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Articles in the álbuns da década Category

[17 dez 2009 | por Héctor Moraes | Um Comentário | 1.239 views]

[mycool álbuns da década]

My Morning Jacket – Z [2005]

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Caso você não faça idéia pra que serve um produtor musical, e, principalmente, quel é a influência dele sobe uma banda, sugiro que ouça os dois primeiros discos do My Morning Jacket – produzidos pelo vocalista Jim James – e depois mergulhe de cabeça em Z  - produzido por John Leckie (Jonh Lennon/Pink Floyd/Stone Roses). O quarto disco da banda atinge outros níveis e consegue reunir leveza e densidade, alegria e tristeza e experimentalismo tudojuntonomesmolugar. O vocal agudo de Jim James, altamente influenciado por Neil Young,  permite que melodias  por vezes simplistas ganhem movimentos imprevisíveis e, consequentemente, acabem te captando na primeira audição.  Wordless Chorus traz exatamente o que o nome diz: um refrão sem letra, apenas com harmonias de vocais sobrepostos que, mesmo assim,  possivelmente vão colar na sua cabeça. My Heart Beats For You poderia ser mais uma música comum de amor, não fosse o clima denso, carregado pela cozinha exemplar. Com sobreposições de teclado e efeitos de guitarra no refrão, há aquela leve impressão de que cada um está tocando qualquer melodia que não a mesma música. Mas o núcleo se mantém, nessa que é uma das faixas mais experimentais do disco. Guideon é tesão puro. Te ganha de primeira num dedilhado que se repete ad infinitum (até virar um riff), enquanto baixo, guitarra e bateria se pegam num ménage à trois violento e vão num crescendo catártico e empolgante. What A Wonderful Man, Off The Record e Anytime são, de longe, as mais empolgantes do disco. E estas três são a prova que Z definitivamente expandiu as fronteiras musicais do MMJ,  já que nem de longe parecem algo feito pela banda até então. O gran finale fica a cargo de Dondante. Com instrumental hipnótico, a primeira estrofe abre com “in a dream i saw you walkin/like a kid alive and talkin/that was you (…) to the one i now know most/ i will tell them of your ghost like a thing/that never, ever was” E de forma surpreendente, mesmo que você ainda não saiba o que é perder definitivamente alguém, vai chegar bem perto de sentir toda a náusea quando James cantar/gritar insanamente “well, i knew, just how sweet it could’be/if you’d never left these streets/ you had me worried! So worried/  that  this would last…/but now i’m learning/learning that this will pass…” sustentado por um instrumental grandioso que vai morrer lentamente num sax chorado e tristemente suspirante. Exatamente como é.

[16 dez 2009 | por Barbara Mattivy | 2 Comentários | 2.444 views]

[mycool álbuns da década]

Arcade Fire – Funeral [2004]

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De mórbido, Funeral não tem nada. Instrumental impecável é elogio pouco pras composições desses quebecois, que vão anos luz além da guitarra, bateria e baixo. Eles carregam pencas de gente, com seus respectivos instrumentos, que vão desde piano e violino até violoncelo, xilofone, acordeão, sanfona, harpa e bandolim. E Funeral é a ilustração magistral desse agrupamento de sons todos. De Neighborhood #1 até Neighborhood #4, a violência musical do disco já te toma por completo, e daí adiante não tem mais volta. Une Année Sans Lumière, responsável por baixar um pouco a batida toda, perde seu objetivo  facilmente, quando os Neighborhoods todos acabam, e Crown Of Love sai rasgando num início pungente: “they say it fades if you let it, love was made to forget it“. Poucos os que chegam até Wake Up com um sorriso ainda inocente no rosto. E quem consegue resistir a todos os versos de Rebellion (Lies), humano não é, quando arremata num refrão do tipo “acorde pra vida!”, berrando ininterruptamente: “every time you close your eyes, lies, lies!” Funeral é o caos organizado mais incrível da história do indie rock. Catarse pura e feito pra quem tem a coragem suficiente.

[15 dez 2009 | por Leandro Vignoli | Um Comentário | 950 views]

[mycool álbuns da década]

Franz Ferdinand – Franz Ferdinand [2004]

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Caso você  trace um perfil do que foi essa década, vai perceber facilmente que nas estreias as bandas mostravam um vigor que dificilmente igualariam. Os argumentos estão aí para serem colocados à mesa, e você  pode sugerir que Arctic Monkeys, Interpol, The Killers, Strokes e, nesse caso aqui, o Franz Ferdinand, de fato evoluíram. Agora, o que não se pode (e não se deve) é confundir evolução natural com evolução qualitativa (e é bem fácil o fazer). Daqui um tempo, quando tudo isso for tratado como história, o que ficará mesmo dos 00’s é o vigor juvenil como principal trademark. O Franz Ferdinand melhorou muito como banda, mas jamais mudará de forma tão evidente a ponto de você se surpreender: e esse álbum de estreia, é uma puta surpresa. Não bastasse toda a estética de “rock pra dançar feito um fiodaputa” há tempos esquecida, ele é também feito em grande estilo. Um vocalista que sabe cantar, um guitarrista que faz um monte de riffs (se simples, nevermind), uma cozinha seca e crua. Alguém pode citar os timbres chupados de Gang of Four, o que a banda jamais negou, e com tremenda ousadia, aprimorou: não esperneie, o Franz é muito mais relevante. Aquele tipo de álbum mais fácil de enumerar as desconhecidas: Auf Achse, Cheating on You, 11 40 ft. Todas as outras se ouviu de uma forma ou de outra, um compêndio de hits que nenhum outro disco da banda chegou perto. Franz Ferdinand não é o tipo de coisa feita pra caras como eu, mas atire a primeira pedra aquele que nunca, bêbado numa festa, saiu berrando “so if you’re lonely, you know i’m here waiting for you”.

[14 dez 2009 | por Leandro Vignoli | 2 Comentários | 2.487 views]

[mycool álbuns da década]

The Walkmen – Bows + Arrows [2004]

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Caso você não tenha sequer ouvido falar de The Walkmen, não foi pela postura outsider ou pela música hermética demais, porque na verdade eles são caras bem estéticos-fashion e a música super palatável. Ao menos, se você tratar música naquele sentido bem de arte mesmo, sem que isso pareça um pedantismo cult. Cada pedacinho de Bows + Arrows é arte pura: entalhada, pensada, trabalhada, exaurida, pintada. Principalmente vivida, suponho. A carga da desgracêra emocional é latente, jogada na tua cara sem medo, de maneira muito próxima, como um desabafo, como se a banda precisasse de um bilhete com um ‘agüenta firme aí, brou’ de consolo. Um disco pra fazer os ouvidos sangrarem em Little House of Savages e The Rat, um dos coices mais passionais e também sonoros do período: épica distorção de guitarra mandando ver em cima da (provável) linha de bateria mais esmagadora ever, tudo sob gritos de “Can’t you hear me, I’m bleeding on the wall? Can’t you see me, I’m pounding on your door?” e uma sensação de que a pessoa em questão não ouve, não vê e na real tá se lixando pro lance. Bows + Arrows também troca desespero por conformismo (a sort of), sem barulho, com o piano aparecendo de forma massiva, as melodias encharcadas em detalhezinhos, uma trilha bem melancólica, mas de absoluta lindeza. Algo que não faz deprimir: faz refletir. E bastante. No fim, nunca consigo deixar de pensar no álbum como metáfora da vida e um alvo. Você pode ser o arco, que usa uma porção de flechas pra atingí-lo, mas sempre dependente. Ou você pode ser a flecha, lançada de cabeça sem saber onde, livre, mas com a chance de se quebrar todo. Bows + Arrows não esclarece qual a melhor opção.

[14 dez 2009 | por Héctor Moraes | 4 Comentários | 4.182 views]

[mycool álbuns da década]

The Strokes – Is This It [2001]

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Se você tem entre 12 e 20 anos e usa calças apertadas, camisetas apertadas, tênis apetados, cuecas apertadas e cabelos arrumadamente desarrumados, agradeça a este disco. Não fosse Is This It talvez você ainda estivesse ouvindo Creed (golfadas), por exemplo. O ciclo do róque nos 90 foi fechado prematuramente, já que Kurt Cobain colocou a indústria em modo de espera e com possíveis traumas naquele abril de 94. Para tentar oxigenar a cena, surgiram algumas tentativas como Limp Bizkit, mas era tudo tão ridiculamente pasteurizado e produzido que era visível que a onda new-metal (um nome horroroso, diga-se) morreria junto com aquela década. Com o início dos 2000, era perciso que uma nova banda aparecesse. E os Strokes estavam na hora e no lugar certo e, mesmo com um disco médio,  ganharam o mundo e mudaram o direcionamento da cena rock.  Se o Nirvana abriu as portas pra que o mainstream fosse seduzido pelo under,  o Strokes (e a internet, é claro) possibilitaram que esse movimento ganhasse continuidade. Novamente ser uma banda de garagem era legal; usar jeans rasgados e tênis sujos também.  Mas, como toda banda que surge como um novo salvador, a trupe do filho do tio Casablancas foi superestimada. Lembro do falatório quando do lançamento, era como o novo messias, a salvação do róque, o novo róque e isso e aquilo e mimimi. Consegui uma cópia emprestada (em 2001 a discada aqui era de 33kbps, e baixar discos era algo mei’ difícil, sabe?) e me toquei pra casa, esperando encontrar tudo o que haviam me contado. Só que conhecer uma banda é como conhecer uma pessoa: ou você gosta ou não gosta, independente da importância que ela possa ter. E quando o disquinho prateado parou de rodar, me perguntei: Is this it? Tarde demais. Last Nite já rodava direto na MTV e o mundo já estava dependente de 5 caras com roupas e cabelos desarrumadamente arrumados. E o róque estava no mainstream novamente.

[12 dez 2009 | por Barbara Mattivy | 5 Comentários | 4.178 views]

[mycool álbuns da década]

Phoenix – Wolfgang Amadeus Phoenix [2009]

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Muito difícil escolher o melhor álbum de uma banda tão coesa como Phoenix. De 2000, quando lançaram United, seu primeiro CD, até 2009, com o estouro que foi Wolfgang Amadeus Phoenix, os franceses só conseguiram reforçar ainda mais a identidade da sua música. Se United foi a revelação do estilo musical fantástico e já icônico do grupo (aka vocal afeminado de Thomas Mars + instrumental descomplicado e melodias suaves) e nos apresentou clássicos da cena indie como Too Young e If I Ever Feel Better, não dá pra negar que foi com Wolfgang que Phoenix atingiu seu ápice. Sem uma faixa merecedora do “skip”, me diz como não rebentar-se num gozo incessante ao ouvir Lisztomania, 1901, Fences, Lasso, Rome ou Armistice? Essa última então, que ainda carrega um dos refrões mais contagiantes do disco, numa batida de bateria e letra impossível de não acompanhar com a cabeça, os pés e a voz, cantando: “When the lights are coming out, and I come down in your room. Our daily compromising is written in your signed armistice“. E pra um aproveitamento impecável do álbum, bem que Love Like A Sunset poderia fechar, nessa viagem sintética de quase 8 minutos que tem. Wolfgang Amadeus Phoenix é muito foda. Congrats, Phoenix, por não ter se perdido ao longo da década e chegar ao quarto disco com uma maturidade musical incrível, de dar inveja em muita bandinha one hit wonder indie pop wannabe.

[11 dez 2009 | por Leandro Vignoli | 12 Comentários | 999 views]

RÁÁÁÁÁÁ. PEGADINHA DO MALLANDRO!

Olha bem pra nossa cara de escolher melhor da década uma banda com algo chamado DEUS COLOCOU UM SORRISO NO SEU ROSTO. Gostaríamos mesmo é que DEUS colocasse um esparadrapo na boca de Chris Martin. Ou uma tendinite eterna que impedisse aquele maldito mesmo acorde de piano de sempre em toda intro de música.

Leia abaixo algo que de fato merece ser melhor da década.

[mycool álbuns da década]

ELBOW – Asleep in the Back [2001]

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Era um ano ruim. Lembro claramente da época: o boom britânico daquele chamado new acoustic movement de bandas chorosas como Travis, Starsailor, Embrace, Alfie (onde foi parar toda essa gente, btw?), e a única que vingou de fato: Coldplay. A trajetória do Elbow foi construída à margem do gigantismo de Chris Martin e cia, embora logo de cara demonstrasse ser algo ambicioso e genuíno o suficiente para se tornar a melhor – e por óbvio, mais subestimada – banda inglesa da sua geração. Desde aquele tempo o som deles remetia a sofisticação, o que não lhes tirava o dom de fazer incríveis canções pop. Mas não era o pop escorado no mesmo acorde de pianinho. Asleep in the Back caía de cabeça em orquestrações, em coros, em noções pretensiosamente “cabeçudas”. Mesmo nas “fáceis” de ouvir, nada era normal demais: a frase inicial de Newborn, uma majestosa e linda canção de amor, era “I’ll be the corpse in your bathtub”; enquanto o clímax do refrão de Red, outra lovesong do álbum, explodia em “you’re a tragedy starting to happen”. Cada pedacinho do álbum composto de órgãos, synths, harmônica ou sopros não está ali de forma aleatória, mas com efetiva razão de ser. O sax que soma ao vocal estendido de Guy Garvey no final de Powder Blue, a destruição de guitarras distorcidas em Bitten by The Tailfly, a proposital exclusão das letras de Don’t Mix Your Drinks e Presumind Ed do encarte, uma espécie de aviso de“estas realmente são complicadas de se ouvir, gurizada”, tudo isso fazia parte de algo que era apenas os passos iniciais de um bebê (eles poderiam facilmente estar nessa lista com o Cast of Thousand, ou Seldom Seen Kid, o cume da carreira que lhes valeu o Mercury Prize). De toda sorte, Asleep in the Back é aquele bebê que nasceu mais bem acabado que muita carreira adulta. Chupa, Gwyneth Paltrow.

[10 dez 2009 | por Leandro Vignoli | Um Comentário | 3.111 views]

[mycool álbuns da década]

Radiohead – Kid A [2000]

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Não, não estava nada no lugar certo. O Radiohead de Kid A chegou ao seu quarto disco abandonando as guitarras, as melodias, as letras gigantes cheias de sentido. O Radiohead abandonou a chance de vender discos. Suicídio comercial é sempre o termo mais associado ao álbum, e não à toa. Toda e qualquer convenção foi deixada de lado pela banda, tudo que fez dela a responsável por um dos discos mais influentes dos 90’s (uau, e é só o disco justamente anterior ao Kid A) foi esquecido. A única coisa que sobrou foi o vocal de Thom Yorke, e com modificações robóticas de toda sorte.  Mas o fato é que tudo que o Radiohead conseguiu foi mais atenção: com sons eletrônicos, com disritmias, e com letras curtinhas sem o menor sentido. Bem, tudo que fez dela a responsável por um dos discos menos influentes dos anos 00’s. Justo por ser algo genial, sem igual, inclassificável, com mais coisas escritas sobre do que ouvido. Aproveite a ocasião. Faça isso agora. Que tudo está no seu lugar certo.

[9 dez 2009 | por Héctor Moraes | 3 Comentários | 2.573 views]

[mycool álbuns da década]

Wilco – Yankee Hotel Foxtrot [2002]

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Antes de Yankee Hotel Foxtrot ser um disco, ele é um exemplo. Quando recebeu o álbum, a Reprise Records (Warner) não quis lançá-lo, alegando que não era comercial. Então o Wilco comprou as fitas da gravadora pela bagatela de $50,000 e caiu fora. Disponibilizou o disco na internet em formato stream e, quando lançado, Yankee Hotel Foxtrot vendeu. E vendeu bem.
O crítico musical Greg Kot abre o documentário I Am Trying To Break Your Heart, lançado em 2002, e que mostra Wilco em estúdio gravando Yankee Hotel Foxtrot:

“de certa forma, eles fizeram o disco mais ambicioso até hoje. E ambição não é sinônimo de recorde de vendas. Sabe? Quer dizer, isso não é… Isso é majestoso, denso, é obra prima.”

E ele não está exagerando. Com esse disco a banda criou melodias simples (Jeff Tweedy e o multi-instrumentista Jay Bennett, que deixou a banda, foram os principais compositores) e instrumentais que flertam com o experimental, ricos em detalhes e texturas. I Am Trying To Break Your Heart poderia ser gravada apenas com violão e voz, como aparece na abertura do documentário. Mas não. A profundidade criada pela colcha de retalhos que é a parte instrumental faz com que você escute um detalhe diferente a cada vez que ouve a música.  Em Radio Cure, por exemplo, há ruídos que, para os mais desavisados, poderiam ser uma falha na gravação.  Mas é apenas um dos detalhes que complementam o clima. Em seguida, tudo faz sentido quando você ouve Tweedy cantando “Oh, distance has no way of making love understandable”. E ele está mais do que certo. Na onda de músicas sobre os atentados de 11 de setembro, Ashes of American Flags é, sem dúvida, um dos melhores resultados, com frases como “I wonder why we listen to poets when nobody gives a fuck” e “I know I would die if I could come back new”. Heavy Metal Drummer (é a música mais pop da banda em seu disco mais experimental) tem uma das mais fodásticas letras dor-de-cotovelo da história: “Shiny shiny pants and bleached blond hair/ A double kick drum by the river in the summer/ She fell in love with the drummer” (…) “I miss the innocence I’ve known/ Playing Kiss covers/ beautiful and stoned“. Simples assim. Sem firulas, sem rodeios. Puro. E quem já perdeu a jogada pra alguém que usava calças brilhantes e/ou de couro e fazia covers de Hard Rock farofento sabe como isso é deprimente. E se o concorrente era feio, pior ainda. O curioso é que Heavy Metal Drummer inicia com uma bateria eletrônica ou algo que o valha. Vingancinha? Talvez. Fato é que se estivesse fazendo o review de um lançamento, ainda comentaria aqui mi-nu-ci-o-sa-men-te War on War, Jesus, Etc (excelente letra), Poor Places e Reservations. Yankee Hotel Foxtrot é um dos melhores álbuns da década, sem a menor dúvida. É um legítimo discão-conceito-exemplo a ser seguido.

[8 dez 2009 | por Leandro Vignoli | 6 Comentários | 2.222 views]

[mycool álbuns da década]

White Stripes – White Blood Cells [2001]

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Numa década sui-generis em estreias de impacto, o White Stripes, quando apareceu aos olhos de todos, já tinha rodado todos os botecos ao redor da zona. Na tradição de bandas vindas de cidades industriais, Detroit, White Blood Cells transpira sujeira e oleosidade: o disco é o mecânico que mesmo depois do banho e de caprichar no perfume, permanece com aquele naco debaixo da unha, estático ali pela eternidade. Rock minimalista ancorado nas seis cordas, usando levemente o protótipo blues-country pra, a partir disso, tocar o horror, como se hard-rock-arena fosse. Época em que se via o vigor genuíno (e até por isso, ingênuo) de uma banda, que ao longo do tempo se perdeu diante do rotundo onanismo de Jack e a visível incapacidade de Meg em tocar coisas mais chato-elaboradas propostas pelo irmão. Em White Blood Cells, contrário senso, há música de extremo desleixo e sobremaneira pop-pegajosas; não há um único refrão e você canta junto ainda assim (Fell in Love with a Girl); sem riffs (exceção aqui e ali, como na destruidora Expecting) e você assovia as melodias. Se de fato “menos é mais”, os Stripes foram mais adiante: “muito menos é muito mais”.

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