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Articles in the álbuns da década Category

[29 Dez 2009 | por Leandro Vignoli | Nenhum Comentário | 1,420 views]

[mycool álbuns da década]

Flaming Lips – Yoshimi Battles The Pink Robots [2002]

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O Flaming Lips chegou a seu décimo disco de carreira, o primeiro na década, com o espírito de uma banda nova. Yoshimi Battles The Pink Robots é, indiscutivelmente, o seu álbum mais bem acabado até hoje (o que não é pouco, para um grupo que teve como meta nos últimos 15 anos fazer álbuns de extremo acabamento). Foi onde a banda mergulhou de cabeça no som eletrônico como cortina pra lindas canções. Yoshimi Battles é um disco calcado basicamente em melodias, de letras assoviáveis e refrões que grudam — é um disco de lindas canções e melodias pop, em resumo. Psicodelia existe mais como ponto de equilíbrio entre a sobriedade, como se no final da tarde você comesse biscoitos andando de balanço, após um dia no LSD. Algo em que o Radiohead fez com Kid A, mas sem a intenção de fazer ninguém cortar os pulsos. Embora o clima de melancolia na história da garotinha Yoshimi, sobre amor, decepção, a sua mortalidade diante dos tais Robôs Cor-de-Rosa, o álbum denota apenas a imagem de sorriso no rosto. Nenhuma música é descartável, todas são genuínas e válidas. E com um arrebate definitivo, encontrado em Do You Realize?, uma das grandes dos anos 00’s, uma canção nostálgica em que o cara apenas reflete: você já se deu conta que a felicidade te faz chorar? / você já se deu conta que um dia todo mundo que você conhece vai morrer? E não é morbidez. É vida pura.

[28 Dez 2009 | por Leandro Vignoli | 2 Comentários | 666 views]

[mycool álbuns da década]

Radiohead – In Rainbows [2007]

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Foi então que a banda desistiu de fazer sucesso com Kid A e isso não deu certo. Ficaram ainda mais cultuados, e assim seguiu durante Amnesiac (belo disco, mas notadamente de sobras do Kid, o seu primo mais inspirado) e Hailt to the Thief (hoje notadamente o disco mais irregular na trajetória do quinteto. O Radiohead fez suicídio comercial, vez após vez, até que simplesmente desistiu disso também. In Rainbows é um lindo disco de canções, onde a apregoada volta das guitarras veio com tudo, o conteúdo eletrônico ficou de canto embora ainda primoroso, as letras voltaram a todo vapor de forma direta e não indireta (o que é i don’t wanna be your friend, i just wanna be your lover?), Thom Yorke cantando absurdamente melhor, e apesar de suposta convenção melódica, nos detalhes em fones de ouvido você percebe ritmos em contratempo, barulhinhos vitais, backing vocais tão absurdos quantos os vocais. Do primeiro toque da bateria sincopada de 15 Steps ao último acorde grave de piano em Videotape, com o jazzismo de Nude e a guitarrice de Bodysnatchers no meio , tudo é perfeito. E se daqui pra frente todo disco deles eu puder pagar o quanto quiser, olharei nas lojas quanto custa um disco do Coldplay e pagarei cem vezes mais o valor.

[22 Dez 2009 | por Barbara Mattivy | Nenhum Comentário | 488 views]

[mycool álbuns da década]

Cansei de Ser Sexy – Cansei de Ser Sexy [2005]

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Por mais que insistam em dizer que CSS é uma cópia insolente de Le Tigre e que de original não tem nada, não dá pra negar que, pelo menos no Brasil, eles foram pioneiros. O que começou numa brincadeira despretensiosa de estúdio tomou proporções extraordinárias, e a banda acabou conquistando a Europa inteirinha em poucos meses, com suas letras superdebochadas e beats pós modernos. E como não? A audácia brasileira cantada em inglês sempre faz sucesso entre os gringos, vide a febre que foi Let’s Make Love And Listen Death From Above. Music Is My Hot Sex virou até soundtrack de propaganda do iPod, AlalaOff The Hook e Alcohol bombaram com unanimidade em todo e qualquer festival de verão, enquanto Superafim, interpretada com genialidade por Lovefoxxx em língua original, ainda hoje faz com que a geração underaged recite a letra do início ao fim, com todo o fôlego dos seus pulmões, nas festeenhas da cidade. Acho um pouco bom mesmo o Brasil ter uma referência indie de qualidade exportativa, porque se fôssemos depender de algo tipo Bonde do Rolê (e daí só piora), estaríamos realmente fucked.

 

 

[21 Dez 2009 | por Leandro Vignoli | Um Comentário | 1,234 views]

[mycool álbuns da década]

At The Drive-In – Relationship of Command [2000]

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Algumas coisas já percebemos nessa de retroagir a década, ou mesmo, fazer essa lista: os anos 00 foram bem pau-mole. Os álbuns fodões se concentram em climas carregados de sofreguidões e desesperos humano-amorosos, e os relevantes têm âncora no rockinho de Strokes e (peloamordedeusmasquebaitamerda) Libertines – sem contar a porcentagem electro, que afetou o cérebro da juventude curiosinha. Faltou culhão, sobrou pose. E de exceções aqui e ali, a despedida do At The Drive-In se mostrou a maior de todas. Agressivo, barulhento, pesado, nada perpassou a capacidade dos latinos de desfigurar o caricato hardcore (e justo por isso os chamaram de “pós-hardcore”) em linhas e timbres de guitarras esquisitas, letras nonsense, vocal falado e quase oratório. Inspirador de sentidos, é impossível ouvir o disco de forma passiva: socar a cara de alguém, se bater de cabeça na parede, gritar no trem, air-guitarrear, tudo pode ser. Arriscaria dizer que álbum algum na década usou o termo “inovador” sem que ninguém simplesmente tenha resolvido copiar a idéia (ele permanece único até hoje). Amorfos na persona de seu próprio outsiderismo, a banda acabou cinco meses depois do lançamento (os dois integrantes principais foram viver numa desconhecida ilha isolada, onde levaram suas coleções de álbuns do Rush, Pink Floyd e Raul Seixas para ocasionalmente enviarem músicas novas feitas sob a alcunha de The Mars Volta).

[18 Dez 2009 | por Leandro Vignoli | Um Comentário | 976 views]

[mycool álbuns da década]

Bon Iver – For Emma, Forever Ago [2007]

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Num lancinante pé-na-bunda, Justin Vernon se tocou pros confins do Wisconsin e de lá pariu um punhado de canções sobre amor: algum que de fato importou. E onde álbuns lançados sob esta ótica são intermináveis e clichês, a maneira que esse cara encontrou pra falar disso tem uma força, uma verdade, uma tristeza ou seja o que for tão pungente, que não duvidaria cair em lágrimas em alguma audição no momento errado (a abrangência das letras pode muito bem transformar o “amor não-correspondido” em, por exemplo, saudade de alguém próximo que morreu, a dor mais terrível das dores). Aliado importante, seu vocal exótico e ímpar, e há quase mais nada além dele e de violões nesse disco. Porém, outra escolha na mosca de Vernon, ele quadruplicou (ou octuplicou) tudo com overdubs, e a sonoridade lo-fi ganha imagem de dúzias de gente cantando e tocando (evitando assim aproximações com o chamado neo-folk). Blindsided concorre fácil a melhor canção da década, e pra mais exagero, diria que se há alguma melhor, ela se encontra nesse mesmo disco: For Emma, Skinny Love, The Wolves? Trilha de imaginação e pensamentos vagos, não foi à toa que músicas popularam em cenas-chave de seriados como House, Chuck, One Tree Hill e Grey’s Anatomy. Embora funcione pra todo mundo, a real é que seja lá quem for essa Emma, ela deve ter tido um puta nó na garganta quando ouviu. Ou sorriu irônica, por destruir a vida desse cara.

[17 Dez 2009 | por Angelo Hector | Nenhum Comentário | 514 views]

[mycool álbuns da década]

My Morning Jacket – Z [2005]

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Caso você não faça idéia pra que serve um produtor musical, e, principalmente, quel é a influência dele sobe uma banda, sugiro que ouça os dois primeiros discos do My Morning Jacket – produzidos pelo vocalista Jim James – e depois mergulhe de cabeça em Z  - produzido por John Leckie (Jonh Lennon/Pink Floyd/Stone Roses). O quarto disco da banda atinge outros níveis e consegue reunir leveza e densidade, alegria e tristeza e experimentalismo tudojuntonomesmolugar. O vocal agudo de Jim James, altamente influenciado por Neil Young,  permite que melodias  por vezes simplistas ganhem movimentos imprevisíveis e, consequentemente, acabem te captando na primeira audição.  Wordless Chorus traz exatamente o que o nome diz: um refrão sem letra, apenas com harmonias de vocais sobrepostos que, mesmo assim,  possivelmente vão colar na sua cabeça. My Heart Beats For You poderia ser mais uma música comum de amor, não fosse o clima denso, carregado pela cozinha exemplar. Com sobreposições de teclado e efeitos de guitarra no refrão, há aquela leve impressão de que cada um está tocando qualquer melodia que não a mesma música. Mas o núcleo se mantém, nessa que é uma das faixas mais experimentais do disco. Guideon é tesão puro. Te ganha de primeira num dedilhado que se repete ad infinitum (até virar um riff), enquanto baixo, guitarra e bateria se pegam num ménage à trois violento e vão num crescendo catártico e empolgante. What A Wonderful Man, Off The Record e Anytime são, de longe, as mais empolgantes do disco. E estas três são a prova que Z definitivamente expandiu as fronteiras musicais do MMJ,  já que nem de longe parecem algo feito pela banda até então. O gran finale fica a cargo de Dondante. Com instrumental hipnótico, a primeira estrofe abre com “in a dream i saw you walkin/like a kid alive and talkin/that was you (…) to the one i now know most/ i will tell them of your ghost like a thing/that never, ever was” E de forma surpreendente, mesmo que você ainda não saiba o que é perder definitivamente alguém, vai chegar bem perto de sentir toda a náusea quando James cantar/gritar insanamente “well, i knew, just how sweet it could’be/if you’d never left these streets/ you had me worried! So worried/  that  this would last…/but now i’m learning/learning that this will pass…” sustentado por um instrumental grandioso que vai morrer lentamente num sax chorado e tristemente suspirante. Exatamente como é.

[16 Dez 2009 | por Barbara Mattivy | Um Comentário | 941 views]

[mycool álbuns da década]

Arcade Fire – Funeral [2004]

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De mórbido, Funeral não tem nada. Instrumental impecável é elogio pouco pras composições desses quebecois, que vão anos luz além da guitarra, bateria e baixo. Eles carregam pencas de gente, com seus respectivos instrumentos, que vão desde piano e violino até violoncelo, xilofone, acordeão, sanfona, harpa e bandolim. E Funeral é a ilustração magistral desse agrupamento de sons todos. De Neighborhood #1 até Neighborhood #4, a violência musical do disco já te toma por completo, e daí adiante não tem mais volta. Une Année Sans Lumière, responsável por baixar um pouco a batida toda, perde seu objetivo  facilmente, quando os Neighborhoods todos acabam, e Crown Of Love sai rasgando num início pungente: “they say it fades if you let it, love was made to forget it“. Poucos os que chegam até Wake Up com um sorriso ainda inocente no rosto. E quem consegue resistir a todos os versos de Rebellion (Lies), humano não é, quando arremata num refrão do tipo “acorde pra vida!”, berrando ininterruptamente: “every time you close your eyes, lies, lies!” Funeral é o caos organizado mais incrível da história do indie rock. Catarse pura e feito pra quem tem a coragem suficiente.

[15 Dez 2009 | por Leandro Vignoli | Um Comentário | 503 views]

[mycool álbuns da década]

Franz Ferdinand – Franz Ferdinand [2004]

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Caso você  trace um perfil do que foi essa década, vai perceber facilmente que nas estreias as bandas mostravam um vigor que dificilmente igualariam. Os argumentos estão aí para serem colocados à mesa, e você  pode sugerir que Arctic Monkeys, Interpol, The Killers, Strokes e, nesse caso aqui, o Franz Ferdinand, de fato evoluíram. Agora, o que não se pode (e não se deve) é confundir evolução natural com evolução qualitativa (e é bem fácil o fazer). Daqui um tempo, quando tudo isso for tratado como história, o que ficará mesmo dos 00’s é o vigor juvenil como principal trademark. O Franz Ferdinand melhorou muito como banda, mas jamais mudará de forma tão evidente a ponto de você se surpreender: e esse álbum de estreia, é uma puta surpresa. Não bastasse toda a estética de “rock pra dançar feito um fiodaputa” há tempos esquecida, ele é também feito em grande estilo. Um vocalista que sabe cantar, um guitarrista que faz um monte de riffs (se simples, nevermind), uma cozinha seca e crua. Alguém pode citar os timbres chupados de Gang of Four, o que a banda jamais negou, e com tremenda ousadia, aprimorou: não esperneie, o Franz é muito mais relevante. Aquele tipo de álbum mais fácil de enumerar as desconhecidas: Auf Achse, Cheating on You, 11 40 ft. Todas as outras se ouviu de uma forma ou de outra, um compêndio de hits que nenhum outro disco da banda chegou perto. Franz Ferdinand não é o tipo de coisa feita pra caras como eu, mas atire a primeira pedra aquele que nunca, bêbado numa festa, saiu berrando “so if you’re lonely, you know i’m here waiting for you”.

[14 Dez 2009 | por Leandro Vignoli | Um Comentário | 1,344 views]

[mycool álbuns da década]

The Walkmen – Bows + Arrows [2004]

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Caso você não tenha sequer ouvido falar de The Walkmen, não foi pela postura outsider ou pela música hermética demais, porque na verdade eles são caras bem estéticos-fashion e a música super palatável. Ao menos, se você tratar música naquele sentido bem de arte mesmo, sem que isso pareça um pedantismo cult. Cada pedacinho de Bows + Arrows é arte pura: entalhada, pensada, trabalhada, exaurida, pintada. Principalmente vivida, suponho. A carga da desgracêra emocional é latente, jogada na tua cara sem medo, de maneira muito próxima, como um desabafo, como se a banda precisasse de um bilhete com um ‘agüenta firme aí, brou’ de consolo. Um disco pra fazer os ouvidos sangrarem em Little House of Savages e The Rat, um dos coices mais passionais e também sonoros do período: épica distorção de guitarra mandando ver em cima da (provável) linha de bateria mais esmagadora ever, tudo sob gritos de “Can’t you hear me, I’m bleeding on the wall? Can’t you see me, I’m pounding on your door?” e uma sensação de que a pessoa em questão não ouve, não vê e na real tá se lixando pro lance. Bows + Arrows também troca desespero por conformismo (a sort of), sem barulho, com o piano aparecendo de forma massiva, as melodias encharcadas em detalhezinhos, uma trilha bem melancólica, mas de absoluta lindeza. Algo que não faz deprimir: faz refletir. E bastante. No fim, nunca consigo deixar de pensar no álbum como metáfora da vida e um alvo. Você pode ser o arco, que usa uma porção de flechas pra atingí-lo, mas sempre dependente. Ou você pode ser a flecha, lançada de cabeça sem saber onde, livre, mas com a chance de se quebrar todo. Bows + Arrows não esclarece qual a melhor opção.

[14 Dez 2009 | por Angelo Hector | 4 Comentários | 2,234 views]

[mycool álbuns da década]

The Strokes – Is This It [2001]

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Se você tem entre 12 e 20 anos e usa calças apertadas, camisetas apertadas, tênis apetados, cuecas apertadas e cabelos arrumadamente desarrumados, agradeça a este disco. Não fosse Is This It talvez você ainda estivesse ouvindo Creed (golfadas), por exemplo. O ciclo do róque nos 90 foi fechado prematuramente, já que Kurt Cobain colocou a indústria em modo de espera e com possíveis traumas naquele abril de 94. Para tentar oxigenar a cena, surgiram algumas tentativas como Limp Bizkit, mas era tudo tão ridiculamente pasteurizado e produzido que era visível que a onda new-metal (um nome horroroso, diga-se) morreria junto com aquela década. Com o início dos 2000, era perciso que uma nova banda aparecesse. E os Strokes estavam na hora e no lugar certo e, mesmo com um disco médio,  ganharam o mundo e mudaram o direcionamento da cena rock.  Se o Nirvana abriu as portas pra que o mainstream fosse seduzido pelo under,  o Strokes (e a internet, é claro) possibilitaram que esse movimento ganhasse continuidade. Novamente ser uma banda de garagem era legal; usar jeans rasgados e tênis sujos também.  Mas, como toda banda que surge como um novo salvador, a trupe do filho do tio Casablancas foi superestimada. Lembro do falatório quando do lançamento, era como o novo messias, a salvação do róque, o novo róque e isso e aquilo e mimimi. Consegui uma cópia emprestada (em 2001 a discada aqui era de 33kbps, e baixar discos era algo mei’ difícil, sabe?) e me toquei pra casa, esperando encontrar tudo o que haviam me contado. Só que conhecer uma banda é como conhecer uma pessoa: ou você gosta ou não gosta, independente da importância que ela possa ter. E quando o disquinho prateado parou de rodar, me perguntei: Is this it? Tarde demais. Last Nite já rodava direto na MTV e o mundo já estava dependente de 5 caras com roupas e cabelos desarrumadamente arrumados. E o róque estava no mainstream novamente.