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O Twilight Sad é uma banda bem de nicho, pra um certo público bem definido, e daquela favorita de críticos. De uma constância excelente, são pouquíssimos os desvios na rota nas músicas da banda. Após três discos de arroubo shoegazer e muita distorção, No One Can Ever Know marca as paredes de guitarras se emaranhando em meio aos synths. E o toque eletrônico deixou o som da banda incrivelmente ESPECTRAL, uma coisa realmente sombria, quase dark, quase um The Cure em seus momentos mais góticos, só que ainda embanhado de orgânico — as guitarras não fazem mais o serviço de fazer barulho, mas o de ficar num constante background como um zunido. Ecoa uma óbvia influência de Nine Inch Nails, também.
As letras, que sempre tiveram uma morbidez ácida, ganharam em peso e circunstância agora que o lado soturno deixa você prestar atenção. Sem mencionar o SOTACÃO ESCOCÊS, um trademark vocal do líder e vocalista James Graham — em uma ouvida se percebe. Não é o disco mais indicado aos marinheiros de primeira viagem, e mesmo aos habituados com os outros dois álbuns, a digestão é demorada (gosto menos que os demais). Mas numa outra medida, não é algo definitivo após duas ou três ouvidas, ou digitando enquanto ouve. No One Can Ever Know é como um cachorro de apenas alguns meses, que vai precisar duma atenção muito mais direta e cotidiana do que um simples ossinho jogado.
No dia em que eu conheci o Kindness, o Totally Enormous Extinct Dinosaurs ganhou um concorrente à altura como grande promessa de 2012. O nome da vez é do britânico Adam Bainbridge, e pouco se sabe sobre ele. Pelo menos até o debut – com produção de Philippe Zdar [metade do duo Cassius e produtor de álbuns de Phoenix, Chromeo e Cut Copy] – ser lançado logo, logo.
Não se engane, porém, achando que o som do Kindness remete a um dos caras acima. Na verdade é difícil definir uma sonoridade, já que ele tem experimentado coisas diferentes. É basicamente música pop lo-fi de vanguarda, com uma pegada disco-funky futurista e mais introvertida e densa do que qualquer outro nome produzido por Zdar. Não entendeu? Azar [hehe].
Esqueça os subgêneros, as micro vertentes ou se ele tem alguma semelhança com Toro y Moi e Ariel Pink. O que importa é que dessa vez a gente tem aqui algo que REALMENTE vale a pena, com substância. Um dos artistas mais interessantes que você vai ouvir esse ano.
* Expect More. Be Kind.
** O debut “World, You Need a Change of Mind” vem ao mundo no próximo dia 23, via Modular Records.
*** Abraços e até o próximo semestre!
A gente segue vivendo o fim desse ciclo do Indie Rock [as we know it] e pode ir percebendo a erosão que a música independente vem sofrendo, até chegar o ponto em que uma nova cena se estabeleça do underground pro mainstream [ciclo natural da vida]. O que já da pra reparar é que os olhares de boa parte dos fãs, críticos e artistas do gênero – que na última década acompanharam desde o nascimento dos Strokes até a conquista do Grammy pelo Arcade Fire – tem se voltado pra outras vertentes, como Dubstep, Nu Disco, Hip Hop ou revivalismos garageiros.
O disco “Be Strong”, do duo The 2 Bears – formado por Joe Goddard, do Hot Chip, e Raf Rundell – é um bom exemplo do que podemos chamar de Indie House. Um resgate ao House tradicional, porém combinado com outras vertentes de Dance Music e até com pequenas parcelas de gêneros acústicos, como o Folk. Não que eles sejam pioneiros, mas se destacam por embarcar na tendência de fazer uma música eletrônica cada vez menos purista, acessível para outros nichos que não só no gueto do House-Techno-Trance-D’n’B.
A auto ironia indie também se faz bastante presente, já que mesmo ambos sendo heteros, se denominam como “Bears”, que é um tipo de gíria pra gays robustos e peludões. Além desses dois serem, de fato, grandalhões e barbudos, o nome é também vinculado ao fato de que o House começou e sempre se manteve muito popular na ~cena GLS~ — pelo menos até surgir a Lady Gaga.
Terminologias e preferências sexuais à parte, os dois ursões fizeram um disco simples com uma proposta simples, que funciona muito bem. Em “Be Strong”, as referências são homenageadas, o revivalismo soa contemporâneo e é um disco que funciona tanto na pista quanto nas tardes chuvosas em que você caminha a pé para ir até o psiquiatra e acaba tomando o maior caldo d’água da vida, estragando seu iPod e pegando uma pneumonia.
Enfim, “Be Strong” é mais um belo disco indie de música eletrônica que, ao mesmo tempo em que pode soar como “nada demais”, merece sua atenção; seja você rocker, raver, gay, hetero ou pansexual.
Disco: Be Strong
Artista: The 2 Bears
Lançado em: 30/01/2012 [estou esperando o 1o babaca reclamar que o disco é de janeiro]
Selo: DFA / Southern Fried
Produtores: Joe Goddard e Raf Rundell [DJ Raf Daddy]
Melhores faixas: O grande single Work, a faixa título Be Strong e Ghost & Zombies são os maiores destaques; Heart of the Congos, Get Together e Take a Look Around também merecem um lugar ao sol.
Quando não ouvir: Quando você estiver obcecado por guitarras.
Quando ouvir: Quando você não aguentar mais da mesma ‘fórmula indie’ [risos].
Pra quem gosta de: Hot Chip, Azarri & III, Hercules & Love Affair e Fred Falke.
Como já falei aqui, tudo o que sai a respeito do Gotye é divulgado nesse blog. Infelizmente não temos recebido cobertura de notícias mais importantes, como a marca de pasta de dentes que ele usa, suas revistas de jardinagem e as opiniões dele sobre Lana Del Rey, Noel Gallagher e Lady Gaga. Tudo o que sabemos sobre ele está relacionado à música, mas em breve nós corrigiremos este erro crasso.
O viral da vez é esse vídeo em que o coral PS22 apresenta sua própria versão do hit sentimental do cara, Somebody That I Used To Know. As crianças mandam bem pra caramba, mas o que impressiona mesmo é o fato de que eles vão com tudo, sem vergonha de serem ridicularizados pelas performances corporais.
Será que esse grupo é na verdade uma utopia em que todos convivem pacificamente e sem bullying? Será que simboliza a união dos povos, em que negros, brancos e asiáticos convivem pacificamente, se respeitando e encontrando na música a paz de espírito e o amor entre as nações? Ou será que os papéis nesse caso se invertem e os negros bullyam os brancos por serem maioria? Você acha que aquela menininha loira é ridicularizada e chamada de “Branca de Neve”, “Copo de Leite” e “Anã Albina?” Você acha que os garotos negros são contra os outros porque garotos brancos não sabem enterrar? Será que o menino gordinho não é chamado de “Barril Destampado”, “Pneu de Trator” e “Cintura de Ovo”? Será que o garoto de xadrez vai ser o novo membro do TV On The Radio? Você acha que eles conseguem ser espontâneos por que não sofrem/cometem bullying entre si ou por que os professores pedófilos colocam drogas nos achocolatados? Esse é o grande mistério do PS22. A verdade está lá fora.
Em homenagem a banda de Manchester – e porque o nome vem bem a calhar – temos periodicamente o “Happy Mondays”: as últimas faixas e singles lançados pra começar as segundas-feiras com mais alegria de viver, ou pelo menos dar uma força.
Sorria com alegria; pra te animar nessa segunda marota, tem música de belas garota! [não me culpem, aprendi a rimar com garçons fanfarrões de rodízio de pizza]
Tanto a Santigold quanto a Marina dos diamantes já nos mostraram novas faixas de seus respectivos próximos trabalhos, mas elas não tinham convencido. AGORA SIM, com Disparate Youth e Homewrecker da pra dizer que elas acordaram pra vida e mostraram que vieram pra deitar e rolar. Se tem gente [e torcida de futebol] que acredita que o ano só tá começando agora, essas duas podem dizer o mesmo. Confere:
Tá, a gente tem uma coluna especifica pra mostrar os vídeos mais tranzudos da semana. Mas dessa vez eu tive que destacar esse clipe do Tanlines porque, se não é revolucionário, é no mínimo vanguardista – ou algum outro adjetivo que dê status de inovação, pode escolher.
Posso estar errado [mentira], mas me parece que os pouco conhecidos Tanlines (que tocaram no Brasil ano passado, por sinal) são os primeiros a usar essa tecnologia 3D em um videoclipe, te permitindo rotacionar a câmera em uma viagem mUiTo LoUcA ao centro de um loft no Brooklyn.
A trama é praticamente nula, mas vale pela novidade. Se você clicar no botão de baixo mais da esquerda pode ver tudo sob um diferente ponto de vista em que você não entende mais onde está o sofá e onde está o piano. Ah, eles também fizeram uma música pra esse vídeo, chamada Brothers.
OK Go se contorce de inveja [novamente].
O M83 fez a cAbEçA da galera com o sucesso synth-shoegazer Midnight City no ano passado [2011 já é ano passado, que loucura hein? estamos ficando velhos :O]. Aí o senhor Emil Hewitt (não confunda com o ator Emile Hirsch), do promissor grupo Emil & Friends, foi lá e fez uma releitura daquelas de encher de orgulho o peito da mãe mais rancorosa – aquela que alfineta constantemente o filho por ter seguido carreira na música e virado vegetariano.
Tão bom que você só reconhece que é um cover do M83 porque leu no título.
Pode comparar:
É carnaval – olêlêlê, olálálá – e a época mais tranzuda do ano merece nada menos do que ritmos tranzudos. Pra losers como nós, que não estão enfurnados em algum litoral próximo contemplando um festival de bundinhas, resta apenas celebrar com a banda indie mais carnavalesca de todas, o Friendly Fires — que até já se apresentou com escola de samba.
Selecionei alguns dos melhores remixes feitos em cima do último disco do FF, e o resultado você confere abaixo [e os vídeos são bonitos pra caramba]:
*********** BOAS FESTIVIDADES SE TRANZAR NÃO DIRIJA SE BEBER USE CAMIZINHA *************
Pros mais antenados, nenhuma novidade no FF de hoje. Acontece que falar do produtor Aaron Jerome por aqui é o mínimo a ser feito pra reparar o erro de não ter bombado o cara nas nossas listas de fim de ano. “SBTRKT”, o autointitulado primeiro disco do rapaz (pronuncia-se Subtract, vocês sabem que é marca registrada hipster tirar as vogais) é top 5 de 2011 fácil, fácil.
SBTRKT, o Aaron, pode ser considerado um dos maiores representantes dessa nova safra de vertentes do UK Garage – gênero de bass music difundido nos anos 90, derivado do House e precursor do Dubstep. Ele também lembra uma versão mais acelerada do James Blake por incorporar bastante Soul e melodia. Então peço humilde e sinceramente: perdoem minha falha hipsters, eu também sou um ser humano com defeitos e qualidades; me perdoe produtor [literalmente] mascarado, só fui reconhecer sua genialidade em 2012, depois de ter concluído e divulgado todas as listas de melhores do ano ): Só não me ajoelho no milho ou me dou chibatadas porque sou judeu, o que implica que a minha autopenitencia já é paga em parcelas de neurose e cheques para psiquiatras ao longo de toda a vida.
Suas lindas canções não saem do meu iPod [e do meu coração] e são recomendadas pras mais diversas ocasiões, como a hora do leite de soja matinal, trilhas no bosque, aulas de pilates, montagens de quebra-cabeça, matar moscas e pequenos insetos, viagens de carro, observar a chuva caindo da janela e ~momentos de intimidade~ [cinco contra um]. SBTRKT RLZ

Como de praxe, cinco vídeos sensacionais pra te refrescar nessa sexta-feira abafada. O MyCool é o gole de cerveja gelada do pedreiro que trabalha exaustivamente sob o sol castigador. #poesia
O OK Go segue em sua conformada sina de ser a banda dos vídeos virais, já que é a única forma que encontraram pra fazer com que as pessoas lembrem que eles existem. Me pergunto até onde podem ir com isso, aumentando cada vez mais o grau de dificuldade de vídeos com engenhocas de 37 semanas de construção e ensaios que levam estações inteiras. Pelo menos por enquanto ainda sobra criatividade e funciona bem.
O Miike Snow está voltando do jeito que a gente está acostumado: músicas boas e vídeos nonsense. Pelo que eu entendi, é uma metáfora que faz algum tipo de relação entre Lady Gaga, Anonymous e o Gérard Depardieu.
Meu grande sonho sempre foi ter uma máquina que realizasse todas as minhas atividades banais e necessidades vitais enquanto eu fico deitado em uma cama, viajando pelo espaço como o rei das galáxias, conhecendo simpáticas águas-vivas, bebendo caldo lunar e desvendando os mistérios do universo em uma viagem muito louca. É claro que isso só seria possível se eu fosse feito de massinha de modelar, então eu aceito a dura realidade que é escrever aqui pra vocês pra poder pagar o leite das crianças.
Se você está sozinho, deixado na mão (risos) e sente falta de vídeos sensuais pra dar aquela relaxada, o Neon Indian supre suas carências. Nesse desenho fica provado que qualquer mulher com um par massivo de peitos pode dominar o mundo – mesmo tendo algumas complicações genéticas [/spoilers].
Gotye é queridinho da casa, e a gente sempre vai postar tudo que estiver relacionado a ele. A casa do Gotye, a família do Gotye, o carro do Gotye, a árvore do Gotye, o limpa-trilhos do Gotye, as amantes belgas do Gotye, as frases de impacto do Gotye, o cortador de unhas do Gotye, a opinião do Gotye sobre todas as bandas que saem na NME, os livros de cabeceira do Gotye, os action figures do Gotye, os sites de putaria favoritos do Gotye, as lingeries secretas do Gotye, Bolinha e Bernie – os porquinhos da índia do Gotye, enfim, acho que deu pra entender. Esse desenho é nostalgia pura, já que lembra a Pantera Cor-de-Rosa, os Jetsons e os contos de terror da Nickelodeon.
















