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Articles in the álbuns da década Category

[30 out 2012 | por Flávio Lerner | Nenhum Comentário | 447 views]

 

A história não é lá muito nova, mas tem uma galera que ainda não conhece, e falar de Radiohead nunca é demais – até porque esse mês fez cinco anos de lançamento do In Rainbows (self-released, 2007), co-protagonista deste post.

O fato é que um tempo depois que o In Rainbows foi lançado, o blog Puddlegum lançou a teoria de que o OK Computer e o In Rainbows seriam discos complementares. Tudo começou com pistas indicando algo com o número dez: o lançamento do In Rainbows – cujo nome tem dez letras, pra tristeza do Zagalo – se deu dez anos depois do OK Computer (Parlophone, 1997) – dez letras também –, em 10/10, dez dias antes do que fora anunciado; o álbum contém dez faixas, e poderia ter sido baixado a partir de dez servidores; além disso, antes do lançamento, dez enigmas foram divulgados enfatizando a letra ‘X’, o que corresponde a dez em algarismos romanos.

A partir daí, o Puddlegum veio com a teoria dos códigos binários – 1010101010 –, o que os fez serem contatados por um suposto amigo do Thom Yorke que confirmou que eles estavam lendo as pistas corretamente.  Dez dias depois, o blog concluiu que o OK Computer – que quase se chamou Zeros and Ones  – corresponderia ao 01, enquanto o In Rainbows seria o 10 – números complementares no código binário. Assim, ouvindo os dois álbuns entrelaçados, intercalando sucessivamente uma do OK Computer com a faixa de número correspondente do In Rainbows, fica a sensação de que o disco de 2007 foi pensado para combinar harmonicamente, estruturalmente e textualmente com seu ancestral.

Fiz essa experiência uns anos atrás e não fiquei completamente convencido, embora tenha percebido que podia haver sim algo premeditado nisso tudo. Hoje, ouvindo com crossfading na transição entre as músicas (em um vídeo no youtube que encontrei no Trabalho Sujo), tudo fez muito mais sentido. Dá pra ver que existe uma continuidade, uma unidade que casa os dois discos – principalmente depois dos primeiros vinte minutos. Não raramente o encaixe chega a ser perfeito, como por exemplo o reverb da saída de Subterranean Homesick Alien para a entrada de Nude, ou a transição entre Fitter Happier e Faust Arp.

Pra conferir, ou testar de novo, basta apertar o play aí embaixo e tirar suas próprias conclusões.

A tracklist, na lógica correta, fica assim:

1. Airbag (OK Computer)
2. 15 Step (In Rainbows)
3. Paranoid Android (OK Computer)
4. Bodysnatchers (In Rainbows)
5. Subterranean Homesick Alien (OK Computer)
6. Nude (In Rainbows)
7. Exit Music (For A Film) (OK Computer)
8. Weird Fishes/Arpeggi (In Rainbows)
9. Let Down (OK Computer)
10. All I Need (In Rainbows)
11. Karma Police (OK Computer)
12. Fitter Happier (OK Computer)
13. Faust Arp (In Rainbows)
14. Electioneering (OK Computer)
15. Reckoner (In Rainbows)
16. Climbing Up The Walls (OK Computer)
17. House Of Cards (In Rainbows)
18. No Surprises (OK Computer)
19. Jigsaw Falling Into Place (In Rainbows)
20. Lucky (OK Computer)
21. Videotape (In Rainbows)
22. The Tourist (OK Computer)

* Que será que o Radiohead vai aprontar em 2017?

** Comentário mais genial que já vi no youtube: “Combination Super Work é um anagrama para In Rainbows/OK Computer”.

[26 dez 2011 | por Flávio Lerner | 3 Comentários | 841 views]

PJ Harvey coleciona canecos e medalhas em 2011

Alô amigos! Retornei do meu retiro judaico-espiritual e volto a escrever no MyCool para a infelicidade de alguns e indiferença de muitos.

O Natal/Chanukká/Festivus já passou e, se você não chegou a acompanhar com tanto afinco as polêmicas listas de fim de ano que amamos odiar, o MyCool traça o panorama enquanto você ainda digere aquela ave gorda que foi assada com muito amor pela sua Tia Berta, porém brutalmente assassinada por uma enfermeira fria e calculista.

É claro que essas listas da crítica são muito subjetivas e não conseguem escapar ao perfil do veículo, gosto pessoal dos críticos ou jabá dos empre$ários, mas analisando diversas fontes, podemos solidificar um padrão.

O Metronomy, que lançou o melhor disco e foi a banda do ano na opinião do que vos escreve, dividiu opiniões; The English Riviera foi ovacionado pelos ingleses e esnobado pelos americanos. Ficou em primeiro lugar no Gigwise, em segundo na NME, no The Fly e na MusicOMH,  e em terceiro na Uncut e no DIY – todos canais britânicos. Além disso, conseguiu ficar entre os dez melhores discos em mais seis listas.

O ano, porém, foi da PJ Harvey. Além de faturar o Mercury Prize, o  Let England Shake da moça agradou NMEistas e pitchforkeanos, coletando TREZE medalhas de ouro (NME, Uncut, Mojo, Boston Globe, The Guardian, Los Angeles Times, Washington Post, MusicOMH, No Ripcord, The Quietus, Slant, BBC Music e – ufa! –NPR), quatro de prata (Spin, The Observer, DIY e Q) e quatro de bronze (Exclaim!, The Telegraph, Drowned in Sound e Gigwise). Além disso, figura em 95% das listas e está no top 10 da maioria (mas ficou em 47º lugar na Rolling Stone. Tu vê). O curioso é que a recordista do ano foi bem menos hypada que a Lana Del Rey por aí.

Outro grande destaque foi o Bon Iver, que além de ser nomeado a uma penca de coisas no Grammy, conquistou seis ouros (Pitchfork, Exclaim, Paste, Star Tribute, Epitonic e The Owl Mag), sete pratas (Billboard, Filter, Consequence of Sound, PopMatters, NPR, Amazon e The Record Exchange) e quatro bronzes (Under the Radar, A.V. Club, Stereogum e Rhapsody) com seu segundo e auto-intitulado álbum.

O Jayza e o Kanye West avisaram pra “cuidar o trono”, e acabaram figurando em uma penca de listas também. Não conseguiram nenhum primeiro lugar, mas tiveram quatro medalhas de prata (Rolling Stone, Washington Post, Complex e Slate) e três de bronze (Billboard, New York Times, Time) com o Watch The Throne.

Já o Fucked Up fez um indie-punk barulhento que não me pegou, mas agradou bastante o colega Leandro Souza. Além dele, a Spin também elegeu o disco David Comes to Life como o melhor de 2011, enquanto o A.V Club deu a segunda posição e o PopMatters e a Spinner, a terceira.

Nosso outro colega Leandro, o Vignoli, curtiu demais o Hurry Up, We’re Dreaming, do M83 (que, segundo o Pitchfork, é o responsável pela música do ano). Os franceses também se deram bem pra caramba nas listas, conseguindo ficar entre os dez primeiros em treze delas, com uma taça de campeão na Filter, um vice na Under The Radar e na Owl Mag e cinco vagas diretas pra Libertadores no Pitchfork, Washington Post, Treble, XLR8R e Pinpoint Music.

2011 também foi o ano da popularização do dubstep, culminando no mainstream americano em uma nova roupagem bastante controversa. Mas a turma do Skrillex só fez sucesso mesmo com o público, porque para a crítica (e para o bom senso), o dubstep britânico é o que segue valendo. James Blake levou um ouro (The Telegraph), duas pratas, um bronze e doze top10, enquanto o SBTRKT conquistou uma aparição no Top10 da Drowned in Sound e mais figuração em seis outras listas.

A Adele, que fez um disco bem zZzzZZz, foi a artista que mais equilibrou o sucesso no mainstream e na crítica especializada, contando com oito primeiros lugares (Rolling Stone, Time, Amazon, Rhapsody, Billboard, Associated Press, Entertainment Weekly e Star Tribune), três segundas posições (HitFix, MTV e Boston Globe) e mais onze top tens para o seu sonolento 21.

Outros discos que falamos ao longo do ano por aqui e que merecem menções honrosas são o Skying, dos The Horrors (três medalhas de prata), Smother, dos Wild Beasts (uma prata e um bronze), Within and Without, do Washed Out (cinco top10), além de Kaputt, do Destroyer (um ouro e três pratas) e w h o k i l l, do tUne-yArDs (um ouro e quatro pratas), que ainda não falamos a respeito, mas que deveríamos ter falado (hehe).

* Pra fazer esse post foram analisadas mais de onze listas completas e o site Metacritic, que faz uma somatória de pontos de todas as listas oficiais que saíram em revistas e sites, ranqueando, então, os melhores do ano. A classificação final ficou assim:

1. PJ Harvey – Let England Shake

2. Bon Iver – Bon Iver

3. Adele – 21

4. tUnE-yArDs – w h o k i l l

5. St. Vincent – Strange Mercy

6. The Weeknd – House of Balloons

7. Shabazz Places – Black Up

8. Fleet Foxes – Helplessness Blues

8. Jay-Z & Kanye West – Watch the Throne

10. James Blake – James Blake

11. Kurt Vile – Smoke Ring for Halo

11. Girls – Father, Son, Holy Ghost

11. M83 – Hurry Up, We’re Dreaming

14. Drake – Take Care

14. The Antlers – Bust Apart

14. Metronomy – The English Riviera

17. Fucked Up – David Comes to Life

18. The Horrors – Skying

18. Wilco – The Whole Love

20. Destroyer – Kaputt

20. Tom Waits – Bad As Me

Se você ficou de cara com todas as listas dos sites e com o ranking final, então essa lista aqui deve te agradar mais.

[15 jun 2011 | por Flávio Lerner | Nenhum Comentário | 708 views]

Não é a primeira vez que falo isso, mas existem bandas que tem uma relevância histórica muito grande sem atingir parcelas gordas do mainstream. Os nova-iorquinos do The Rapture são mais um bom exemplo.

SE VOCÊ TEM PREGUIÇA DE LER MAS GOSTA DAS FIGURINHAS, PULE PARA O PENÚLTIMO PARÁGRAFO

A história é assim: surgiram ainda no fim dos anos 90, lançaram o primeiro disco dois anos antes do aclamado “Is This It” dos Strokes, ganharam repercussão forte com o “Echoes” em 2003 (eleito melhor álbum do ano pelo Pitchfork) e atingiram um, até então, limite com o “Pieces of The People We Love”.

A proposta semeada com o debut “Mirror”, de 1999, carregava dentro de si o embrião do dance-punk. A partir daí, o som passou do Rapture foi se lapidando, se tornando menos “punk” e mais “dance” (aqui entra o dedo carinhoso (nofa!) do selo DFA, da turma do LCD Soundsystem); o terceiro álbum usa mais sintetizadores que os antecessores juntos. E é a partir daí, em conjunto com o surgimento do New Rave dos Klaxons, que ocorre uma virada brusca com a cena Indie dos anos 00’s: o hype se concentra em fórmulas mais dançantes, com mais elementos eletrônicos.

Ok, mas e pra que tudo isso? Porque uma banda tão influente – e que, pelo menos no Brasil, não tem tanto reconhecimento – anunciou um novo álbum na fábrica e um novo single saído do forno, depois de muito tempo parada. Como o MyCool não podia deixar essa bola quicando, sacaí a nova e absurdamente dançante How Deep Is Your Love:

DFA White Out Sessions – How Deep Is Your Love? by The Rapture from DFA Records on Vimeo.

“In The Grace of Your Love”, o quarto álbum, está previsto pro dia 05 de setembro na Europa e 06 nos EUA. Resta ver se a banda consegue agora se reposicionar cinco anos depois de ter feito a diferença ou se vão insistir na mesma fórmula datada.

[10 mai 2011 | por Flávio Lerner | Um Comentário | 942 views]

Hoje, dia 10 de maio é uma data especial: sabem quem acaba de completar um ano? Simplesmente o melhor disco de 2010! Olhaí que bonito! E não estou falando dos Suburbs do Arcade Fire, não. Bóra dar os parabéns pro “Total Life Forever”, caçula dos Foals – pais orgulhosos que, por sinal, andam dando cria por aí.

“Total Life Forever” é uma obra de uma densidade e uma coerência há anos não vistas, em que se consegue visualizar as faixas de um Foals que manteve uma identidade construída no debut “Antidotes”, mas transformada em algo novo. A opinião está longe de ser apenas minha; o compacto teve grande aceitação de crítica e público. A revista britânica The Fly também elegeu a bolacha como a melhor da temporada. Além disso, foi o único álbum a colocar três canções na controversa lista das 50 melhores do ano da NME, levando o merecidíssimo primeiro lugar com Spanish Sahara, que também ganhou o prêmio de melhor canção de 2010 nos NME Awards. Ahhh, Spanish Sahara

Se isso não é suficiente, vem comigo que eu te mostro, faixa por faixa, vídeo por vídeo (as apresentações ao vivo são fantásticas), porque a homenagem é válida:

Blue Blood – Aqui o Foals, com suas tradicionais guitarras “start/stop”, vai progressivamente criando o clima para te mostrar a metamorfose da banda e a viagem de 50 minutos que está por vir. A canção vai se tornando mais intensa ao adquirir mais elementos, característica presente em momentos certeiros do LP.

Miami – Para quem era habituado a um Foals super acelerado, Miami pode ter sido um choque. A faixa é a mais lenta – mas não menos dançante – da banda, com uma batida que nos remete a um hip hop banhado em afrobeat.

Total Life Forever – A faixa título apresenta as guitarras de math rock do Foals convergindo em grooves, conduzidos por uma voz reverberada e quase soturna de Yannis Philippakis em contraste com notas agudas de sintetizador.  A faixa representa uma dubiedade característica do disco, que transita entre o “down” e o “up”. Ao vivo é ainda mais incrível.

Black Gold – Uma odisséia fantástica de seis minutos e meio de duração. Uma das canções do ano, mas daquelas que leva certo tempo para se digerir, assim como o álbum todo em geral. Aqui a densidade mencionada anteriormente é visualizada mais do que nunca: o reverb presente em guitarras aquosas (oi Bloc Party) e synths é tão intenso que se você fechar os olhos será possível se enxergar imerso abaixo de sete mil léguas submarinas (e veja a capa do CD). Talvez seja a canção termômetro, a que melhor represente a obra por completo. É a favorita do Yannis.

Spanish Sahara – Palavras nunca vão ser boas o suficiente para ela – pelo menos eu não me atrevo. Apenas pare, feche os olhos e escute. Se teus olhos não encherem d’água no final, procure um psiquiatra.

This Orient – Se você sobrevive às últimas duas, não vai resistir ao golpe final: começando com uma colagem de múltiplas vozes (o “start/stop” dessa vez em vocais) que irrompem em uma batida pulsante e a melodia mais romântica do conjunto, This Orient vem pra completar a tríade das três melhores canções de “Total Life Forever” em sequência. “It’s your heart that gives you this western feeling”. Pode chorar vai, a gente não conta pra ninguém.

Fugue – Interlúdio. São 49 segundos para se recompor depois da tríade que acabou contigo.

After Glow – O terceiro ato (a tríade seria o segundo, eu imagino) do disco começa mais intenso. Alterna entre a calmaria e a tempestade e, em seu ápice (aqui Yannis lembra Blaine Harrison do Mystery Jets), temos o espelho para o passado: o dance-punk do “Antidotes” revive.

Alabaster – Canção linda, linda, linda, linda, linda. A reverberação aqui nos transporta para uma sala vasta e vazia, repleta apenas de luzes brancas. Os afrobeats ressurgem acompanhados por backing vocals que cantam em coro: “Run, Run Away, Run!”após Philippakis afirmar :“She’s up in the sky, and the sky is on fire”.

2 Trees – Quase como se Johnny Greenwood e Russel Lissack tocassem juntos: uma base de guitarra e sintetizadores a lá Radiohead-In-Rainbows conversam com guitarras do Bloc Party enquanto o novo falsete adquirido por Yannis vai te levando pouco a pouco a superfície. Você emerge das profundezas do oceano para, agora, flutuar em direção ao espaço.

What Remains – Título autoexplicativo. What Remains se trata, literalmente, do que resta a ser dito, e feito, depois de três atos de viagem por luzes e escuridão. O Foals conclui semeando uma nova experiência dentro do seu corpo. Se você permitir, essa semente cresce de uma maneira fantástica, em que tudo faz mais sentido. Porém, assim como as obras do Radiohead, Total Life Forever é para ser usufruído com cautela e sabedoria.

BONUS: Spanish Sahara feat. London Contemporary Orchestra

[4 mai 2011 | por Flávio Lerner | Nenhum Comentário | 828 views]

Quem não gosta de Daft Punk, bom sujeito não é! Para homenagear a banda, a Trinity Orchestra – orquestra irlandesa composta por estudantes – tem se apresentado tocando canções do Discovery, de 2001 (top 10 álbuns da vida!).

Além dos tradicionais times de corda e metais, a orquestra tem direito a guitarras, baixo, bateria e até vocoder.

Praticamente um “live mash-up” de parte das canções do Discovery e duas do Homework.  Em ordem: One More Time, Aerodynamic, Da Funk, Superheroes, Around The World, Crescendolls e Digital Love. Dá o play porque é MUITO FODA!

Bonus: A ‘lovesong’ mais bonita dos 00’s interpretada pela orquestra. (O vídeo é caseiro, mas o som tá legal.)

[29 dez 2009 | por Leandro Vignoli | Um Comentário | 3.264 views]

[mycool álbuns da década]

Flaming Lips – Yoshimi Battles The Pink Robots [2002]

yoshimi

O Flaming Lips chegou a seu décimo disco de carreira, o primeiro na década, com o espírito de uma banda nova. Yoshimi Battles The Pink Robots é, indiscutivelmente, o seu álbum mais bem acabado até hoje (o que não é pouco, para um grupo que teve como meta nos últimos 15 anos fazer álbuns de extremo acabamento). Foi onde a banda mergulhou de cabeça no som eletrônico como cortina pra lindas canções. Yoshimi Battles é um disco calcado basicamente em melodias, de letras assoviáveis e refrões que grudam — é um disco de lindas canções e melodias pop, em resumo. Psicodelia existe mais como ponto de equilíbrio entre a sobriedade, como se no final da tarde você comesse biscoitos andando de balanço, após um dia no LSD. Algo em que o Radiohead fez com Kid A, mas sem a intenção de fazer ninguém cortar os pulsos. Embora o clima de melancolia na história da garotinha Yoshimi, sobre amor, decepção, a sua mortalidade diante dos tais Robôs Cor-de-Rosa, o álbum denota apenas a imagem de sorriso no rosto. Nenhuma música é descartável, todas são genuínas e válidas. E com um arrebate definitivo, encontrado em Do You Realize?, uma das grandes dos anos 00’s, uma canção nostálgica em que o cara apenas reflete: você já se deu conta que a felicidade te faz chorar? / você já se deu conta que um dia todo mundo que você conhece vai morrer? E não é morbidez. É vida pura.

[28 dez 2009 | por Leandro Vignoli | 3 Comentários | 4.266 views]

[mycool álbuns da década]

Radiohead – In Rainbows [2007]

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Foi então que a banda desistiu de fazer sucesso com Kid A e isso não deu certo. Ficaram ainda mais cultuados, e assim seguiu durante Amnesiac (belo disco, mas notadamente de sobras do Kid, o seu primo mais inspirado) e Hailt to the Thief (hoje notadamente o disco mais irregular na trajetória do quinteto. O Radiohead fez suicídio comercial, vez após vez, até que simplesmente desistiu disso também. In Rainbows é um lindo disco de canções, onde a apregoada volta das guitarras veio com tudo, o conteúdo eletrônico ficou de canto embora ainda primoroso, as letras voltaram a todo vapor de forma direta e não indireta (o que é i don’t wanna be your friend, i just wanna be your lover?), Thom Yorke cantando absurdamente melhor, e apesar de suposta convenção melódica, nos detalhes em fones de ouvido você percebe ritmos em contratempo, barulhinhos vitais, backing vocais tão absurdos quantos os vocais. Do primeiro toque da bateria sincopada de 15 Steps ao último acorde grave de piano em Videotape, com o jazzismo de Nude e a guitarrice de Bodysnatchers no meio , tudo é perfeito. E se daqui pra frente todo disco deles eu puder pagar o quanto quiser, olharei nas lojas quanto custa um disco do Coldplay e pagarei cem vezes mais o valor.

[22 dez 2009 | por Barbara Mattivy | Nenhum Comentário | 1.597 views]

[mycool álbuns da década]

Cansei de Ser Sexy – Cansei de Ser Sexy [2005]

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Por mais que insistam em dizer que CSS é uma cópia insolente de Le Tigre e que de original não tem nada, não dá pra negar que, pelo menos no Brasil, eles foram pioneiros. O que começou numa brincadeira despretensiosa de estúdio tomou proporções extraordinárias, e a banda acabou conquistando a Europa inteirinha em poucos meses, com suas letras superdebochadas e beats pós modernos. E como não? A audácia brasileira cantada em inglês sempre faz sucesso entre os gringos, vide a febre que foi Let’s Make Love And Listen Death From Above. Music Is My Hot Sex virou até soundtrack de propaganda do iPod, AlalaOff The Hook e Alcohol bombaram com unanimidade em todo e qualquer festival de verão, enquanto Superafim, interpretada com genialidade por Lovefoxxx em língua original, ainda hoje faz com que a geração underaged recite a letra do início ao fim, com todo o fôlego dos seus pulmões, nas festeenhas da cidade. Acho um pouco bom mesmo o Brasil ter uma referência indie de qualidade exportativa, porque se fôssemos depender de algo tipo Bonde do Rolê (e daí só piora), estaríamos realmente fucked.

 

 

[21 dez 2009 | por Leandro Vignoli | 2 Comentários | 2.352 views]

[mycool álbuns da década]

At The Drive-In – Relationship of Command [2000]

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Algumas coisas já percebemos nessa de retroagir a década, ou mesmo, fazer essa lista: os anos 00 foram bem pau-mole. Os álbuns fodões se concentram em climas carregados de sofreguidões e desesperos humano-amorosos, e os relevantes têm âncora no rockinho de Strokes e (peloamordedeusmasquebaitamerda) Libertines – sem contar a porcentagem electro, que afetou o cérebro da juventude curiosinha. Faltou culhão, sobrou pose. E de exceções aqui e ali, a despedida do At The Drive-In se mostrou a maior de todas. Agressivo, barulhento, pesado, nada perpassou a capacidade dos latinos de desfigurar o caricato hardcore (e justo por isso os chamaram de “pós-hardcore”) em linhas e timbres de guitarras esquisitas, letras nonsense, vocal falado e quase oratório. Inspirador de sentidos, é impossível ouvir o disco de forma passiva: socar a cara de alguém, se bater de cabeça na parede, gritar no trem, air-guitarrear, tudo pode ser. Arriscaria dizer que álbum algum na década usou o termo “inovador” sem que ninguém simplesmente tenha resolvido copiar a idéia (ele permanece único até hoje). Amorfos na persona de seu próprio outsiderismo, a banda acabou cinco meses depois do lançamento (os dois integrantes principais foram viver numa desconhecida ilha isolada, onde levaram suas coleções de álbuns do Rush, Pink Floyd e Raul Seixas para ocasionalmente enviarem músicas novas feitas sob a alcunha de The Mars Volta).

[18 dez 2009 | por Leandro Vignoli | 3 Comentários | 4.731 views]

[mycool álbuns da década]

Bon Iver – For Emma, Forever Ago [2007]

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Num lancinante pé-na-bunda, Justin Vernon se tocou pros confins do Wisconsin e de lá pariu um punhado de canções sobre amor: algum que de fato importou. E onde álbuns lançados sob esta ótica são intermináveis e clichês, a maneira que esse cara encontrou pra falar disso tem uma força, uma verdade, uma tristeza ou seja o que for tão pungente, que não duvidaria cair em lágrimas em alguma audição no momento errado (a abrangência das letras pode muito bem transformar o “amor não-correspondido” em, por exemplo, saudade de alguém próximo que morreu, a dor mais terrível das dores). Aliado importante, seu vocal exótico e ímpar, e há quase mais nada além dele e de violões nesse disco. Porém, outra escolha na mosca de Vernon, ele quadruplicou (ou octuplicou) tudo com overdubs, e a sonoridade lo-fi ganha imagem de dúzias de gente cantando e tocando (evitando assim aproximações com o chamado neo-folk). Blindsided concorre fácil a melhor canção da década, e pra mais exagero, diria que se há alguma melhor, ela se encontra nesse mesmo disco: For Emma, Skinny Love, The Wolves? Trilha de imaginação e pensamentos vagos, não foi à toa que músicas popularam em cenas-chave de seriados como House, Chuck, One Tree Hill e Grey’s Anatomy. Embora funcione pra todo mundo, a real é que seja lá quem for essa Emma, ela deve ter tido um puta nó na garganta quando ouviu. Ou sorriu irônica, por destruir a vida desse cara.

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