Articles in the álbuns da década Category
Arctic Monkeys – Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not [2006]
Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not foi lançado em janeiro de 2006, mas antes disso já tinha colocado em polvorosa o galerê internético que vasculha a net atrás de novidades, como quem esfola os dedos num tapete branco durante uma abstinênciazinha corriqueira. Com um punhado de sons rápidos, lotados de melodias simples que fazem o cara se sentir um bosta por não ter pensado naquilo antes, os Macacos do Ártico ganharam o mundo com um vocalista comum, um baterista que só deve ter ouvido róque a vida toda, um guitarrista simplório e um baixista esforçado. Talvez por isso os riffs sejam absurdamente simples (já tentaram tocar Fake Tales Of San Francisco? Éééé, amigo…), embora incrivelmente pegajosos. É impossível ouvir Dancing Shoes e não ter vontade de cair na noite. Still Take You Home faz neguin’ se sentir orgulhosamente proud cantando junto “What do you know?/Oh you know nothing!/Yeah, But I’ll still take you home” e, se estiver em casa, provável que queira cair na noite e… bem, você sabe. As baladinhas Riot Van, Mardy Bum e A Certain Romance formam a tríade pra ouvir no day after, quando você estiver prometendo pra si que nunca mais vai fazer tudoissodenovo. E nem vou falar de I Bet You Look Good… porque é certo que meio mundo skipa ela hoje em dia. Whatever People Say I Am That’s What I Am Not é um disco djóven, vigoroso e contagiante, pra ouvir de ponta a ponta.
Panda Bear – Person Pitch [2007]
Entre dezenas de discos do Animal Collective, foi justo no solo de Panda Bear onde se encontra o maior clima de caos organizado. Ele juntou, recortou, colou, lapidou, introduziu, aparou timbres e sons e samples e fez disso, composição. Introspectivo ao extremo, o niilismo do sujeito ressoa em coisas como “I’m not trying to forget you, i just like to be alone”, ou “coolness is having courage, courage to do what’s right”. O álbum onde mais cabe o termo “psicodélico” em décadas. Viagens de LSD pra Comfy in Nautica, ou Bob Marley surgindo em meio a fog em Carrots, ou Bro’s, um carrossel girando num filme de Danny Boyle, tudo junto e misturado, negão.
Sigur Rós – Takk [2005]
Não estamos falando de música ocasional aqui. Dificilmente você ouvirá uma banda como Sigur Rós enquanto faz a barba ou se depila. Eles imploram pela sua atenção, e caso você dê, a recompensa pode ser transformadora. Cada detalhe faz a diferença, cada acorde é pensado, cada melodia tem sua razão. Takk é o cume duma carreira que foi progressivamente melhorando, a olhos nus. Indissociável também pensar neles como uma trilha para o juízo final, o apocalipse, O FIM (alguns têm de ser os responsáveis pelo trabalho sujo nesse momento, ahn?). Não por muitos outros motivos, carrego a capa desse disco no braço e seria imbecil não achá-lo um dos melhores da década.
Interpol – Turn On the Bright Lights [2002]
O cartão de visitas do Interpol, Turn On The Bright Lights, não podia ficar de fora dessa lista. O climão denso, triste e às vezes letárgico, formado por ótimas melodias de vocal, são a tônica. Quase em câmera lenta, Untitled abre as cortinas com destaque pro baixão de Carlos D, que dá voz pra linha simples mas eficiente da bateria de Greg Drudy Sam Fogarino (thanks, Katia!). Aliás, esses dois são peças fundamentais no Interpol, vide o entrosamento da dupla em Obstacle 1 (um dos pontos altos) e as inúmeras vezes em que as guitarras seguem quase retas, mas a cozinha garante todo o sabor da coisa (sem trocadalhos do carilhofazfavor). Em seguida, NYC ganha até os mais convictos de si com a frase de abertura: “I had seven faces/ Thought I knew which one to wear”, com umas das melodias mais belas e tristes do disco. PDA e Say Hello To Angels dão um pouco de velocidade a função toda, com instrumentais que poderiam ser considerados simples, não fosse o baixo no contratempo. Provavelmente ao chegar na décima faixa, você já esteja se sentindo um tanto claustrofóbico, tamanha a densidade apresentada até aqui. Então, The New entra em cena como um resumo do disco: instrumental tranquilo e melodia de vocal suave e cativante, mas que desmancha, quando um riff de guitarra que lembra uma sirene explodindo toma de assalto a calmaria, sustentado por um baixo com timbre grave, grande e gordo, como um bom timbre de baixo deve ser. Leif Eriksson encerra a função toda, e vou citar apenas um trecho da letra: “She swears I’m a slave to the details/But if your life is such a big joke, why should I care?” E aí, depois de 48min e 49 seg de melodias menores, vocais introspectivos e guitarras ásperas, você finalmente saca que Turn On the Bright Lights não é apenas o nome do disco. É, definitivamente, um pedido.
The Killers – Hot Fuss [2004]
A banda do galã Brandon Flowers conquistou e bem rápido desconquistou a massa indie genuina, pelo simples fato de não ter tido a capacidade de produzir nada com uma genialidade superior a Hot Fuss. A febre, que começou com Somebody Told Me, tomou proporções extraordinárias, fazendo com que até pagodeiros se questionassem a verdadeira significância do refrão: “somebody told me you had a boyfriend who looked like a girlfriend” #truestory. Enquanto isso, All These Things That I’ve Done virou o hino indie do ano, onde a unanimidade dos skinny jeans cantava com todo o ar de seus pulmões: “I got soul, but I’m not a soldier”. Jenny Was a Friend Of Mine, Smile Like You Mean It e Glamorous Indie Rock & Roll arremataram com destreza um álbum que, se excluísse Andy You’re a Star, teria todas as faixas merecedoras de um botão repeat com duração de meses. Destaque mais que óbvio pra Mr. Brightside, que embrulha o estômago até da pessoa mais bem resolvida do mundo, quando canta: but she’s touching his chest now, he takes off her dress – e daí adiante só piora.
Hoje a gente inaugura aqui no mycool uma série com os melhores álbuns da década. Dura até o final de Dezembro, e vai ser um post por dia onde comentaremos quais foram, na nossa opinião, as obras primas musicais desses dez últimos anos. Estreando com:
Queens Of The Stone Age – Songs for the Deaf [2002]
Entra na categoria de grandes discos culhudos de uma década. Aquele onde cada instrumento foi mixado a modo de estourar todos os tímpanos. Josh Homme cunhou os melhores riffs de sua carreira (tudo afinado em grave), o careca Oliveri se despediu da banda com o baixo cavalar que o QOTSA nunca conseguiria igualar, e Dave Grohl espancou sua bateria como uma criança endiabrada. Os destaques ficam para as “não-conhecidas” God is in the Radio, Sky is Falling e a chuta-bundas First it Giveth. Sem uma faixa ruim sequer, é um disco que cunhou até hits de rádio (No One Knows e Go With the Flow) e a potencial melhor balada da década: Mosquito Song (num inacreditável juntamento de cordas e sopros e o inspirado Mark Lanegan nos vocais).
















