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[8 jan 2010 | por Érica Manssour | Nenhum Comentário | 717 views]

Arte não fica muito mais primitiva do que fazer gravuras em peles animais com uma faca bem grande. Eu não faço “pseudointelectual”, eu faço arte.

É assim que Mark Evans apresenta o seu trabalho, que usa como matéria-prima grandes peças de couro (sim, amiguinhos dos animais, couro.) e uma faca. Meses depois de muito trabalho raspando as peles surgem obras como essas:
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Louco, não?
[20 nov 2009 | por Érica Manssour | 2 Comentários | 676 views]

flight

Estados Unidos e Canadá; Brasil e Argentina; Austrália e Nova Zelândia. Talvez fosse ingenuidade minha, mas só fiquei a par da rivalidade entre os últimos dois recentemente, e talvez da melhor forma possível , através do seriado Flight of the Conchords.

Seguindo com as comparações, esses tempos ouvi alguém dizer que não dá pra levar a sério um país que se chama Peru e que a Turquia sofreria a mesma dificuldade ante os países anglófonos (todo mundo sabe que Turkey é peru, né?). Pois bem, os nativos da Nova Zelândia são conhecidos como Kiwis e parece que isso não ajuda muito com a imagem deles perante os Australianos.

O seriado musical explora essa fama de losers dos kiwis, mostrando o dia a dia bizarro da dupla Jemaine Clement e Bret McKenzie tentando seguir carreira musical em New York com a banda Flight of The Conchords.

Em vários momentos o Conchords me lembra o humor inglês meio retardado e absurdo de seriados como The Extras, e isso é um dos pontos positivos da série. O diferencial aqui fica por conta dos momentos em que os personagens simplesmente entram em transe e começam a cantar as músicas mais nonsense e engraçadas, geralmente com batidas melhores do que muita coisa nas paradas de sucesso hoje em dia.

Flight of the Conchords não é exatamente nova, estreou na HBO americana em 2007 e a segunda temporada foi ao ar no início deste ano, tendo, na verdade, meio que derivado da série de mesmo nome transmitida pela rádio BBC em 2004. Segundo minha fonte na Nova Zelândia, apesar da zoação com o país (ou talvez exatamente por isso), a dupla de comediantes também é um sucesso por lá, todo mundo conhece o seriado, vários pôsters pela rua, os cd’s de música bombando, etc.

Até  a última vez que fui atrás ainda não estava certo se ainda vamos ver uma terceira temporada, pois Clement, que também escreve e compõe a maior parte do material da série, teria afirmando que o lance todo dá muito trabalho e tal coisa.

Nunca assisti Glee, o seriado musical do momento, mas mesmo assim vou afimar que se é pra se jogar no gênero então vai de Flight of the Conchords porque vale muito a pena.

[3 nov 2009 | por Érica Manssour | Nenhum Comentário | 1.295 views]

A China* tem uma moda infantil muito peculiar e que reflete um certo descaso existente com relação a algo tão banal e essencial como… ir ao banheiro. Bebês e crianças pequenas são vestidos com calças e macacões sem o fundilho. Independente do clima é sempre possível encontrar uma criatura com a BUNDA de fora. Sentam-se no chão, por exemplo, com AS PARTES completamente descobertas. Esse tipo de vestimenta é mais comum em famílias humildes e tira do orçamento familiar o peso das fraldas descartáveis ou mesmo de pano. Como consequência, as crianças são devidamente posicionadas e fazem o que tem de fazer basicamente em qualquer lugar. Uma vez no supermercado vi uma mulher suspendendo o rebento em cima de uma lata de lixo e em outra ocasião quase tive o pé molhado quando um piá resolveu fazer xixi na fila. A tendência é que situações do tipo diminuam – o povo chinês vive sendo bombardeado com campanhas educativas, como para largarem o hábito de escarrar ou sair na rua de pijamas.

china

Bom, os chineses não se sentam no banheiro, mas se agacham. Até aí tudo bem, dizem até que a posição é mais higiênica; o problema é que os banheiros daqui costumam ser ainda mais sujos e mal cheirosos do que no Brasil e não estou falando apenas de banheiros públicos, embora eles sejam, com larga vantagem, os piores. Assim, quando a vontade apertar no meio da estrada, é bom pensar duas vezes. Nesses casos as instalações costumam ser simples aberturas no piso e o resultado do seu alívio vai parar numa vala. Não, amigos, não tem descarga, fica tudo por ali, ao Deus dará. Caso o desespero com a situação seja grande, é fácil achar conforto, pois não há divisórias e todos (do mesmo sexo ) podem sentir-se humilhados juntos, enquanto as moscas sobrevoam o local. Na minha última experiência o banheiro não era de alvenaria e a única coisa que separava o indivíduo da vala eram tábuas de madeira, devidamente espaçadas. Por sorte as tábuas eram novas e firmes. Escapar de viver aquela cena de Slumdog Millionaire não tem preço.

*texto originalmente publicado no nosso fanzine.

[10 jun 2009 | por Érica Manssour | Nenhum Comentário | 709 views]

shanghai-pride-logo-final-odNo último sábado teve início em Shanghai o primeiro festival do orgulho gay da China continental. O evento foi programado parar durar uma semana, terminando no dia 14 deste mês e promove diversas atividades, como a exibição de filmes com temática homossexual, painéis de discussão, apresentação teatral e até competições esportivas.

Apesar de ser visto como revolucionário, o festival de Shanghai, considerada por um dos organizadores a capital gay do país, não contará com uma parada gay, demonstração tão famosa e festejada em cidades como São Francisco, Londres e São Paulo. Na China a prática de relações sexuais com pessoas do mesmo sexo era considerada crime até 1997 e ainda que o festival esteja sendo encarado com simpatia pelas autoridades, a organização do eventou optou pela cautela.

Hong Kong – que é vista como um oásis de liberdade por esses lados – teve sua primeira celebração do tipo apenas no ano passado.

[11 mai 2009 | por Érica Manssour | Um Comentário | 856 views]

dsc03927Encontrar alguém na rua vestindo a mesma roupa que você é o pesadelo de 11 em cada 10 pessoas, mas em países como China, Coréia do Sul e Cingapura a tendência entre jovens casais é circularem com camisetas iguais.
Com mais de um ano na China já tinha visto diversos casais desfilando com roupas iguais – ou complementares -, mas durante uma viagem no último feriado, os exemplos pareceram ainda mais numerosos, me levando a pensar que se trata não só de um ato apaixonado, mas também uma decisão com o objetivo bastante prático de tornar mais fácil a identificação no meio ddsc04273e uma multidão.
Se o casal não está com camisetas exatamente iguais, procura no mínimo vestir cores o mais próximas possível. Outra varição são os casos em que o namorado leva estampado no peito o rosto da namorada e vice e versa. Menos comum nas ruas, mas bastante presente em vitrines são os conjuntos que uniformizam a família toda.
Seria o fenômeno sinal de muita união e sinergia, pura falta de personalidade ou apenas uma tentativa de se destacar?

[21 abr 2009 | por Érica Manssour | Nenhum Comentário | 944 views]

540739Um tempo atrás eu vi umas pessoas usando óculos sem lente em Hong Kong e essa semana eu vi uma garota com uma armação vazada gigante no rosto, só que na China continental. Não sei se é uma nova tendência, se é que é tendência ou sequer nova, mas acho intrigante. Mal comparando, é tipo alguém colocar aparelho sem precisar, não parece fazer muito sentido.
Procurando por fotos pra ilustrar a história, caí nesse fórum discutindo o assunto em Janeiro de 2007 – ok, então não é novidade nenhuma. A maioria dos usuários achincalha totalmente os adeptos, taxando-os de vítimas da moda e fazendo piadas, sendo que aqueles que precisam de lentes corretivas se demonstraram ofendidos.
Não é de hoje que filmes e seriados enfeiam seus personagens colocando-os óculos e no momento transformação as armações são as primeiras a serem descartadas, permitindo que o patinho feio se transforme num belo cisne. Em contrapartida, aos poucos ganha mais espaço a idéia de que o feio é bonito ou que de há beleza no feio, ajudando a popularizar uma estética diferente daquela tradicionalmente comercializada.
Talvez a maioria dos que escolhem usar um óculos sem lentes o faça sem grandes reflexões, mas é sempre interessante contestar os padrões de beleza com que somos bombardeamos diariamente.

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