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Ainda bem que o verso que origina o nome dessa coluna foi escrito pelos Titãs e não pelo Lobão, não é mesmo amigos?
Abrimos com o Strip Steve, que emplaca aqui mais um excelente vídeo. Feito a partir de imagens do Google Earth, Hood mostra uma penca de lugares diferentes do mundo – incluindo nosso Braziu-brazileiro. Só senti falta da mineira que trupicou no chão.
Quem também aparece pela segunda vez na coluna é o Dan Deacon em mais uma de suas sensacionais porra-louquices.
Belíssimo clipe SOHN! Agora quero ver fazer um igual com takes da Nana Gouveia em desastres.
Pooh, seu malandrinho sem calças!!
Encerramos matando as saudades de vídeos de mulher pelada por aqui. Quer dizer, não são exatamente mulheres em carne e osso, mas pra quem é punheteiro como o protagonista desse clipe, qualquer Date Ariane já serve.
IS TROPICAL – “Dancing Anymore” / NEW SINGLE! from Maison Kitsuné on Vimeo.
A mais nova animação brasileira tem traço de desenho da Disney, aura de superprodução, apelo sexual e romântico, destemido recorte histórico-político e blockbuster approach. Uma História de Amor e Fúria, de Luiz Bolognesi, apresenta o amor secular vivido por um índio tupinambá e Janaína, sua amante idealizada, que atravessa gerações até chegar ao ano de 2096. No entanto, patina ao valorizar o passado da trama em detrimento ao futuro, justamente seu segmento mais interessante. O texto repleto de clichês não ajuda no resultado final.
O tupinambá dublado por Selton Mello é um guerreiro imortal divinamente escolhido para liderar seu povo no combate aos invasores europeus em 1566, na região conhecida hoje como Rio de Janeiro. Derrotado em sua tarefa e desiludido pela morte de Janaína (Camila Pitanga), o índio assume a forma de um pássaro e voa para o Maranhão, para esquecer seu amor.
Porém, o herói desacreditado assume novamente a forma humana ao reencontrar sua amada no corpo de outra mulher por volta de 1800. Os encontros e desencontros do casal ultrapassam gerações, acompanhando alguns dos principais momentos históricos do Brasil, como a colonização por portugueses, a revolta popular da Balaidada no século 19, o regime militar e os movimentos revolucionários dos anos 1960, e a consolidação das favelas e da criminalidade nos anos 80.

Com quase 600 anos de idade e após ter vivido como um índio, um rebelde maranhense e um guerrilheiro contra a ditadura, adotando assim diversos nomes, nosso herói chega a 2096 como jornalista em um Rio de Janeiro que desponta como uma megalópole tecnológica global, socialmente desigual e erguida sobre uma cidade antiga praticamente abandonada, inserida em um cenário mundial de crise provocada pela falta de água potável.
Apesar do interessante posicionamento político, que situa o protagonista ao lado das urgências sociais dos oprimidos, proporcionando um resgate moral contra a regular faceta histórica e política dominante, Uma História de Amor e Fúria perde um pouco do foco de atenção ao se prolongar demasiadamente no passado, quando justamente a parte mais interessante do filme é seu momento futuro.
A história do amor pregresso dos protagonistas poderia muito bem ser contada em um ritmo mais acelerado, em um formato mais condensado, ainda assim sem perder o poder de identificação dos protagonistas com o público. Dessa forma, a parte da animação que se passa em 2096 poderia ser mais explorada pelos realizadores. O visual do Rio futurista é ótimo, apesar de ser megalomaníaco em se tratando da época proposta. Mesmo assim, indica o poder imaginativo dos criadores do longa sobre este período. Mais uma prova de que a parte final da animação poderia ser melhor aproveitada.
Apesar disso, uma das boas definições propostas pelo filme é sua visão adulta ao tratar sobre temas controversos, seguindo uma cartilha livre em termos discursivos, algo muito comum em animações estrangeiras. Bolognesi não faz rodeios para exibir cenas de nudez e sexo, tampouco abaixa o tom ao tocar em violência, estupro, assassinato, canibalismo, máfia corporativa, assédio moral e abuso de menores. Tendo em vista o teor histórico e político da obra, o cineasta mostra-se firme ao analisar temáticas que são tradicionalmente manipuladas de forma branda ou omissa por parte do cinema e da TV no Brasil.
Por outro lado, não há desculpa para as toneladas de clichês que são despejadas sobre o público constantemente. Frases estilo “minuto de sabedoria” não tem sentido em uma obra que ousou revisar o Brasil histórica e politicamente. “Viver sem conhecer o passado é andar no escuro”, “Mesmo sem perceber, todo dia estamos lutando por alguma coisa”, “Cada segundo ao seu lado é uma eternidade” ou “A cada dia escrevemos uma nova página da história” causam profundo mal estar.
Além disso, algo que pessoalmente não me agrada é a participação de atores conhecidos para dar voz aos personagens principais. Claro, a opção de convidar estrelas para interpretar animações é recorrente no cinema internacional, e por uma série de motivos, sendo a necessidade de alavancar bilheterias provavelmente a principal delas.
No entanto, para brasileiros, a barreira de línguas estrangeiras como o inglês atenua a sensação de ouvir pesos-pesados do star system gringo dublando desenhos. Já no caso do português, torna-se muito mais difícil se distanciar da imagem dos atores enquanto os mesmos interpretam falas que são exprimidas por personagens animados. Os rostos de Selton Mello e de Camila Pitanga não estão na tela, mas não é difícil “vê-los” em cena. O mesmo ocorre com Rodrigo Santoro, que dubla o cacique antropófago Piatã.
Imagino que atores desconhecidos (ou não tão populares) possam cumprir melhor a meta de dar credibilidade e teor dramático a uma animação nacional, para que ela seja realmente desvinculada da “realidade material” em que vivemos. Considero prejudicial ao filme ouvir (“ver”) Selton sobreposto à figura do protagonista, assim como ocorre com Camila. São bons atores (que em Uma História de Amor e Fúria nem foram tão bem assim, é verdade), mas suas personas jogam invariavelmente uma sombra sobre seus personagens.
O uso de atores menos bombados em animações nacionais poderia impactar negativamente a arrecadação da bilheteria? Tirar o glamour de ter nomes de peso no elenco? Tornar o processo de divulgação da obra mais trabalhoso? Provavelmente sim. Mas a obra em si sairia ganhando.
Uma História de Amor e Fúria estreia no dia 05/04.
[Imagem via Site dos Menes]
Saudades dos bons tempos de #rocknacional. Saudades de quando o Ultraje A Rigor era uma banda foda e o Chorão queria apenas dar porrada e mandar tomar no cu, sem nem sonhar em morrer de overdose aos 43 anos. Saudades de quando o Roger era o cara mais inteligente do Brasil – pelo menos até ele bater a cabeça e começar a cobrar a Dilma e os ~~petralhas~ pela velocidade da internet dele estar ruim. Saudades de ter saudades de uma época a qual mal vivi ou costumava viver [via @claricelispector].
Valeu Holger, ficou do caralho!
Vi no Popload.
Esqueça o que você acha que sabe sobre ‘baile funk’ e descubra o som do futuro do Brasil. É assim que começa um artigo da revista Spin postado ontem sobre o efervescente underground eletrônico ~brazzuca~.
Philip Sherburne, o autor do artigo, conta que recebeu por e-mail de Chico Dub – DJ e produtor cultural carioca, curador dos festivais Novas Frequências e Sónar SP – uma compilação de tracks interessantes de produtores novos, boa parte recém começando as primeiras composições, sem sequer vínculo com algum selo. Passeando por uma penca de vertentes, a coletânea – batizada por Chico de Hy Brazil Vol 1: Fresh Electronic Music From Brazil 2013 – traz artistas já destacados aqui no blogue como Psilosamples, Pazes e Strausz, nomes mais renomados como Leo Justi, Jaloo e Tropkillaz [projeto do DJ Zegon] e uma penca de gente nova e ainda desconhecida, como o paulistano Sants. Uma ótima pedida pra quem acha que o Brasil se resume a Naldos e Valescas.
Todas as tracks à exceção da primeira podem ser downloadeadas. Pra sacar mais detalhes e ler uma entrevista tranzuda com o Chico Dub – na qual ele enfatiza uma nova cena de produtores nacionais e a importância dos festivais de música avançada no Brasil – é só sacar o artigo na íntegra aqui.
E não tinha como ser mais apropriado. Não somente porque o indie está cada vez mais repetitivo – ou morto, como preferirem. Mas vejam só… no feriado de Halloween, quem dá as caras é a turma do “Feriado do Vampiro”!
Sim, estávamos todos com saudades do Vampire Weekend, e foi em um momento tão oportuno que a turma de Ezra Koenig resolveu revelar uma nova música para o mundo, através do Jimmy Kimmel Live!.
Uma pena que eles tenham se transformado em esqueletos mexicanos, mas acho que isso não vai os impedir de gravar um bom terceiro disco.
* Aproveitem que neste exato momento — 17:17h de 01/11 — o vídeo só tem 302 exibições e, parece, ainda não foi disseminado pela blogosfera brasileira. Vai lá ver logo antes que bombe e garantir a sua insígnia indie!
Iniciativa muito bacana essa do membro da banda Hidrocor, Marcelo Perdido [não me ocorreu nenhuma piada com o nome, perdão], de fazer um Telecurso 2000 pra apresentar os novos sons do Brasil-sil-sil-imagina-na-copa.
Essa foi a primeira edição, que saiu semana passada, e conta com clipes de Tulipa, Nana, YouDoMeToo, Bárbara Eugênia e Rafael Castro. Você, sedento por conhecimento, pode seguir o canal do cara [novamente, sem piadinhas] e ficar no aguardo das próximas aulas.
Vi no Miojo Indie.
* Eu só colocaria essa aqui na sessão da matemática.
Pazes, nome de guerra (HAH) de Lucas Febraro, é um garoto de Brasília que produz música eletrônica não-dançante, experimental, numa vibe meio Flying Lotus/Four Tet/Galera-da-IDM-que-o-Thom-Yorke-adora. Foi revelado pro mundo depois de ter sido o único brasileiro selecionado pra Red Bull Music Academy de 2011, tocou no Sonar SP deste ano também aqui em Porto Alegre no Instituto Goethe, em uma apresentação intimista e classuda pelo Kino Beat ao vivo.
Quem pôde conferir alguma performance ao vivo do rapaz deve ter na memória um dos momentos distintos do live: o cabeludão deixando um pouco de lado o macbook e a controladora MIDI pra se arriscar no vocal e manda ver numa releitura lindona de uma das canções mais lindonas dos Los Hermanos – que até quem detesta a banda curtiu, true story.
Fã ou hater, você certamente vai curtir também:
Bom, bom trocadilho, obg.
Fotos: @RedBullBR
Quem foi ao Club 688 na noite de quinta-feira pode apreciar um dos eventos mais incríveis que rolaram por aqui nos últimos tempos. O Red Bull Thre3Style é uma batalha de DJs que nasceu no Canadá em 2007 e, desde 2010, se tornou um desafio internacional, com 18 países escolhendo seus representantes para conquistar o título mundial. Ano passado, Porto Alegre foi sede de uma das etapas eliminatórias, no Beco 203; ontem foi a vez da final nacional rolar por aqui.
Entenda melhor como funciona o Red Bull Thre3Style.
Nas duas finais brasileiras até agora, o campeão havia sido o mesmo. Ontem não foi diferente, quando o mineiro Nedu Lopes confirmou o favoritismo e levantou o caneco pela terceira vez. Não à toa, o cara vai alavancando status de mito, tendo inclusive sido um dos destaques no Sonar SP este ano. Agora o rapaz é mais uma vez o Brasil na libertadores na grande final de setembro em Chicago, quando tenta conquistar o mundial pela primeira vez. Em 2010, bateu na trave e ficou com o vice.
Nedu Lopes no vice mundial em 2010:
A competição foi incrível: imagine ver sete monstros do freestyle – misturando pelo menos 3 estilos musicais diferentes – e do turntablism – a arte dos DJs que focam suas performances na técnica – degladiando entre si para ver quem consegue o maior equilibro entre técnica, repertório e agitação do público. Todos eles eram incríveis, dispondo de muito talento, criatividade e senso pop aliado ao bom gosto.
Alguns DJs, mesmo mandando muito, acabaram escorregando em pequenos detalhes que, assim como nos jogos olímpicos, são determinantes na escolha dos três jurados. Porém, quem imaginava que Nedu estaria em um nível muito acima se surpreendeu com nomes como o do curitibano Jeff Bass – apresentando um set impecável – além dos DJs Nino (RJ) e Renato Borges (GO). Entrando no inevitável cliché, quem ganhou com toda essa luta foi o público que estava presente na casa em bom número. Foi de se acabar na pista!
Completaram a noite os DJs Zegon – sempre genial – e Gabriel Cevallos, nosso bróder. Os dois também representaram, mantendo a qualidade de um evento fino como esse.
Sem jabás e exageros desnecessários, mas mais uma vez enaltecemos o papel da Red Bull, que se destaca mundialmente ao promover arte e cultura fundidas ao entretenimento em altíssimo nível. Dizer que foi espetacular é pouco.
Agora vai que é tua Nedu, bóra buscar esse caneco!!
(via @bibonunesshow)
Fazenda grande, sol, brisa do mar, um palco, lounges, alto astral, estrelas, lua, animaizinhos simpáticos e DJs e bandas escolhidos sob medida por uma produção muito bem feita comandando os bastidores. Essa é a fórmula do sucesso encontrada pelo pessoal da // (Slash Slash) pro festival mais tranzudo do litoral gaúcho, que teve o mérito de atrair desde os maiores hipsters das redondezas até a galera mais coxinha que frequenta sua faculdade.
O resultado não podia ser outro: diversão, clima sensacional e música de qualidade, em um evento que reuniu cerca de 5 mil pessoas na Fazenda Pontal, aqui no Rio Grande do Sul Céu Sol Sul Terra e Cor. No ano passado, se você lembra bem, o lance todo já tinha sido fantástico, mas dessa vez vimos uma evolução muito grande: “casa” cheia, mais ambientes — como tenda de casamento e espaço pra cortar cabelo — e mais atrações, além da conquista de um título improvável, a taça “Poucos Gaúchos Reclamando”.
Como a equipe do mycool esteve diretamente envolvida com o festival (discotecagem, produções, entrevistas…), não deu pra se concentrar tanto em fazer uma análise crítica dos shows, então pra disfarçar a falta de onipresença vou resumir as impressões sobre o que vi – que também não foi pouco.
Wannabe Jalva: Os caras são bons, e é por isso que pintam toda hora abrindo pros shows gringos por aqui. Os poucos que viram confirmaram isso. Destaque: O vocalista guerreiro, que estava lá se esfafelando de febre por causa do lanche contaminado do Pampa Burger (via @boatosurbanos), mas não pipocou.
Penguin Prison: Um show razoável de um artista que tem potencial, produziu dois singles bons, mas ainda é muito pouco conhecido pra atrair tanto público e cativar as massas. Destaque: O começo, com os hits Golden Train e The Worse It Gets.
The Rapture: Melhor show do festival, daqueles que atraem menos gente, mas são mais conceituados. Arrebentaram com a boca do balão em um set certeiro, com uma performance tão boa que até as músicas mais chatinhas ficam ótimas ao vivo. Destaque: A entrada e a saída, com respectivamente In The Grace of Your Love e How Deep Is Your Love.
Mayer Hawthorne: Se existe um paradoxo tão grande como um “coxinha hipster”, ele se chama Mayer Hawthorne. Músicas de qualidade e performance de Black Eyed Peas fizeram a alegria da galera. Destaque: As baladinhas pros casais dançarem bem juntinhos agarradinhos mimimimi à luz das estrelas. #somoscafonassim
CSS: Uma banda remendada que deixou as crises com o ex-baixista e faz-tudo Adriano Cintra de lado e agitou até os cavalinhos do estábulo. Talvez o tempo delas tenha passado, talvez não consigam mais compor músicas daqui pra frente, mas ninguém estava nem aí pra isso. Destaque: A energia, o carisma e a Lovefoxx depois de tirar a camiseta.

Breakbot: É tradição que os grandes DJs encerrem a noite de um festival, mas fico de cara. Sempre na hora dos sets geral tá podre querendo dormir, e tive que ir embora no meio porque fiquei com medo de andar no mato sozinho e virar comida de dinossauro. Do que eu vi, foi uma apresentação de nu disco impecável. Destaque: A coerência de um set calcado na Disco, com loops e mixagens muito bem feitas.
The Twelves: Fui forçado a entrar no ônibus e roncar até o caminho para casa. Me perdoem. Destaque: Eu e meu amigo Rocky subindo até o templo de Kami-Sama para pegar as sementes dos deuses, até chegar lá e me encontrar preso em um porão com uma mulher sensual de saia de cartolina que queria me decapitar.
Por fim, só posso mandar um gigante parabéns pra todo o pessoal que participou da produção, organização e estrutura, que estavam mais que demais – além de agradecer eternamente à chefe Babi Mattivy pela oportunidade de mostrar meu trabalho como DJ representando o mycool antes do show do Rapture. Temos agora cada vez mais atrações modernas e de qualidade pintando por aqui, o que começa a transformar nosso estado em uma referência — quem diria?
Reveja toda essa diliça cremosa na íntegra aqui:
Fotos: Rodrigo Esper.























