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Na melhor pegada DIY a gente fez essa entrevista com o Alexandre Soma, ilustrador do fanzine do mycool de Junho. Sim, pra quem não sabe agora a gente tem fanzine galere, e ele é lindo! Tá sendo distribuído nos lugares mais descolados de São Paulo, Curitiba, Floripa e Porto Alegre, então garanta o seu enquanto ainda tem. O babado é bimensal, e se você quer saber onde achar uma cópia, está interessado em levar o zine pra sua cidade ou ilustrar a próxima edição, já sabe né, manda um e-mail: marketing@mycool.com.br
O Ale é ilustrador, carioca e frito há muito tempo; faz um trabalho fantástico e nessa entrevista ele explica um pouco pra gente como funciona seu processo criativo e como está sendo seu caminho pelas artes. Mais sobre ele no site Cromossoma e no seu Flickr.
Não só em música, mas imagino que em qualquer ramo cultural, é cada vez mais difícil criar algo que possa ser considerado distinto ou que simplesmente vá em direção oposta aos últimos movimentos em voga e que quase todos, conscientemente ou não, acabam fazendo parte.
Bom, isso porque você provavelmente ainda não conhece Hook and the Twin. Ao produzir música semiautomatizada e fazendo parte da compilação Brand Neu! eles estão conquistando o seu espaço no topo. Semana passada eu tive uma ótima conversa com eles tanto para entender melhor o som e o background dos caras, mas também para falar sobre Londres, Brasil e guias turísticos. Confere aí:
Eu não sei muito sobre vocês. Será que vocês poderiam contar um pouco sobre a dupla e a música de vocês?
Bom… A gente vive em Londres e faz música semiautomatizada com o nome Hook and The Twin. O que você já ouviu?
Eu gostei muito de de Race for The Bone e Bang Bang Cherry. Curti muito mesmo. E o vídeo do Race também. Realmente maravilhoso.
Ficamos contentes. Fizemos esse vídeo numa sala coberta de tinta branca e farinha.
E como funcionou? Aliás, eu também queria aprender a fazer oobleck!
Você não estaria fazendo essa cara se tivesse visto aquilo no prato.
Por quê? Muito nojento?
É um negócio muito estranho. A gente viu umas filmagens científicas que alguém tinha feito em que eles explodiam oobleck com som em alto volume e faziam ele se elevar e dançar daquele jeito. Acabam se criando essas formas incríveis que parecem umas figuras meio demoníacas se contorcendo e entrando em colapso. Se você bater nele parece um tijolo, só que dá para deslizar os dedos para dentro como se fosse água. Possibilidades de afogamento terríveis.
Parece incrível! Como vocês tiveram essa ideia?
Tem um vídeo ótimo no youtube de pessoas fazendo o oobleck dançar como a gente fez (claro que não tão bem) e também gente correndo através de uma piscina inteira cheia disso. O cara que dirigiu o clipe, Willian Hall, tinha visto um filme na internet.
E quanto às suas influências musicais? O que vocês gostam de ouvir?
Nós ouvimos um monte de coisa. Recentemente muito David Bowie, muito música alemã dos anos 70 como Neu! e Harmonia – mais Eno e associados. Rádios ruins. Despertadores. Bandas novas como Ponytail, Post War years, Wooden Shjips… Que tipo de coisas você identifica na nossa música?
Não tem muito do que temos ouvidos ultimamente, mas pra mim tem muito de Foals; alguns dos sons me lembram eles. Mas fora isso soa super novo.
Interessante. Lamacq disse a mesma coisa! Estamos em uma compilação inspirado no Neu!. Chama-se Brand Neu!.
Então é assim que vocês gostariam de ser descritos?
“Novo” é bom. Eu acredito que como o Foals a gente tente misturar ritmos skittish, sons incomuns e letras com elementos melódicos bem “grudentos” – mas é claro que somos apenas dois e isso tem um impacto bem grande em como trabalhamos.

Claro.
Usamos muitos loopings ao vivo, gravando nós mesmos no palco e então reagimos imediatamente e gravamos mais camadas por cima.
Muito bom!
Valeu! É bem empolgante pra gente que consigamos fazer tanto barulho como uma dupla e que consigamos usar computadores para improvisar e tocar ao vivo e continuar nos sentindo autênticos ao vivo. Tem sido trabalhoso – tivemos que criar e construir nosso sitema, o que tomou um certo tempo. Daí quando começamos a tocar era bem frenético e bagunçado, um monte de fios para todos os lados e correndo de máquina para máquina. Mas parecia que a gente tinha praticamente dominado a técnica. Fizemos uma trilha ao vivo para o Metropolis em janeiro – 2 horas, semi-improvisado – e isso realmente nos permitiu explorar o que o sistema podia fazer e como melhor utilizá-lo. Foi só então que aprendemos como fazer apropriadamente música ao vivo com ele.
Há quanto tempo vocês trabalham juntos?
A gente se conhece desde que tínhamos 10 anos e fazemos música junto há uns 12. Tem muita coisa que ambos gostaríamos que o outro não soubesse. Mas faz apenas 18 meses que estamos fazendo o Hook and the Twin. 72 semanas.
O que vocês faziam antes? Como o som de você evoluiu nesses 12 anos?
A gente fez outras coisas – menos rítimicas. Nós vivíamos e morávamos no meio do nada, tocando em uma antiga base aérea abandonada em uma floresta. Um lugar incrível. A música refletia isso – mais fantasmagórica, mais suave. Para fones de ouvido ao invés de pista de dança. De onde você é?
Sou brasileira!
Acabei de ler um romance que se passa no Brasil. Fique super a fim de ir pra lá.
Onde exatemente se passava? Você lembra?
No livro chamava-se Heliopolis, mas eu acho que é pra ser em São Paulo.
São Paulo é enorme. Vocês definitivamente precisam ir!
Organiza um tour pra gente!
Adoraria!
Estamos bem livres depois do final de semana.
Tem um feriado chegando!
Vamos combinar.
Vocês conhecem alguma coisa de música brasileira?
Gostamos de Os Mutantes. Uma compilação da Tropicália de uns atrás. Eu gosto da trilha do Cidade de Deus. Gosto muito do funk brutal meio Morricone.
O que vocês curtem fazer em Londres quando não estão tocando? Eu adoraria umas dicas legais; cheguei há pouco tempo!
1. John Soane`s Museum – casa do século 18 do arquiteto/artista cheia de suas coleções – pinturas, sarcófagos, etc.
2. Caminhar ao longo da costa do Tâmisa na maré baixa – tem uma praia adequada no South Bank Centre. E centenas de cachimbos quebrados entre as pedras, cortesia dos fumantes vitorianos.
2. Lojas de discos no Soho – Phonica, Sounds of the Universe, Harry Moores.
4. Hampstead Heath. Lindo morro e lagos para nadar ao ar livre.
5. Barreia do Tâmisa à noite, do sul para o leste. Você precisa dirigir através do estado industrial no sul do Tâmisa e depois caminhar a última parte. Lindo.
Parece um ótimo Top 5!
Obrigado, é um prazer.
Muito obrigada!
Aproveite o verão.
Aproveitem o Brasil!
Vamos aproveitar. Você vai receber um cartão-postal.
Dá uma olhada nos ótimos vídeos, incluindo o Race for the Bone com seu oobleck!
Phuong-Cac Nguyen deixou a América do Norte mais de dois anos atrás pra começar uma nova vida em São Paulo. Ela se jogou no intuito de enviar colaborações sobre a cidade para blogs e sites tipo coolhunting.com e joshspear.com. No entanto ela encontrou na nossa querida Sampa inúmeras opções de como aproveitar seu tempo livre e decidiu compilar suas dicas favoritas num guia fantástico. O livro tem sido um hit entre os locais, então pra descobrirmos mais sobre como ela teve a ideia pro projeto, nós batemos um papo quase que infinito não só sobre o livro – mas também sobre os problemas sociais da capital, o lifestyle dos paulistas e a política brasileira. Dá uma olhada:
Eu não entendi direito, você é Americana, Brasileira…?
Americana
Ah tá. Pode nos falar um pouco sobre o livro? Pareceu muito interessante. Amei o layout também.
Vem de anos morando lá. Enquanto eu escrevia pro coolhunting e joshspear, recolhi um monte de informação. Também várias vieram naturalmente – eu sou super curiosa, e pra me manter ocupada eu fui descobrindo a cidade e conversei com pessoas e fazendo tudo isso sobre a cidade eu tinha toda essa informação e eu não sabia o que fazer com ela. Sabendo que tinha uma falta de livros desse tipo em São Paulo, achei que seria uma boa ideia fazer um livro e dividir essas riquezas.
Que ótimo! Quero muito ler!
Obrigada. A maioria das pessoas que trabalhou nele são brasileiros que moram em São Paulo. Eu queria apresentar uma visão real de quem está dentro mesmo.
Então você foi pra São Paulo sozinha e começou de lá seus freelas?
Sim. I tinha economizado um pouco de dinheiro de alguns trampos anteriores. Trabalhos nos EUA.
E o que fez você escolher São Paulo?
Foi umas das minhas paradas durante uma viagem à America do Sul que eu fiz em 2006, e quando eu cheguei lá me senti em casa – primeira vez na minha vida que eu tive esse sentimento sobre um lugar.
De onde você é nos EUA?
Sou de Los Angeles, Califórnia.
Nossa essa é uma mudança enorme! O que você mais ama e menos ama em São Paulo?
Mais: Não descobri totalmente ainda, mas eu acho que é a sensação de que tem sempre alguma coisa acontecendo, se movimentando, e eu gosto de fazer parte disso. Menos: a poluição – como resultado minha acne voltou com tudo.
Sim é horrível! Mas essa sensação de movimento não é uma coisa que toda cidade grande tem? Essa ideia de que tem sempre alguma coisa acontecendo?
Sim, acho que sim, mas eu já visitei vários lugares… tem algo diferente no movimento de São Paulo… talvez seja porque ainda está em desenvolvimento – mas eu também amo as pessoas de lá.
O que você ama neles?
O pessoal é tão legal! E gente de outros estados brasileiros reclamam dizendo que paulistano é esnobe (de volta à questão da cidade grande), mas eu conheci tanta gente fantástica por lá, pessoas de todo o Brasil vêm pra SP.
Eu acho que os paulistas são os melhores!
hahah você é uma paulista?
Sim! Mas morei grande parte da minha vida em Porto Alegre.
Ah pessoas de lá são legais também! Muitos dos meus amigos são do sul.
Então você aprendeu um pouco de português?
Sim. Sou fluente.
Massa! Foi difícil?
Olha, depois de ter que lidar com a gráfica, eu sou definitivamente fluente! Mas sim, foi difícil, mas depois de 6 meses eu conseguia ser entendida.
Ah então foi rápido!
Eu sabia que tava mandando bem no português quando conseguia reclamar com todo mundo sobre trânsito e poluição. haha
Hahaha. E foi aí que você se tornou uma paulista!
Hahahah. Exatamente!
Genial! Então, você pretende traduzir o livro pro português?
Sim, isso está nos planos. O livro praticamente se extinguiu no Brasil já, mesmo sendo em inglês.
Nossa isso é fantástico! Parabéns!
Sim eu tô chocada, sério.
Onde você morava em SP?
Vila Madalena
Então como você descreveria SP mais detalhadamente? Porque a ideia que as pessoas têm do Brasil é de ser um país com praias por todo lado, meninas de bíquini bebendo caipirinha e sambando o dia inteiro. Mas nós duas sabemos que não é verdade.
Definitivamente. Bom, SP é uma cidade moderna onde você compra azeitonas importadas da Itália e fica preso no trânsito assim como em NYC, mas combinando isso com uma cultura brasileira super forte você tem um lugar super único.
Daí no livro você descreve os bairros principais?
Sim.
E que tipos de dicas você dá exatamente?
Restaurantes, bares, boutiques, riquezas escondidas.
Então você diria que o público alvo é mais alta sociedade?
Nãooo! É pra pessoas que trabalham na indústria criativa, tipo artistas, designers, arquitetos, escritores.
Certo.
Então não alta sociedade – quando eu penso em alta sociedade eu penso em super rico e meus leitores não são super ricos. Mas também não são sem sucesso, se é que isso faz algum sentido.
Faz todo sentido. Você planeja escrever outro guia?
Escrever não sei mas produzir alguns mais dentro da série Total. Eu preciso de um descanso antes de considerar escrever outro livro. Eu gostaria de contratar alguém pra escrever o próximo!
Alguma ideia de cidades?
Sim – vou ficar pela America do Sul. Mas a próxima cidade vou ter que manter segredo por enquanto.
Você pode nos dizer quais são seus lugares favoritos em SP? Tipo um top 5 talvez?
Bar do museu, praça por do sol, filial, o centro histórico da cidade, a área árabe e o Bras. E claro que o meu bairro! Mas aí seriam 6 e você pediu 5.
Então você ainda está morando em SP? Pensei que tivesse de volta a LA.
Voltei pra LA pra lidar com compromissos do livro, mas volto pra SP esse ano. Todas as minhas coisas estão lá!
Como os brasileiros reagem geralmente quando você diz que é americana? Uma pergunta meio idiota, mas fiquei curiosa.
Eles são super curiosos, amam americanos e ainda por cima sendo asiática, eu sou definitivamente uma espécie interessante. Eles se perguntam porque diabos eu me mudei pra SP quando todos eles querem se mudam pra América.
Exatamente! Você acompanhou nossa política? O que você pensa a respeito?
Sim um pouco e eu achei fascinante a burocracia absurda, a corrupção, mas eu vejo que tem algum corações bons no governo, tentando fazer a coisa dar certo, tentando lutar contra esses aspectos. E está funcionando, porque o Brasil está crescendo e sendo aceito no mercado mundial.
Sério? Você realmente acredita nisso?
Sim – dá pra ver mais num nível local. Eu não entendo muito da política nacional, meu português ainda é fraco nessa área, mas mesmo assim mesmo que brasileiros sejam obrigados a votar, e nós nos EUA não somos e ainda assim somos muito mais envolvidos quando o assunto é campanhas, eu acho que os brasileiros deveriam se interessar mais profundamente em ajudar a moldar a mudança. Mas é muito complicado porque a maioria deles não confia no governo. Esse é um sentimento que muitos brasileiro dividem comigo, que eles adorariam se envolver mais, mas que é tudo meio que sem esperança.
Sim é exatamente o que eu penso. E é a razão que me fez sair do país, junto com a criminalidade, que é relacionada, claro.
Sim, definitivamente. O crime é uma loucura se comparado aos EUA. Eu acho que é por isso que paulistanos são tão especiais… eles têm que lidar com tudo isso e ainda assim conseguem manter uma visão feliz e positiva da vida. Isso é fantástico pra mim. Eu amo SP com todos seus defeitos, tive dias que eu quis juntar tudo e me mudar pra outro lugar porque eu ficava muito frustrada depois de ouvir que algúem foi assassinado no meu bairro, mas eu não fui porque a cidade e as pessoas nela têm muito a oferecer.
Sim. É por isso que eu sempre digo que brasileiros podem ser miseráveis, totalmente pobres, morar num lugar de merda, mas eles estão sempre ali com um sorisso no rosto, fazendo seus churrascos dominicais e bebendo cerveja.
Sim totalmente. Na verdade, o que você diz é o que os meus amigos dizem ser o problema do Brasil, porque as coisas no governo não mudam. Ao invés de levantar e fazer alguma coisa, as pessoas não querem lidar com o problema e preferem focar no churrasco. Eu até entendo por um lado.
Triste verdade, Phuong muito obrigada! Tem mais alguma que você gostaria de dizer?
Bom eu definitivamente não teria conseguido sem meu time de fotógrafos e ilustradores! Eles acreditaram no meu projeto e o resultado transparece no produto final! Isso é tudo!













