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Ontem, 12 de abril, foi o dia em que o prezado TV On The Radio oficialmente deu à luz o Nine Types of Light, quinto da discografia da banda. Vamos respeitar essa trajetória, porque não é qualquer um que consegue tamanha proeza em termos de longevidade, né. A regra contemporânea é um ou dois álbuns por banda, três e ói lá. Quem consegue ultrapassar a barreira dos 3, pode até dar uma enganada no 4º, mas não sobrevive à prova do quinto, o quinto dos infernos. Tem qualquer coisa maldita (ou abençoada, depende) em volta do número 5 na carreira de qualquer banda, e um breve bizú nas discografias por aí nos permitem afirmar isso. É aquele momento em que o negócio vai ou racha, em que não tem mais espaço pro meio termo. Não brilhou? Então dá a mão aqui pro tio e vamos ver alguns exemplos dessa teoria na prática antes de falar do que realmente interessa:
O Radiohead chegou nessa fase da vida lançando o controverso Amnesiac, que veio para firmar a banda como revolucionária e provar que Kid A não foi só o resultado do abuso de dorgas. Já o quinto do Sonic Youth é o Daydream Nation, clássico absoluto da banda e do bom roque – assim como o Blood Sugar Sex Magik, o quinto da história do Red Hot Chili Peppers. Por outro lado, não faltam exemplos de bandas que, diante do desafiador quinto álbum, simplesmente #fail. É o caso do Muse, que despirocou bonito na megalomania com The Resistance e suas faixas que vão além do necessário – e da paciência de quem ouve. Foi no quinto também que o Smashing Pumpkins caiu ladeira abaixo – a mesma que Billy Corgan tanto custou pra subir -, com o lançamento do nada-a-vê Machina / The Machines of God. Outro exemplo: Placebo, com o Meds (argh). Para ter uma ideia como a maldição do quinto álbum é fuerte, foi nesse ponto que o The Smiths jogou a toalha.
Agora que já estamos tensos o bastante, vamos à análise leviana e de critérios aleatórios do QUINTO do TV On The Radio.

Nine Types Of Light é a sequência lógica do Dear Science, lá de 2008. Prova disso tá já na primeira faixa: há 3 anos ouvíamos o “pam-pam-pam” de Halfaway Home. Hoje, é o “uh-uh-uh” de Second Song, que abre os trabalhos do novo álbum – ambas excelentes, e que em nada lembram a densidade experimental de I Was a Lover (Return to the Cookie Mountain, 2006), ou de The Wrong Way (Desperate Youth, Blood Thirsty Babes, 2004), que nos fizeram um dia prestar atenção no TV on the Radio. Enfim, o baile segue com Keep Your Heart, cantada ao ritmo de palminhas (taí um recurso pop que sempre funciona) pra logo depois explodir num daqueles agudos que só os vocais de Tunde Adebimpe e cia. limitada conseguem alcançar. É coisa linda de se ouvir. You, a terceira, traz mais um pouco de “uh-uh-uh” pra galere, mas a música de verdade inicia antes que os grunhidos comecem a irritar.
And after all
We’re free to fall
Once all the pain goes
And how we stood
And what was good
Could lie us all long
(Killer Crane)
No Future Shock foi feita pra ser decorada e cantada junto na primeira fila de um show da banda. Dá vontade de se arranhar todo, se pelar e atirar a roupa no palco. Depois desta profusão bem louca de ritmos, a sutil Killer Crane vem acalmar os ânimos e provocar a reflexão (vide trecho reproduzido acima). Will Do, a sexta, foi a primeira amostra grátis de Nine Types Of Light. Enganou um pouco a torcida: mais pro trip hop e a menos elaborada do álbum, a ótima baladinha fácil tinha tudo pra virar trilha sonora do Pedro e da Marina na novela e ser a mais pedida no Love Songs. Já New Cannonball Run, logo na sequência, até tenta convencer ao evocar os metais, mas não adianta: é aquela faixa que a gente vai apelar pro NEXT.
Depois dessa pausa sensual para o clipe, voltemos ao faixa-a-faixa: Repetition é um dos pontos altos da versão 2011 do TVotR, e despertam vontades parecidas com aquelas surgidas em No Future Shock – só que aqui elas são um pouco mais controláveis. Forgotten e Caffeinated Consiousness (uma das preferidas) nos encaminham para um feliz final da audição, sem grandes revoluções se comparado ao que já foi apresentado desde a primeira música do tal quinto.
Se alguém pedisse para avaliar o Nine Types of Light entre péssimo, regular e ótimo, levaria um ( X ) bom pra caralho como resposta. Fato que o TVotR de hoje é muito mais facinho que o de ontem. A ausência daquela criatividade experimental, marca registrada da banda, deixa meio órfão aqueles que utilizam a música como narcótico, que curtem testar os limites do próprio gosto diante das bizarras harmonizações sonoras e elevar a experiência musical a outro nível. Mas como a coisa não tá fácil pra ninguém, e a oferta do pop bem feito – que é bom e todo mundo gosta – é artigo cada vez mais raro no mercado, vamos comemorar que a banda passou pela prova do “quinto dos infernos” (ufa), não vamos dar uma de afetados e lamentar os tempos em que eles faziam por merecer o rótulo de alternativo: vamos agradecer que, agora, para um monte de gente, a banda virou uma opção.

Se eu tivesse que deixar dois conselhos para a humanidade, seriam: 1) não vá ao Carrefour numa tarde de sábado. O tempo de espera na fila do caixa rápido pode chegar a 50 minutos; 2) ouçam – e leiam – com calma Let England Shake, o último da PJ Harvey. Taí um álbum que merece ser apreciado da primeira até a penúltima música – porque a última é meio chata.
Às vezes complicada, sempre perfeitinha. PJ Harvey pode até parecer uma mulher de fases, mas não: ela segue coerente no 8º álbum de sua discografia, sempre firme no objetivo de descobrir quem é a própria PJ. O que muda de um trabalho pro outro são os ritmos, o humor, e os lugares onde ela se procura: se não encontrou nas próprias entranhas, expostas em White Chalk (2007), nem nas agruras da vida a dois berradas em A Man A Woman Walked By (2009), agora ela estende o processo de auto-análise a todo um país.
England’s dancing days are done.
Another day, Bobby, for you to come home
& tell me indifference won
(Let England Shake)
Na primeira ouvida, o oitavo da PJ pode até lembrar as melodias fáceis e flutuantes de Stories from the City, Stories from the Sea (2000) – aquele com The Mess We’re In, parceria com Thom Yorke merecedora de rios de lágrimas. Na segunda audição, porém, se percebe que o buraco de Let England Shake é bem mais embaixo: a crueldade das letras quebra a impressão faceira deixada na primeira ouvida, e o teor político se sobrepõe ao instrumental pop de John Parish, fiel escudeiro de PJ desde os anos 80.
I’ve seen and done things I want to forget;
I’ve seen soldiers fall like lumps of meat,
Blown and shot out beyond belief.
Arms and legs were in the trees.
(The Words That Maketh Murder)
Mas é lá pela 17ª ouvida que vem o vício e a noção do verdadeiro valor do que se ouve: não é só mais um punhado de composições politizadas (ainda é moda?) escritas por quem acha que o inferno são os outros. Let England Shake esmiuça a PJ Harvey herdeira do pós imperialismo, a que mandou tropas para a guerra, a que enxerga o fruto do próprio território como uma “criança órfã e deformada”. Esmiuça também a PJ que, mesmo assim, declara amor incondicional a sua terra. Let England Shake é intenso, cruel, pesado, lindo.
Enquanto o império desaba, Polly Jean constrói com lucidez sua auto-imagem e encaixa uma peça fundamental na boneca russa que é a sua discografia. God bless you, PJ.
Opa! Depois de 7 anos remoendo o Pressure Chief como o mais novo som do Cake, finalmente vamos poder dar uma variada no repertório: os bacanas da California estão lançando amanhã, 11 de janeiro, o Showroom Of Compassion, 6º pedaço desse Cake – e que tá uma diliça. A Rolling Stone fez a mão e disponibilizou o álbum todo em streaming >> AQUI<<. Ouve, que tá demóis.

Cake é daquelas bandas que não mudam a vida de ninguém, mas também não irritam os ouvidos. Pelo contrário. Temos que reconhecer que os caras são uma ilha de originalidade, e cada música (inclusive as novas) são como um portal pros anos 90. Como qualquer álbum que realmente preste, as impressões sobre Showroom of Compassion vai evoluindo a cada ouvida. Depois de muitos repeats, o que fica é mais ou menos isso:
Federal Funding, faixa que abre os trabalhos, começa séria demais e até faz pensar que algum malandrinho de qualquer banda anônima colocou as suas músicas no torrent com o nome errado de propósito. Mas, ufa, antes de fechar o primeiro minuto eles voltam a ser o Cake, cheio dos metais chacoalhantes que a gente aprendeu a amar.
Long Time, a segunda, pode até chocar os que curtem a banda pela levada folk, que não se aplica muito aqui. Ou simplesmente pensar: “cara, que música chata. Não acredito que eles apelaram desse jeito”. Mas vai na fé: depois da 5ª ou 6ª escutada, Long Time se eleva ao status de melhor do disco e vai ecoar na tua cabeça por dias. Depois de duas baladinhas bacaninhazZzZz (Got to Move e What’s Now is Now), chegamos na melhor parte, o recheio desse Cake: Mustache Man (Wasted), com palmas, apitos e eteceteras, bem pop, bem boa, seguida pela instrumental Teenage Pregnancy, tensa e linda, mais ou menos como deve ser uma adolescente grávida. Na sequência vem o primeiro single de Showroom of Compassion, a sincera Sick of You, que tem esse clipe very funny aí embaixo:
“I’m so sick of work, so sick of play, I don’t need another day”, é o que o John McCrea canta no single, e é mais ou menos o que ele diz nessa entrevista aqui. Resumindo, rolou uma crise quando a banda saiu da gigante Columbia, logo depois do Pressure Chief, em 2004. Todo mordido, o cara acredita que as grandes gravadoras trabalham para gente como Jay-Z e Taylor Swift. “They can market that. They don’t know how to market Cake“. Por essas e outras, a banda quase acabou nesse meio tempo. A ideia de ter que vender camiseta e sair em tour por aí para ganhar a vida, já que as pessoas não pagam mais pela música, não agrada muito seu John. Ah, tudo bem. Agrada a gente. Mexe esse traseiro gordo e vem vender camiseta aqui nesse país tropical, que agora é emergente e tem vários dinheiros pra gastar! #vengent
Voltando ao faixa-a-faixa: acaba Sick of You e começa Easy To Crash, aquela que você vai apertar o NEXT sempre que tocar. Pouco curtível, o refrão lembra um Red Hot Chili Peppers sem o Anthony Kiedis, sem o Flea e sem o Frusciante. Pra compensar todo o carisma que falta na 8ª do disco, a caipirinha Bound Away, preferida por aqui, faz o cara começar a mascar um capim imaginário automaticamente quando ouve. Já The Winter, a penúltima, é daquelas que começam na simplicidade e vão crescendo, ganhando instrumentos e ficando interessante. Isso até chegar aos 2′ 33″, quando lembra um hit sertanejo qualquer que foge o nome (AJUDA EU).
O fim inevitável vem com Italian Guy, cheia de violinos e do bom humor costumeiro do Cake, fechando Showroom of Compassion com gostinho de quero mais. Quem simpatiza com a banda não tem motivos para não curtir o álbum: é mais do mesmo, ãrram, mas sem o sentido pejorativo da coisa. Aqui não tem parceria com Rihanna nem com Beyoncé pra alavancar as vendas: tem uma banda honesta, que segue fiel ao seu som e se vira como pode pra sobreviver e garantir o espaço merecido no showbiz. FIM.
E quem não tá aflitamente esperando pela estreia desse filme? Todo mundo que tem acesso à tenéti.
Cada um tem lá seus motivos pra encarar a jornada de suspense psicológico proposta pelo mestre Darren Aronofsky: seja para rever a Mila Kunis do That 70′s Show (17%), seja para ver mais uma vez a absurdamente boa Natalie Portman em ação (76%), seja para conferir essas duas protagonizando a melhor cena de sexo lésbico da história do cinema (99,3%). Não importa o motivo, taí um filme pra ninguém resmungar no final.
Natalie Portman alterna entre a sanidade e o devaneio, entre a leveza dos passos da bailarina e o peso da própria essência, entre o white e o black swan, com a mesma facilidade de quem troca de calcinha. Se não ganhar a estátua de melhor atriz, estaremos diante de um caso crônico de puta falta de sacanagem. Falando em injustiça, pobre do Darren Aronofsky, que conduz genialmente a trama com sua câmera subjetiva e acabou de subir um degrau na própria filmografia (que já inclui Requiem for a Dream e O Lutador), mas deu o azar de cair na mesma leva que os favoritos Christopher Nolan (A Origem) e David FIncher (A Rede Social).

alerta de spoiler Nina Sayers (Portman) é uma bailarina tão dedicada e competente quanto irritante. Cheia de mimimi, vive apenas para atingir a perfeição na dança e agradar a mãe, que, adivinhem só, é uma ex-bailarina anônima, frustrada, que disfarça o desgosto com a sua trajetória “apoiando” a filha. Tudo corre bem, muito bem, até que Beth, a estrela do grupo de balé (Wynona Rider, que faz uma mini ponta no filme) é aposentada na marra, e Nina ascende como opção para o papel principal na releitura de O Lago dos Cisnes. A meiguice do cisne branco Nina tira de letra, mas e aí, quando precisa incorporar todo gingado e malemolência do cisne negro, como faz? O conselho do diretor do espetáculo, Thomas (Vincent Cassel), é: “Find your own pleasure“. É partir daí que Aronofsky chama a gente pra um passeio pelas profundezas do ego humano, avisando que mesmo as embalagens mais doces e angelicais contém um monstrinho, só esperando o momento oportuno para se revelar.
Um dos pontos fortes do filme é a direção de arte, brilhantemente utilizada como apoio à narrativa, e por vezes até como elemento essencial para a boa compreensão do que se passa. Exceto o rosa, que sugere a infantilidade da personagem no início do filme, e o vermelho, que marca os momentos mais viscerais & calientes, todo o resto se divide entre preto e branco, com raras intromissões coloridas. Talvez a cena mais representativa desse jogo de cores aconteça quando Nina se auto flagela no conturbado caminho rumo a vida adulta e estanca o sangue com uma toalha cor de rosa. Significa? /alerta de spoiler

O que poderia ser apontado como um ponto fraco é a quase inexistência de surpresas no roteiro. “Rá, sabia!” vai ser o pensamento constante de qualquer um mais habituado com a linguagem e os macetes cinematográficos. Por outro lado, ponto pro Aronofsky, que em tempos de apelos visuais ultrareais (série SAW, por exemplo), ou de reviravoltas mirabolantes que chegam a tontear o público (A Origem, né) se arriscou numa narrativa de suspense clássico. Claro que sempre vai ter uma tia velha pra reclamar do sexo gay e quase explícito, ou pra se ofender com a masturbação da mocinha, argumentando que é desnecessária, apelativa, e não acrescenta nada ao filme. Às tias velhas: 1) Freud já diria que o ser humano nasce “poliformicamente perverso” e que, resumindo, todos somos movidos pelo impulso sexual. Se o filme trata do processo da descoberta e do auto conhecimento, sexo, minha tia, tá no cerne da questão, e deveria ter muito mais de onde saiu esse. 2) vão lavar uma louça.
E pronto, já pode encerrar por aqui a busca pelo melhor filme de 2011.
Das atrações do line up desse ano, as que eu mais gostava já tinha visto na gringa. Lê-se aí Phoenix (2x), Passion Pit e Of Montreal. A única que ainda pagava um pau gigantesco e nunca tinha visto era Hot Chip. Por isso, no que terminou o show dos Passions, aproveitei o vácuo de gente e me colei na grade. Nenhum arrependimento.
Shows em festivais têm um grande pró: o tempo de duração é curto, logo as atrações são meio que obrigadas a tocar um hit após o outro. E não foi muito diferente ali no showzação dos ingleses.
Acho que nunca vi tanto sintetizador em um palco só, usados com tanta genialidade. A façanha de conseguir soar ao vivo exatamente como nos seus quatro álbuns me impressionou. Não tem nada de visualmente descolado na banda, e Alexis Taylor é um baita de um nerd. Alguém bem que poderia trabalhar o styling do caras. Mas todos, sem exceção, destróem ao vivo. Conseguiram extrair as tracks essenciais de cada produção, o que resultou em um setlist de mestres:
Boy From School
One Pure Thought
One Life Stand
Over And Over
Hand Me Down Your Love
Shake a Fist
Hold On
I Feel Better
Ready For The Floor
Destaque extreme para o guitarrista x gato Al Doyle, que também fazia as vezes de um sintetizador extra ou de uma percurssão. Muito talento e deve voltar ao Braziu em breve, dessa vez como LCD Soundsystem.
Melhor do que palavras, confiram os vídeos de todas as músicas nos links do setlist. Seus lindos!
Que electro o caralho. Nada me tira da cabeça que o Passion Pit é na uma tremenda duma BANDA DE ROCK que acontece de ter uns nerds apertadores de botão em vez de guitar heroes. Pensa um bando de nerds ensandecidos com synths acachapantes no lugar de cabeludos esmirilhando as guitarras. A circunstância pode mudar, mas o efeito é totalmente rock and roll.
Mesmo começando na manha com I’ve Got Your Number, o quinteto já botou todo mundo pra dançar e se esgoelar com seus refrões matadores. Em seguida então, quando Make Light entrou rasgando, daí o bicho pegou, e o Passion Pit deu a primeira mostra de seu poder monstruoso ao vivo. Falando em goela, o vocalista Michael Angelakos, ao contrário de outras enganações (Empire of the Sun, oie), ele alcança TODAS AS NOTAS vocais nas canções. Absolutamente impressionante. Sem contar que o cara conquistou a platéia na simpatia também, agradecendo ao público que ficou no palco indie quando a grande maioria foi ver o Phoenix no outro palco. Os outros integrantes da banda não deixavam por menos, empolgando a platéia, se entregando em cada canção, mostrando que estavam se divertindo tanto quanto o público.
Alternando momentos altamente feelings como Moth’s Wings e Let Your Love Grow Tall com outros dançantes pra dedéu (The Reeling), o quinteto de Boston foi responsável pelo segundo maior deleite sonoro do festival, na minha opinião (só perdeu pro Pavement). E ah, a finaleira ÉPICA com Little Secrets e Sleepyhead eu nem preciso comentar, né? Mas, DEUS DO CÉU, aquele arranjo MARKY-MARK-NINETIES-SNAP-I-GOT-THE-POWER-OOH-AH pra Better Things foi um DESACATO DANÇANTE MASTER. Pra fazer justiça, só se todo mundo ficasse pelado e dançasse como se não tivesse amanhã. COISA LINDA.
Enquanto a massa indie genuína assistia ao show do Yeasayer no palco alternativo, o main stage recebeu a maior produção do Planeta Terra. Mika, todo trabalhado no navy, mandou ver na produção, que incluía cortina de flores + dançarinos, e soltou a voz no microfone, fazendo a alegria de todas as bixas do local. Era impossível continuar dentro do armário depois de cantar junto ao som de Billy Brown.
Big Girl teve direito a pé gigante inflável surfando na galere, Blame On The Girls e Blue Eyes representaram muito bem seu último disco, e Lollipop trouxe show de percurssão. Destaque pra baterista, uma morena muito bem afeiçoada que fazia ali no instrumento o que muito marmanjo não consegue.
Mika foi a segunda atração internacional do festival, mas super merecia encerrar a questão toda, tanto pela sua vibe mais animada quanto pelo apelo mais mainstream que tem. #ficadica pra próxima, produção!
Uma das tantas qualidades do festival é conseguir dividir as massas em dois palcos de atrações fodas e permitir que todo mundo consiga ver os shows de forma decente. Com o Of Montreal então, foi barbada ficar colado na grade e admirar o gayzismo não declarado de Kevin Barnes e as personagens bizarras que faziam suas performances no palco a cada música.
Com direito a inúmeros hits, mosh de humano em xadrez, monstros surreais, beijo na boca, coreografias e alta produção, o show internacional de abertura do Planeta Terra 2010 foi digno de desfile de carnaval indie. Barnes não parava um segundo de dançar e pular, em seu outfit menina moça de spencer. Estava feliz por estar no Brasil, tocando no maior palco de sua carreira.
No show com duração de 1 hora e um hit atrás do outro, e os fãs saíram satisfeitos. A empolgação rolou generalizada em She’s A Rejector, Suffer For Fashion e A Sentence Of Sorts In Kongsvinger, e o resultado dá pra resumir em duas palavras: surrealismo honesto.
Tá de parabéns, Of Montreal!
Enquanto 80% do público do festival estava acompanhando o show de um careca metido a CHILIQUENTA BRABINHA, outros 10% levando facadas no rim pra comprar uma singela refeição (caro pra cacete), um público guerreiro se posicionava pra acompanhar o segredo mais bem guardado do festival: Gregg Gillis, a entidade das colagens sonoras/mashups conhecida como Girl Talk.
Munido apenas de dois laptops e MUITA ENERGIA, ele subiu ao palco do Planeta Terra determinado a TOCAR O TERROR. DE GERAL. Não demorou muito para que o empilhamento vertiginoso de samples e beats começasse a empolgar o povão. Gillis virou e revirou seus mixes dos discos, encaixando combinações inéditas com destreza cirúrgica (teve um Fugazi com Puff Daddy lá que eu ME ABRI TODO), e conclamando o povo a se acabar dançando, usando canções como Say It Ain’t So, do Weezer, Paradise City, do Guns N’ Roses, e Since U Been Gone, de Kelly Clarkson, com efeitos absolutamente apoteóticos. Hard Rock, Punk, Indie, Pop, Hip Hop, não escapou nada. Eu poderia ficar horas citando a quantidade de combinações incríveis de samples, mas melhor deixar assim.

Agora o porém. Por mais que o som do cara seja algo genial e exale o cheiro de FESTA por todos os poros, alguns fatores comprometeram o AIMEUDEUS de forma geral. Primeiro, uma festa assim tem que ser com todo mundo junto reunido, não com uma grade fudidona de separação (tudo bem que teve o povinho VIP descolê que subiu no palco fazendo cara de quem gosta, mas não basta). Mesmo assim, pontos para os assistentes de palco que foram pro meio da galera mandando as chuvas de papel higiênico, água e balões pro povo enlouquecer. Não teve como não curtir. Mas acho que o segundo foi o mais decisivo: à 1h40 da manhã, hora que começou o show, todo mundo já tava terrivelmente ESGUALEPADO (leia-se CANSADO), e daí complica. No entanto, o sujeito tá de parabéns, e aguardo revê-lo em breve, em um lugar mais bacana e em condições físicas melhores.
Pra quem é fã de Smashing Pumpkins, deve conhecer o estado anímico de seu líder. Aguentar pretensão, arrogância e cuzice faz parte do bolo. Inclusive, sabendo disso, esperar que ele tocasse o que bem entendesse, seria muito natural. Esses, portanto, pouco tem a reclamar do setlist calcado basicamente em música nova e os dois piores discos da banda.
Da minha parte, um não-fã, vagamente esperando reviver adolescência, isso doeu as bolas. Porque o problema maior não foi não tocar tantas músicas do Siamese (duas), e Mellon Collie (três), e deixar pra lá 1979 e Disarm, seus dois maiores hits – afinal, é quem ouviu essas músicas 350 vezes que tem a reclamar, não eu, que as conheço da TV. Problema mesmo é que as novas músicas NÃO PRESTAM, é um Billy Corgan solo travestido de Pumpkins. Além, hino dos Estados Unidos + solo do Led Zeppellin é a PIOR SEQUÊNCIA ever. Cherub Rock + Zero + Stand Inside + Tonight Tonight é sequência matadora, mas nessa altura já estava fora, vendo do telão, tentando descolar um táxi. Parafraseando Leandro “Bolota”, “a melhor parte do show dos Pumpkins foi quando o Corgan enfiou a guitarra no próprio rabo e solou com as pregas”.
Alguma genialidade mencionou no twitter que os que reclamam que o Smashing Pumpkins é só o Billy Corgan são os mesmos que iriam ao show do Paul, no dia seguinte. Isso mais ou menos resume o que os fãs acham e que Corgan acredita: que é um beatle. Triste.
















