o burburinho causado por uma Geração Y sobre algo que NUNCA VIU, é quase como se o MBV tivesse caído de paraquedas no meio dum lançamento mundial do iPhone 6. Não me vem a cabeça uma outra volta tão cheia de significados, alguém que tenha saído duma época de renascimento do rock direto pra uma que o rock morreu . E diferente de 1991, quando seu aclamado disco soterrou com a ascensão dos cabeludinhos de Seattle, me parece que isso é impossível acontecer agora — TECNICAMENTE, desde abril de 1994.

Goste você ou não do que esses caras fazem, muitos tiveram a chance de melhorar e o resultado não foi satisfatório. Sobremaneira o que realmente chama atenção são os timbres, os mesmos de outrora. Em termos de evolução estética, há nada que se possa apontar nesse novo estilo My Bloody Valentine de ser. Os mesmos vocais estão todos lá soterrados na parede de guitarras triplicadas (ou mais), as mesmas baladas distorcidas estão presentes. O real mérito parece ser o fato de nada soar aleatório pra Kevin Shields, é música entalhada como se disso dependesse a sua vida, perfeccionista, nada fora do lugar ou “nas coxas”. Todavia, ao contrário de todo o seu senso de loucura imaginado, “New You” é a canção mais pop já registrada pela banda — mas não uma surpresa, a quem ouviu a inédita “City Girl”, na trilha de Encontros e Desencontros. A parte final do álbum, essa sim, mais veloz e carregada de barulho, é onde tem um pingo de we are the future, especialmente na derradeira “Wonder 2“, um amontoado de camadas de sons, bateria quebrada, como todas as guitarras do mundo em cima dos beats do Aphex Twin — epílogo como o de “Soon”, em Loveless, discreto, mas definidor de toda a vanguarda do shoegazer eletrônico.

E não sei vocês, mas alguém que circula por aí fazendo algo como mais ninguém, pra mim está perto do genial. Provável daqui anos, após outra centena de audições, ainda não seja um clássico cult como o anterior, ou chegue perto da obra-prima do ainda melhor Isn’t Anything (em 2013 completa 25 anos de lançamento), mas seguramente estará na parte vip da estante. Imagino que, voltando ao assunto dos refrigerantes que não vejo diferença, m b v seja a Pepsi da discografia. Acho que pode ser.

[4 fev 2013 | por Leandro Vignoli | Nenhum Comentário | 166 views]

Woody Allen, que um dia já foi um bom diretor,  disse em Crimes e Pecados (a versão boa de Match Point): “nós somos a soma das nossas decisões”. Ou como nossas vidas poderiam ter seguido rumos completamente diferentes se tivéssemos optado pela segunda alternativa. Ou ainda como você poderia ter conhecido o ~homem da sua vida na churrascaria se não tivesse virado vegana.

Escolhas formam a vida de uma pessoa, e isso é inegável. Carlos Bertolazzi, chefe de cozinha renomadíssimo esta aí pra provar. Esse vídeo mostra as decisões que ele tomou e que fizeram toda a diferença em sua vida, inclusive para chegar ao sucesso:

O vídeo faz parte da campanha do novo Renault Fluence, que faz toda a diferença, e ainda traz mais conforto, segurança e ~equipamentos de qualidade para o proprietário.

Conheça mais do Renault Fluence e acompanhe a Renault no Facebook, Twitter e Youtube.

[14 dez 2012 | por Leandro Vignoli | Um Comentário | 318 views]

Aquela cena inicial de 28 Days Later, o apocalíptico filme de zumbi de Danny Boyle, não poderia representar mais o que se trata a música do Godspeed You! Black Emperor. É sentido de incompreensão e urgência, ao mesmo tempo. Como toda peça instrumental, nenhuma música pontua exatamente alguma coisa: ela significa milhares. As interpretações são modificadas conforme o humor alterado, o local da audição, o tipo de pessoa a ouvir, a maneira com que se ouve e inclusive a situação do mundo, em si. Mas é só disso que se trata música em geral, você poderia pensar, que todo artista deseja diferentes modos de reação. Ledo engano. A grande maioria das músicas, pelo contrário, estimula uma exata sensação conforme o artista pensava que você teria. Não há muito para onde correr ao ouvir hardcore a não ser a adrenalina subir e ter vontade de esmurrar algo, escutar Bon Iver e ficar feliz pra caralho, ou “today is gonna be the day, that they’re gonna throw it back to you” e pensar algo diferente do que o fulano de fato já disse. Não é exclusividade da música instrumental, ou deles, embora sejam os maiores exemplos dessa imersão.

E se nesses exatos dez anos de intervalo entre seu último álbum e esse não há uma gritante diferença estética, tudo ao redor mudou bastante nessa década — e pelo exato motivo que expliquei antes, isso faz uma brutal diferença. Poucas bandas produzem uma diferença no externo como esses canadenses. Do mesmo jeito que Boyle não pôde pensar numa desolada e deserta Londres sem uma trilha da banda, não imagino som mais adequado pra uma viagem de ônibus/trem lotado. O sentido de urgência em não perder o seu ponto de descida, a incompreensão do caos mas fazer parte dele naturalmente. O exato sentimento de ser passivo e ativo na ação, tudo ao mesmo tempo. A mim, figurativamente e não (porque realmente dá uma ótima sensação de afugentamento da escrotidão em volta), é disso que se trata a banda e esse disco. Ouvir o disco, logicamente, em situação de extrema tranquilidade, sentado num sofá, apenas passivo, faz o cara de algum modo viajar completamente na audição da coisa, como se ela fosse apenas um background dum ativo — mental, nesse caso. E por óbvia nota, é apenas impressão minha, pois é 100% provável que artistas freak habitantes de MONTREAL, como eles, nunca passaram por situações de caos e vaticínio.
Entreatos, pessoalmente não gosto da maioria das bandas de pós-rock pelo senso uniforme das canções, sempre um loud-quiet-loud-quiet intermitente, sem grandes expectativas ou margem pra fuga. O GY!BE, nessa linhagem e maiores expoentes, ainda que use a co-relação som alto e barulhento / som calminho, parece costurar a coisa com imprevisibilidade — ao ponto de a parte calminha na verdade nunca chegar, ou vice-versa, como em “Strung Like Lights at Thee Printemps Erabel”, desse álbum. Quase como ser colocado num paredão de fuzilamento esperando pelo derradeiro tiro, e ao se virar pra trás, horas depois, perceber que na verdade o atirador foi embora e tu pode ir pra casa comer um churros.

Disco: Allelujah! Don’t Bend! Ascend!

Artista: Godspeed You! Black Emperor

Lançado em: 1 de outubro de 2012

Selo: Constellation

Produtor: a banda

Quando não ouvir: Quando fizer um churrasco antes de ir pro Gre-Nal

Quando ouvir: Quando quiser tirar 45m pra pensar na vida, ou como mencionei, num busão lotado.

Pra quem gosta de: Explosions in the Sky, Mogwai, A Silver Mt. Zion, “Echoes” do Pink Floyd

[10 dez 2012 | por Leandro Vignoli | Um Comentário | 371 views]

É isso aí mesmo que vocês leram. Vencemos a amigável disputa com outros dez blogs do país para fazer o melhor remix da música nova do N.A.S.A, com participação do Derrick Green, e feita toda dentro de um Honda que virou controller. O trampo foi feito pelo nosso colaborador Flávio Lerner.

O resultado você encontra na página oficial do projeto.

Dito isso, só nos resta agradecer a vocês por terem feito essa preza de votar no mycool. E de ter participado duma baita ideia, que gerou uma baita música, dum baita artista como o N.A.S.A. Temos um vinil exclusivo do resultado (no modelo cor-de-rosa, altos daora), e como pequena e honesta retribuição, em breve repassaremos em sorteio (nas redes sociais) a todo mundo que votou. Valeu!

[26 set 2012 | por Leandro Vignoli | 2 Comentários | 392 views]
Faz certo tempo que saiu o disco e que ouço ele de forma contínua, e mais do que realmente resenhar daquele modo cartesiano, minha ideia aqui é verdadeiramente te dar uma sugestão: não deixe de escutar. Caso tu curta soul music e R&B, o que Frank Ocean pariu em sua estreia oficial é daqueles álbuns que daqui certos anos vai estar empilhado em lista de “melhores da década”. Não precisa ser muito esperto pra sacar o quanto de impacto e catchy é “Thinkin About You” desde a primeira ouvida (notas wikipedianas informam que Beyoncè chorou na primeira vez que ouviu e, não obstante, deve ter acontecido com muito mais gente), dado seu refrão cantado num falsetinho adocicado em caramelo, um proposital contra-veneno à granada sentimental ao perguntar Or do you not think so far ahead?” e, não menos doído, afirmar antes da resposta, ”‘Cause I been thinkin’ ’bout forever”. Não sei exatamente quantas pessoas disparam por aí esse tipo de frase umas as outras mas, sem dúvida, o que teve a ideia de pôr numa música não tem medo algum da exposição — e o nenhum medo AT ALL é um dos tópicos que fazem do álbum sensacional.

Channel Orange paga tributo a grande tradição do soul, que embora com toda grandiloquencia de arranjos (ao qual, vale ressaltar, esse disco impressionante ganha nota 10), pouco funcionava ontem e hoje e amanhã sem um vocal foda e, vamos ao um novo elogio sem rodeios, Frank Ocean tem um. Cada garganta colocada pra fora no álbum soa entalhada, e na montanha-russa de falsetos de açúcar, sussurros de coito, algumas poucas falas reminiscentes do rap, ou o seu timbre “normal”, a única certeza é a de que ele nasceu pra coisa (ao ponto de, se este álbum ter algum defeito gritante, não é o vocal). Inclusive, é bem comum o longo do play a sua voz dobrada (e aqui a óbvia influência de Marvin Gaye), como se a conversa fosse com ele mesmo ou um fluxo de consciência externo, algo muito bem observado em alguma crítica que li por aí. A parede orgânica das melodias é um assombro, também na maior tradição musicista negra, mais evidente no final de “Sweet Life” (outra das faixas eleitas como single), um suite tipicamente stevewonderiano, embolando baixo, bateria e pianos num ritmo que tu poderia chacoalhar pra sempre.

Entre muitas coisas pescadas, chama atenção de como Frank Ocean não aparenta se DIVERTIR em momento algum, não como se tivesse saído tudo naturalmente e ele é o nome gênio da soul-music, mas factualmente trabalhado muito, como uma missão da qual dependesse a vida. “Pyramids” é inacreditável, um espiral PROGRESSIVO (sim, como o rock),  onde o orgânico dá espaço a um rap sintético e chapado, onde são alternados slow-tempo e mid-tempo, e milhares de loops (algum tipo de fetiche despejado apenas para freaks com fones de ouvido, mas, ainda assim, sensacional). E, bem, a música tem nove minutos (e nem lembro a última música que ouvi com esse tempo que não desejasse que ela terminasse logo). Lá no final do disco, com o derradeiro interlude, quando se ouve o som de alguém fechando a porta, tirando a roupa e se deitando, tu nem acredita que não pulou faixa alguma.

[18 set 2012 | por Leandro Vignoli | Um Comentário | 316 views]

Em algum ponto o The Walkmen é uma ótima banda — e ponto. Não muito falada, resenhada, hypada, sem grande quantidade de fãs, a palavra consistência é um termo bem preciso pra definir os caras. Ainda que já tenhamos colocado um seus álbuns entre os melhores da última década, e constantemente tentando te lembrar que ela existe. E, diferente da baixa mídia recebida, o The Walkmen é das poucas bandas que melhora a cada disco — ou no mínimo, ambiciona, porque isso depende do GOSTO. E Heaven não é diferente, ele passeia num ambiente novo e hostil, mas sem nunca perder sua referência, como o episódio de Caverna do Dragão em que eles visualizam o parque mas não saem do mundo estranho.

Se o jeito de cantar do vocalista do Walkmen provoca alguma rejeição pelo maneirismo, o jeito melodramático, e putaquepariu, comparações ao CHRIS FUCKIN MARTIN, Heaven é um baita contra-veneno, e deixa tudo isso de lado pra aproveitar apenas o timbre, de uma voz foderosa. Cada vocal parece fazer exatamente o que a canção pede, quase um psicografismo, nunca tentando ser o maior mérito. O que significa também dizer que esse é um disco com o humor bem baixo (não exatamente depressivo), muito calcado em guitarras emulando o folk — não por menos a banda exigiu trampar com o mesmo produtor do Fleet Foxes, em que um dos carinhas, inclusive, participa do disco — e com raras distorções afuzel, embora esmagadoras, como na dobradinha da faixa título e a do vídeo produzido pelo URBAN OUTFITTERS.

Esse álbum é, no seu gueto bem particular, um Blood on the Tracks do indie-rock, um Nebraska só que não-acústico, ou numa comparação bastante mais justa, o que o Black Rebel Motorcycle Club fez em Howl. E caso na real tu ache isso um grande exagero (música, amigos, é sempre exagero), apenas fique com a ideia de que Heaven é bom pra caralho mesmo. Na chuva, no pôr-do-sol da praia, no céu.

[10 set 2012 | por Leandro Vignoli | 2 Comentários | 325 views]

Sempre soube que Cosmopolis era o livro ERRADO do DeLillo pra filmarem. Ao mesmo tempo não me admiro, sendo David Cronenberg o cara que escolheu fazer a adaptação, sujeito dado a temática FUTURO DA HUMANIDADE e em como seres-humanos se viram em situações-limite — de um modo ou outro, é quase sempre disso que seus filmes tratam. Porque Cosmopolis é filosofia pesada, ONANISMOS sobre a era da informação e capitalismo, e diálogos sem qualquer ação (o que já deve se esperar duma história passada 90% dentro de uma LIMUSINE). Não é algo muito imagético, digamos que seja quase como filmar apenas TEORIA e FLUXOS DE CONSCIÊNCIA sem apelar pra surrealismo ou drogas.

Não estou muito ligado na capacidade de atuação de Vampiro Pattinson, mas ele está pro filme como Keanu Reeves para MATRIX. Um cara sem expressão e metódico, o exato que o livro pedia. Sem entrar em MEANDROS sobre roteiro, Cosmopolis conseguiu extrair a fórceps a execução dos temas (o funeral, o blablabla do Vampiro com a esposa, os protestos), embora peque FORTEMENTE na ideia principal da coisa. O PRECIPÍCIO econômico fica meio reduzida a “loucura” do multibilionário (um lance meio Psicopata Americano numa badtrip de LSD), ou a jornada do carinha em busca dum corte de cabelo — algo que as centenas de fãs de Crepúsculo vão acabar deduzindo.

Entre mortos e feridos, o filme é bola dentro, daquele tipo que tu gosta e NEM SABE PORQUE (ou o mais provável para maioria, odeie). Durante a minha sessão, foram cinco os que desistiram na metade, e cerca de UMA DÚZIA os adolescentes que não pararam de conversar após 10 minutos de filme sem entender porra nenhuma e ouvir o Vampiro dialogando mais do que em TODA A SAGA. Do que esperamos, é que tenham descoberto Don DeLillo e filmem algum outro dos seus 3 ou 4 livros melhores que Cosmopolis.

 

[19 jul 2012 | por Leandro Vignoli | Nenhum Comentário | 638 views]

Não jogo e não entendo bulhufas de videogame e, nesse ponto, minha visão sobre Indie Game: The Movie (vencedor do ultimo Sundance na categoria melhor edição em documentários) é muito mais comportamental. Aos que jogam, o bônus são os meandros por trás de Braid, Super Meat Boy e Fez – esse último, até onde saquei, uma espécie de CHINESE DEMOCRACY dos games. Como foram feitos, story-telling’s, a mente por trás, tudo está ali. A maneira como são encaixados os games na filmagem, em si, também são espetaculares (acho).

Pra mim, o filme é quase um estudo realmente foda sobre o lifestyle loser. Aqueles caras ali, os criadores dos games, são nerds no sentido extremo e real do termo, não um adjetivo que se popularizou em rede social — hoje qualquer imbecil de óculos é chamado de nerd, quando nas antigas denotava pessoas muito inteligentes pra caralho mesmo. Conheço, curiosamente, duas pessoas desenvolvedoras de games, e elas não são realmente anti-sociais, pelo contrário, são muito buena onda. O que significa dizer que o loserismo é aplicável aqueles caras específcos, não a toda classe nerd-gamer. E são expostos três tipos de loser, bem marcados. Um é o paranoico indie, do criador de Fez, uma espécie de COVER DO PC SIQUEIRA cheio de preocupações medíocres a respeito do seu papel no mundo, que tenta convencer que não dá a mínima pra opinião dos outros, mas tá na cara que evidentemente dá. O cara vai da arrogância ao mimimi em 30 segundos, um loser bastante típico. (ps: após seis anos em desenvolvimento, Fez foi lançado em abril desse ano, data posterior ao filme. Não tenho ideia se é um sucesso).

Outro tipo de loser é o obssessivo, um cara mais velho, sem expressão, daquele estilo de que a qualquer momento vai entrar num colégio e metralhar todas criancinhas. Pra se ter ideia, esse sujeito criador de Braid (um dos jogos mais populares de 2009), Jonathan Blow, se dava ao trabalho de entrar em tudo que é forum/resenha/blog/twitter para responder menções ao seu game, algo surreal, parecia quase um bot automático, e virou até uma piada entre jogadores (aliás, se você estiver lendo isso Jonathan, relaxa, porque nunca nem joguei o teu game, descobri a existência dele através do filme).  O terceiro tipo, um dos criadores de Super Meat Boy, é o loser fofinho, que dá vontade de dar um abraço. O cara tem vida, namorada, ATÉ SE DIVERTE, faz um dos jogos que se provaram mais populares do mercado indie (ou seja, enriqueceu) e, ainda assim, diz coisas como “sinto que falhei em algum aspecto”. Porque loser, no fim e ao cabo não se trata de efetivamente ser ou não bem sucedido, mas se sentir como um fracasso. Minha percepção talvez seja um aspecto exagerado ao real objetivo do filme (já que não sou um gamer), mas o aspecto comportamental desses sujeitos provoca reais sensações – de repulsa, medo ou afinidade, respectivamente. São sujeitos sozinhos, que optaram por viver longe da indústria gigantesca de games, tentando pôr em prática a sua visão atípica de mundo em forma de sei lá quantos bits.

E conseguem, pelo que entendi.

[13 jul 2012 | por Leandro Vignoli | Nenhum Comentário | 408 views]

Barulho. Noise. Surdez. Ruído. Distorção. Feedback. Microfonia. Shoegazer.

Ninguém que conhecesse A Place to Bury Strangers poderia esperar menos. Mas, ainda assim, com todo falatório ao redor da “loudest band of New York”, isso deixou alguém de fato preparado PRAQUILO. Os primeiros 15 segundos de show já foram como se o ouvido de cada um fosse amarrado no cano de descarga dum Opala. A banda não economiza na altura, bota pra funcionar todos os pedais, com os vocais meio que fazendo uma participação especial na coisa toda — não dá pra ouvir porra nenhuma, ou vagamente um murmuro jesusandmarychainico.

E o mais incrível, a CROSTA DE RUÍDOS que parecem sair de 85 guitarras plugadas em amplis de baixo, na verdade é apenas uma.  Muito efeito vindo da sola dos pés, sim, mas os caras reproduzem a perfeição suas músicas apenas o par básico de baixo e guitarra. Aliás, uma única, o vocalista/guitarrista Oliver Ackermann — nas horas vagas, DUBLÊ DE NICOLAS CAGE  – usou no show inteiro o mesmo instrumento, todo fudido pelas marcas do tempo. Exceção feita apenas a faixa derradeira, uns 15 minutos dum POUT-POURRI masterpiece de “I lived my life in the shadow of your heart” com “Ocean”, onde não mais satisfeito com o barulho, NICOLAS CAGE adicionou dose extra de pânico, virando os amplificadores de cara pra gurizada,  como se o ouvido amarrado no cano de descarga dum Opala desse uma volta no quarteirão.

Outra coisa bem simples mas fodona era a iluminação, uns PROJETORES DE SLIDES coordenados pela própria banda, que dava um efeito LSDístico se o cara ficasse olhando pras paredes do lado e do TETO. Um objetivo deles que parece bem claro é o way-of-life onde qualquer um vendo o show pudesse ser um deles (caras normais com instrumentos), ao ponto do guitarrista subir nos amplis e ESTIMULAR geral a FUÇAR nas cordas pra criar mais barulho (fiz minha parte sovando o tremolo pra cima e pra baixo) . A ponto de terminado o INMETRO do controle de decibéis do Beco realizado pela banda, o cara — além de dublê de ator —  voltar a sua outra atividade nas horas vagas, a de CAMELÔ SHOEGAZER, vendendo ele mesmo vinis, cds e camisetas pro pessoal. A vida não tá fácil, nem mesmo prum cara reconhecido por customizar pedais de distorção pra gente do calibre daquele GUITARRISTA CARECA DO U2.

wassup, nicolas!

Das coisas que acho que acho após o show:

1. Mandarei um vídeo da banda pra todos que usarem o termo “noise” pra descrever qualquer barulhinho.

2. De New York, eu não sei. Mas é 100% o troço mais loudest que já veio à POA.

3. A moda do vinil pegou mesmo, a banda vendeu TODOS que trouxe. Não comprei e estou ~chatiadão~.

4. Show às 2:30 é tão tarde que além de ator cover e camelô, o cara já era quase um STRIPPER.

5. As fotos desse texto NÃO SÃO do show em Porto Alegre. Quando pintarem, dou o update. DESCULPE.

 

[29 jun 2012 | por Leandro Vignoli | Nenhum Comentário | 434 views]

Começou a divulgação de atrações dos festivais de final de ano, e qual não a surpresa, no Planeta Terra o Kings of Leon vem ao país pela terceira vez. No  começo do ano que vem o Coldplay parece que vem pela quarta. No Lollapalooza 2013, o Franz Ferdinand vem pela SEXTA. Dá a impressão que toda essa gente mora escondida na PRAIA DA PIPA só pra produtor anunciar como “atração internacional”. Mas tem uma pá de bandas (quase veteranas) que nunca vieram. E tá mais do que na hora, amiguinhos.

(ps: na real coloquei as MINHAS BANDAS. lembrem de outras aí, se estiverem dispostos)

Death Cab For Cutie

Esses aí já eram cult dos indies por conta de The O.C, depois figuraram number 1 da Billboard e encaixaram música em Crepúsculo. Tá mais que na hora de unir toda essa salada de fãs emo-indie.

Manic Street Preachers

Dez discos e uma predileção pelo socialismo e 3˚ mundo. Se nunca veio é poque ninguém convidou.

Stone Roses

Ok, os manolo ficaram inativos por 15 anos e parece que não voltaram tão a fim. Mas qui tem caipirinha, sol, tetas, o Mani já colou aí uma penca de vezes, podia dar essa agilizada com os outros trootas.

Elbow

Cinco discos insuperavelmente melhores que Coldplay, podiam vir pra abrir pro próprio Coldplay (foda-se).

My Morning Jacket

Pros véio assim como eu que curte um rock-rural. Nem que seja à tarde num desses SWU da vida.

Guided By Voices

Ok, comecei a exagerar. Mas na real, parece que o Coquetel Molotov já tentou trazer, o Bob Pollard que não curte uma viagem mais longa de avião. Alguém, por favor, pague um cruzeiro ali pro professor.

Built To Spill

Beleza, exegerei. Mas azar, podiam trazer mesmo que não enchesse nem o salão de festas do meu prédio.

 

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