Não sei vocês, mas eu não tenho inspiração para me vestir no verão. Dentre aquele mar de pernas de fora e muitos decotes, meu sonho secreto seria vir trabalhar de biquíni. Imagina, que luxo! Seria só jogar um caftã por cima e pedir uma marguerita para o garçom. Como o mundo não é perfeito, chego ao penúltimo dia da temporada me questionando: quem realmente inspira e influencia a nossa maneira de vestir?
Claro que o objetivo aqui é ver que tipos de babado encontraremos nas próximas duas estações. Não podemos esquecer, entretanto, que ainda faltam alguns meses para a temperatura cair. E foi nos corredores da Bienal em que encontrei minhas inspirações para um verão menos suado sem cair nas armadilhas de uma alma piriguetchy!
Nome: Brian, estudante de moda
O que te inspirou a montar o look? Pop art, acionistas de Viena, designers perfomáticos.
Nome: Carla Aquino, artista plástica.
O que te inspirou a montar o look? Trance mundial, união dos povos pela paz, energia positiva, nascer e pôr do sol.
O pessoal menos frito circulou mahomeno assim:
A pessoa chega a Bienal e dá de cara com homens mascarados e mulheres com cílios postiços de borboleta e colant branco. Lindos. E encontra também um segurança sorridente. Sem entender, adentra o recinto.
Logo na primeira parede, há espelhos côncavos (ou convexos, faltei a esta aula de física), que criam uma quase ilusão de obesidade recém adquirida. Você fica confusa. E então, finalmente, compreende o que está acontecendo. Pega balinhas – uma de cada tipo; joga um jogo de roleta – sem saber exatamente como ganhar. Senta no sofá branco e, de lá, aprecia a seleção de sapatos.
A nova coleção, chamada Melissa Et Circenses, apresenta uma combinação da tradicional sandália de plástico com glitter, material acamurçado, cristais, contrastes fortes de cores e texturas, traduzindo o tema circo de uma forma sutil e elegante em sapatilhas, ankle boots e sapatos com salto não muito alto, lindos para o inverno que se aproxima.
Todas se perdem entre sonhos e toques, no meio daquele cheirinho gostoso de chiclete, até que, de repente, você esquece onde está. Esquece todos os sapatos que viu, esquece que não ganhou o prêmio, esquece a lista mental que fez para compras na Galeria Melissa no mês que vem. Esquece da vida, da idade, do trabalho. E só pensa em uma coisa: numa criança. Num neném. Em ter filhos! E se pergunta: por que não pensaram em fazer uma coleção de Minimelissas antes? Ou mais tarde, para ter uma penca de filhas e poder comprar todas!
Não houve uma pessoa que não contemplou a maternidade depois de deparar com os sapatinho. Portanto, fica a dica: se houver um baby-boom nos próximos meses, não digam que eu não avisei!
A todos que pensam que o povo das modas não é amigo das comidas, digo logo: VOCÊ ESTÁ ERRADO. Isso é coisa de adolescente, né, pessoal? A gente que corre, vê, busca, carrega, se arrasta, se amassa e pensa, precisa de combustível.
Trabalhadas na beleza de viver e na busca pela excelência, resolvemos fazer top 3 de espaços do SPFW, baseado em nada mais nada menos que catering – porque levar sanduba de presunto na bolsa ou chegar ao fim da semana de moda com úlcera é coisa do pas-sa-do!
Num parecer geral, a comida e serviço melhoraram. Os garçons continuam não prestando atenção na sua cara de quem vai comer o próprio dedo em questão de segundos, mas pelo menos não te deixam passando vontade. Todo ano também rola uma distribuição intensa de bebidas alcoólicas. Há quem diga que é bom pra relaxar. Já eu passo longe dos bares pois pior que dar bafão em qualquer lugar que não seja buatchy é trabalhar no dia seguinte com ressaca! Não tenho mais 20 anos e não sei comofas.
Chega de balela e vamos ao ranking:
1. Lounge do Glamourama
A seleção é objetiva, com base em fritura e açúcar. Com pouca quantidade, você fica linda, mas seu fígado e sua bunda não agradecem.
2. Lounge da TAM
Pra quem curte bofes, os garçons foram bem selecionados. Tem de todos os tipos: loiro, moreno, cabelo liso, encaracolado… As comidas são boas, relativamente light e o espumante FINALMENTE não é Chandon. Porque, assim, tchurma, Chandon é a bebida mais mágoa que podem oferecer num evento. Parece que tá economizando, sabe?
3. Sala de Imprensa
É o ano mais bem servido que eu já vi. Tem salgadinhos, sanduíches e frutas, tudo fresquinho! E nada de canapé de patê de fígado de urubu, como pudemos presenciar na outra edição. Eu diria se a sala está cheirosa ou não se meu nariz não estivesse gangrenado por causa do ar-condicionado.
Portanto, se você vem a esta edição do SPFW, anotaí: não venha alimentado e liga pra gente!
Falar sobre o inverno em um país tropical pode ser um pouco complicado. Mais do que fazer uma declaração e traduzir um conceito em formas e silhuetas, o uso inteligente dos tecidos, texturas e cores é primordial. A Osklen já é conhecida pelo seu estilo de vida eco-friendly inteligente, e nesta coleção inverno não houve decepção.
Em uma passarela limpa e branca a coleção foi apresentada, usando como base as cores preta e bege. Peças rústicas e tridimensionais, feitas de feltro grosso, foram a maneira de trazer à vida uma mistura entre elementos orgânicos e arquitectônicos. Num mar de formas geométricas, as famosas estampas orgânicas da Osklen apareceram, e as referências do verão anterior traduziram para o inverno uma vibe com cores mais brilhantes-e-vivas-quase-neon, seguindo a tendência já estabelecida de altos contrastes de sombras e texturas. Uma bíblia da reciclagem!
































