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A história é assim: banda surge com o nome de Starfucker; banda acha que o nome estava soando ofensivo (?) e muda para Pyramid; banda acha que um “d” é pouco e três é demais e se torna Pyramiddd; banda vê que criou um complexo e desnecessário caso de crise existencial, chuta o balddde e volta a ser Starfucker – com um adendo para STRFKR, já que hoje em dia vogais são para losers.
Talvez tantos problemas de posicionamento tenham feito o grupo inglês de synth pop conseguir muito pouco destaque e nunca, de fato, crescer para a vida. Ou talvez porque, embora tenham feito algumas canções muito boas como Medicine e uma releitura sensacional do hit da Cindy Lauper, a banda perca mais tempo tentando decidir qual nome usar no outono do que em fazer boa música.

e se a gente chamasse Restart?
O que eu sei é que, embora o novo disco “Reptillians”, lançado no ínicio do ano, não tenha sido grande coisa, o novo single – que me havia passado despercebido nas poucas audições que fiz do álbum – é bem bom e tem um clipe que merece três minutos e 49 segundos da sua atenção – ainda mais se algum dia você já gostou de jogar RPG, antes de virar descoladddo.

Funciona assim: os gringos do Stereogum criaram o post um certo tempo atrás; o blog do Trabalho Sujo replicou semana passada; se você não viu, o MyCool te mostra, porque vale a pena.
Raridades audiovisuais revelam o que os artistas indies faziam antes de virarem as mega celebridades de hoje. Entre elas, a mais intrigante: o trailer do curta “Vampire Weekend”, projeto de 2005 de Ezra Koenig, que mais tarde batizaria a banda.
E esse cover-tosqueira de Talking Heads feito por um MGMT púbere que parece ter saído de um episódio do Seinfeld?
Também temos a vocalista do Sleight Bells, Alexis Krauss (aos sete e aos 41 segundos) fazendo comercial da Nickelodeon em 1997.
E outra celebridade-indie-infantil de comerciais, a frontgirl do Best Coast, Bethany Cosentino, que já foi menor que um Poodle.
Pra ver mais pérolas de artistas que foram do anonimato à NME, como Arcade Fire, Ben Gibbard (Death Cab), Robyn e Feist, saca os posts do Stereogum e do Trabalho Sujo. Seriam as crianças de hoje os indies de amanhã?
A coluna Quase Famosos segue a mostrar as bandas QUASE. Final dos anos 90, começo dos 00, a internet ainda não tinha o poder absoluto na criação de hypes. A maioria desse grupos aqui foram hypes por, digamos, DOIS DIAS. Bandas que nunca chegaram a decolar apesar da promessa. O processo os ruiu. Os legítimos nobody duma geração atrás. Alguns poucos lembram, tipo eu.
A história do The Cooper Temple Cause foi o sonho dourado de qualquer banda. Com apresentações em pubs e potreiros do tipo assinaram com uma grande gravadora e ali lançaram sua estreia com See This Through And Leave, em 2002. Boas músicas, boa atenção da imprensa (vulgo NME), videoclipe, tudo funcionando. O som não era dos mais fáceis, algo como fazer uma banda de prog-rock ser acessível aos ouvidos, com passagens longas, letras disconexas, solos, mas um vocal expert em ser grudento. O suficiente pra coisa decolar no segundo disco, Kick Up the Fire, and Let the Flames Break Loose, lançado só um ano depois. Chegou ao #5 da parada inglesa, com uma proposta (ainda) mais eletrônica, algo que o aclamado Muse viria a descobrir (e fazer) sete anos depois de maneira mais fiasquenta — a ironia implícita é que o guitarrista do CPC se chama Tom Bellamy, nenhum grau de parentesco com o queridão Matthew. “Promises, Promises” virou hitzinho, direito a ovação em Glastonbury.
Mas aí a coisa saiu dos trilhos. O baixista vazou pro Dirty Pretty Things no processo, a banda entrou numa pretensão gigante de fazer O álbum, e nesse ínterim a grande gravadora resolveu chutá-los. O novo, terceiro e último disco viria apenas quatro anos depois. Não saiu do limbo. O Muse já tinha roubado e aprimorado a ideia. O vocalista Dan Fisher resolveu vazar. Bellamy virou mixer-producer. Os outros quatro caras eu não sei. A banda acabou. Ninguém se lembra dela a não ser poucos viventes dispostos a desmascarar a banda mais medíocre a fazer algum sucesso. RIP.
A coluna Quase Famosos segue a mostrar as bandas QUASE. Final dos anos 90, começo dos 00, a internet ainda não tinha o poder absoluto na criação de hypes. A maioria desse grupos aqui foram hypes por, digamos, DOIS DIAS. Bandas que nunca chegaram a decolar apesar da promessa. O processo os ruiu. Os legítimos nobody duma geração atrás. Alguns poucos lembram, tipo eu.
Os Icarus Line eram da Califórnia e em 2001 lançaram seu álbum de estreia, Mono. Bem válido, bem culhudo, dava pra sentir um potencial, em meio a comparações jocosas com o que fazia o At The Drive-In. A banda se apresentava de vermelho & preto, mas perto deles o White Stripes ia parecer um conjunto de bolero (ruim). Aliás, com o bom resultado a banda foi contratada pela major V2 — a mesma dos Stripes – e aí que começou o bolor. A gravadora não fez nada (como produzir um vídeo, a menos que a banda pagasse), além de discutir as músicas, a capa, o visual, tudo. Ainda assim a banda lançou Penance Soirée, e o que se viu, foi mudança da água pro vinho. Um ótimo tinto seco e envelhecido vinho. “Virgin Velcro” ainda faz minha cabeça zunir.
O disco tinha uma estética aprimorada, não mais um “pós-hardcore”, mas uma mistura quase senil entre Stooges e Jesus and Mary Chain. Alan Moulder, o cérebro por trás da geração shoegaze, mixou o álbum. Um chute no cu da gravadora, ele foi apontado como dos melhores do ano por quase toda revista especializada. Robert Dimery, anos depois, socou ele em seu 1001 Albums You Must Hear Before You Die. O que não impediu metade da banda de vazar, nem o seu fundador Aaron North, que foi ganhar dinheiro tocando (até hoje) no Nine Inche Nails. A banda segue, mas se você ouvir o nome dela em algum lugar é um baita herói. As coisas, simplesmente, definharam. Minha parte eu fiz, usando “Up Against the Wall” de BG no meu ex-programa de rádio noturno, talvez a linha de baixo mais demoníaca dos 2000’s. Ninguém deve saber.

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George W. Bush foi presidente dos EUA de 2001 a 2009, e antes disso, foi governador do Texas entre 95 e 00. Uma época que agora pode ser chamada de negra. E nada mais como visionários do caos, o Lift to Experience lançou seu álbum de estreia, Texas-Jerusalem Crossroads, em 2001. Após tocarem no SXSW em 2000, diz a lenda (ou o Wikipédia) que Simon Raymonde e Robin Guthrie (dupla central do Cocteau Twins) se impressionaram tanto que assinaram com a banda no mesmo dia. Foram os dois que produziram o disco do trio, de Denton, no Texas. O álbum tinha um conceito, extraído de uma das faixas: três garotos do Texas cheio de coisas na cabeça até que o Anjo do Senhor aparece pra eles dizendo [entre outras coisas]: os EUA são o centro de JerUSAalém”. Um conceito de EXTREMA demência e as músicas de EXTREMO culhão guitarreiro. “These Are The Days” mostrava bem o espírito da coisa, no único videoclipe da banda, em versão editada dos seus oito minutos.
Naquele 2001, se você procurar, eles tocam no Reading e noutra penca de festivais ingleses. No fim daquele ano, se você procurar, o disco estava em (quase) todas as listas dos melhores do ano dos sites e revistas cool. Um acinte de shoegazer e psicodelia, distorções estourando os ouvidos por tudo que é canto, vocal pastoral à Jeff Buckley, e letras bizarramente flertando em ideias bíblicas e cristãs. Era estranho todos gostarem. Mas aquele é o único ano registrado na biografia deles. O Lift To Experience acabou. Ninguém sabe quando nem por que. Ficou só com aquele álbum. O vocalista Josh T. Pearson tem um trabalho solo QUE SÓ EU CONHEÇO (embora tenha queimado o filme aparecendo em duas faixas do debut da Bat For Lashes). Tô na espera do 2º até hoje.
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A história dos The Delgados, de Glasgow, era bem evolutiva. Tinham o seu próprio selo, o cultuado na cena Chemikal Underground, por onde lançaram seus três primeiros álbuns. Musicalmente, também progrediam dum quase punk à Undertones para algo cada vez mais elaborado e requintado. O cume veio no terceiro, The Great Eastern, produzido por Dave Fridmann (o produtor cérebro de Flaming Lips). Com o álbum, concorreram ao prestigioso Mercury Prize de 2000, em que perderam pro disco do Badly Drawn Boy (whata fuck?!?). Petardos maravilhosos de rock e sinfonia como “Accuse of Stealing”, “No Danger”, e o single “American Trilogy”, jamais poderiam ser esquecidos.
Tudo parecia ter decolado. Parecia, parecia mesmo. Já não mais sendo auto-lançados, a sequência com Hate era admirável, mas com uma carga meio deja vù. Não decolou. E o último álbum da banda viria apenas a concretizar um popzinho desesperado. Minha própria tese é que o Snow Patrol entrou no mesmo segmento, literalmente, patrolando. Não deu para competir. Largaram fora. Hoje a vocalista/baixista Emma Pollock lança discos solo, ajudada pelo namorado, o baterista Paul Savage. O vocalista/guitarrista não sei onde foi parar. Você se importa? Não, né. Eu me importava. Não adiantou.

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E a história do My Vitriol começou com uma porção de singles de boa repercussão na Inglaterra. Seu líder era Som Wardner, nascido no SRI LANKA (#chupaqui M.I.A), esquisito, herói em pedais de distorção. A banda dava um pontapé no renascimento do chamado shoegazer. Seu primeiro disco, Finelines (2001) é uma coleção de pérolas de guitarreira e barulho de poucos minutos. Começaram a emplacar hits no Top 40 do Reino Unido, em especial com “Grounded”, clipe com Vincent Gallo.
Aí foram semi-estrelas de todos festivais de verão, várias aparições no Top of the Pops, contrato para lançamento nos EUA. Tava tudo muito foda pra eles. Mas aí…..Wardner anunciou que o My Vitriol tinha acabado. Não teve segundo disco. Apenas acabou. Voltaram recentemente, mas agora tudo o que resta é a cinza de algo que talvez tenha dado certo. Wardner, covarde, devia ter se matado e virado mártir.

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Nada mais representativo começar isso com Six By Seven. De Nottingham, interior inglês, seus três primeiros álbuns são, porque não dizer, geniais. A “trilogia dos artigos” (The Things We Make, The Closer You Get, The Way I Feel Today) de forma inusitada foram lançadas até em versão nacional.
A banda chegou a lançar outros discos, já segura apenas pelo líder Chris Olley e mais tarde ruiu de vez. A grande real é que o Six By Seven tinha guitarras demais, barulho demais, viagem demais pro ATOLEDO da tal cena “new acoustic movement” que surgia com Travis, Coldplay e Starsailor. Mesmo que as coisas tenham sucumbido ao ostracismo, estamos aqui, relembrando uma das grandes canções da última década. So Close, gravada ao vivo, sem overdubs, é registro visceral de paixão sem medo de se expor.














