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Enquanto o Indie Rock que conhecemos vai dando suas últimas cartadas, aproveitamos um pouco do gás que resta antes de tudo ficar com gosto de xarope de groselha e a gente jogar na pia.
O New Navy é isso aí. Nada de novo, nada demais; nada que você nunca tenha ouvido antes. Vibe tropical meio Two Door Cinema Club, meio Vampire Weekend, às vezes lembrando Friendly Fires e o Foals – aquela velha história de sempre. Por que ouvir? Porque as poucas músicas lançadas até agora se destacaram por serem boas e divertidas. Certeiro pra quem procura hits upbeat, dançantes e saltitantes, bem faceizinhos.
Ganha uma barra de KitKat quem adivinhar o selo e o país dos rapazinhos.

Tá, você já deve ter lido muito a respeito. Aqui mesmo no MyCool, há poucos horas, minha digníssima molher Luísa (que não está no Canadá) já introduziu o assunto. Só que hoje, exclusividade e originalidade não importam, mas sim repetição. Hoje não é dia de ser engraçadinho e mostrar o novo grupo de jovens hipsters sustentados pelos pais que fazem um som ousado e original. Isso porque, se as pessoas não se derem conta da bagunça assustadora que querem aprovar lá nos EUA, pode não haver mais nenhum tipo de novo “som ousado e original”.
Se você ainda não percebeu a importância de boicotar projetos como a SOPA e a PIPA – siglas tão ridículas quanto ameaçadoras – está na hora de ligar o alerta. Você pode pensar que não é problema seu, já que as leis estão sendo votadas lá nos USA, mas esse é o tiro que sai pela culatra: onde estão os principais portais e redes que você usa pra compartilhar e fazer download? Google, Facebook, Twitter, Youtube, Soundcloud, Tumblr, MySpace, WordPress e Wikipedia, podem, dentro de pouquíssimo tempo, sucumbir ao totalitarismo.
Resumo breve: se aprovadas, as leis simplesmente vão transformar a internet – o espaço mais democrático e livre do mundo – em uma ditadura.

Esse gif resume bem melhor do que eu
Baixar música? Cada vez mais impossível. Ler sobre artistas novos? Também será comprometido. Ver vídeos de programas de TV, trailers, clipes, ou ter acesso a qualquer criação artística, underground ou mainstream, que envolva direitos autorais (ou seja, tudo) se tornará uma tarefa ilegal. Quando você quiser subir na web aquele seu vídeo caseiro vestido de Beyoncé e rebolando essa buzanfa gorda, BANG BANG, você será vetado por violação de direitos autorais. Talvez, mais tarde, até condenado à prisão (não que uma cena dessas não seja um crime por si só. Enfim…).
A SOPA representa a morte da espontaneidade global, da livre criação, da paródia, do remix, do compartilhamento de conteúdo, da cultura independente. Estamos ameaçados de perder a cultura de nicho que conquistamos graças à web 2.0. A blogosfera vai morrer, ou, na melhor das hipóteses, se tornar engessada, zumbificada, obsoleta. Quer mais consequências trágicas? O streaming e o download vão morrer, condenado a existência de toda a cultura indie; o ato de compartilhar montagens irônicas com artistas famosos também vai morrer, O MYCOOL VAI MORRER (!!!) e, enfim, estaremos cada vez mais próximos do futuro apocalítico previsto na ficção do George Orwell.

Muitos dos principais sites a serem atingidos já estão fazendo sua parte. Hoje é o dia D do protesto virtual, e a gente não pode se dar ao luxo de nos alienarmos. Vizinhos como o Move That Jukebox, a Freak!, o Trabalho Sujo e tantos outros também estão colaborando. Resta a cada internauta ler, compartilhar e torcer para que a SOPA e a PIPA não transformem nossa querida e utópica viagem cibernética em uma Coréia do Norte virtual.
Pensa em algum tipo de mediunidade às avessas, em que o “escolhido” perde a capacidade de enxergar registros de gente que já bateu as botas – tipo o “De Volta Pro Futuro”, quando o Marty McFly quase deixa de existir no passado e some das fotos do presente.
Nesse caso, as capas dos discos clássicos seriam vistas assim:









Essas e outras proezas são encontradas no tumblr Live! (I See Dead People).
Anos e anos atrás, havia umas pessoas chamadas de Macabeus. Essa história soa familiar? Sim, é aquela mesma que o Ross tenta contar pro filho “meio-judeu” Ben, e é basicamente sobre como surgiu a festa de Chanuká, que posteriormente serviu pra criação do Natal (e que posteriormente foi apropriado pela Coca-Cola). Enfim, esse post não tem nada a ver com isso.

The Maccabees é uma banda que, se você não conhece, tem que conhecer. Não porque eles aleatoriamente – reza a lenda – abriram a bíblia e conseguiram um nome tão tranzudo, mas porque eles têm um segundo disco espetacular (mas não escute o primeiro, é medíocre).
A moral da história é essa: segunda-feira, agorinha mesmo, sai o terceirão “Given To The Wild” (ainda não vazou, acreditam?) e a expectativa é que eles façam que nem os conterrâneos Wild Beasts e se confirmem como relevantes – porque pelo amor de Judas Macabeu (risos), não tem mais quase nada que valha a pena ouvir na guittar music ultimamente.
Isso aqui faz parte do melhor que eles já fizeram (e tem um clipe fantástico!):
E isso faz parte do que logo vem por aí:
Caso não seja sua cup of tea, esses caras aqui certamente devem te agradar mais.
Em três dias eu posso queimar minha língua, mas mantenho às esperanças. VAI MACABEUS!

Maccabi Tel-Aviv comemorando o gol

2012 tem volta importantíssima e (esperamos que) triunfal! Uma das melhores e mais importantes bandas da década passada, o Bloc Party volta de um hiato de mais de três anos, com a formação completa e tudo o mais – desmentindo aquela trollagem toda de que o Kele sairia da banda.
Depois de cada um tomar um caminho diferente nos últimos anos (Kele em carreira solo, Gordon em banda de hardcore (?!), Russel atacado por leões (?!?!) e Matt ainda sendo um baterista asiático), os quatro finalmente reúnem as forças novamente, pra nossa alegria. E mesmo que o último disco dos caras, “Intimacy” (2008) não tenha lá se dado muito bem – e até a carreira solo do Kele não estando muito consistente – nós sabemos muito bem do potencial incrível desses quatro.
Ainda fica a dúvida se o grupo britânico retornará às origens dos primeiros trabalhos ou se continuará com a pegada mais eletrônica que surgiu no “A Weekend In The City” (2007) e que seguiu desde então. De qualquer forma, se ainda houver química entre eles, certamente teremos um grande disco de Indie Rock em um período de seca do gênero.

Uns têm mais conceito, outros têm mais técnica. Uns possuem trama, outros são abstratos. A seleção dos clipes que mais gostei neste ano contém de tudo; drama, ação, romance, comédia, ~sensualidade~, conflitos com escadas rolantes, atrizes pornô, Thom Yorke e alguns peitinhos. Ah, bem lembrado, todas as músicas são excelentes também.
1.Radiohead – Lotus Flower (vídeo genial, Thom impecável, o maior futuro clássico e meme do ano)
2.Destroyer – Kaputt (lindeza pura, à altura da música.)
[NSFW] 3.Is Tropical – Lies (they don’t love you, they just need a little sex sometimes. Sente a genialidade.)
4.Chromeo – When the Night Falls (melhor clipe de humor risos).
5.Metronomy – The Bay (tem como eles botarem a mão em algo que não fique espetacular?)
[NSFW] 6.Amy Winehouse – Me and Mr. Jones (clipe não oficial e póstumo, com a atriz pornô Faye Reagan que se mostra capaz de fazer uma ótima atuação fora do mundo das TRANZAS.)
Amy Winehouse – Me & Mr. Jones (music video) from High5Collective on Vimeo.
7.Is Tropical – The Greeks (e olha o Is Tropical de novo, tá ficando suspeito isso daqui.)
8.Best Coast – Our Deal (Another ~Indie~ Westside Story)
9.Battles – My Machines (socorro mai!)
10.Friendly Fires – Hurting (quem nunca teve sua cabeça de televisor destruída por uma garota fria e de pescoço elástico que atire a primeira pedra.)
Bonus: Rymdreglage – Insert Coin (não podia deixar de fazer menção honrosa ao vídeo mais trabalhoso do ano)

A NME criou recentemente uma lista com as 25 canções mais insuportáveis já feitas. Embora nomes óbvios como Bruno Mars, Black Eyed Peas e Limp Bizkit se mantenham presentes – e até figurem alguns nomes “intocáveis” como a Florence e os Red Hot (e a fase palha do Michael) –, a lista parece que preferiu não polemizar demais, focou na farofa e poupou MUITA coisa ainda mais intragável. Confere:
Bruno Mars – The Lazy Song
Florence + The Machine – You’ve Got The Love
Doop – Doop
Alvin & The Chipmunks – I Like To Move It
Des’ree – Life
Maroon 5 – Moves Like Jagger
Scouting For Girls – She’s So Lovely
Natasha Beddingfield – These Words
Red Hot Chili Peppers – Suck My Kiss
Olly Murs – Please Don’t Let Me Go
Nero – Crush On You
Flo Rida – Right Round
The Muppets – Mahna Mahna
LMFAO – Party Rock Anthem
Limp Bizkit – Rollin’
Train – Drops of Jupiter
Cher Lloyd – Swagger Jagger
Fat Les – Vindaloo
Ed Sheeran – The A Team
Dido – Thank You
Michael Jackson – Earth Song
Crazy Frog – Axel F.
The Cranberries – Zombie
Black Eyed Peas – My Humps
B*witched – C’est La Vie
Também fica evidente que eles nunca ouviram falar em Armandinho.
Quem é masoquista dá o play:
* A lista completa, com explicações e comentários engraçadinhos, você pode ver aqui.

Enquanto o Killers segue paradão – e com três de seus quatro membros se aventurando em carreira solo – o nosso querido Brandon Flowers, a linha tênue indie entre o cool e o brega, estrela A Fire is Still Burning.
O vídeo faz parte de uma campanha para a igreja Mórmon e mostra basicamente relatos do Mr. Brightside – combinados com suas imagens em família e em casa, mostrando como ele destoa do clichê de um rockstar.
O material não tem legendas, então os tradutores especialistas do MyCool traduziram em texto abaixo. Material bonito de ver pra quem é groupie ensandecida fã.
Meu nome é Breno Flores, eu faço música e canto. Eu sempre amei música e sempre foi parte da minha vida. Como qualquer outro adolescente eu colocava as fitas cassete no carro e cantava junto, mas nunca achei que estaria do outro lado.
Nós tivemos tanta sorte com o sucesso que fizemos, tanta gente vem nos ver tocar que se tornou uma celebração. No final dos shows parece que todos estão flutuando.
Um dos clichês de quando você está crescendo é o de que você precisa ter um trabalho que você ame, o que é uma coisa muito difícil de se conseguir, encontrar uma carreira que você realmente ame. Pra mim é um sonho que se tornou realidade, meu trabalho ser esse, eu não achei que fosse possível (risos).
Tem um monte de conexões que estão ligadas com a música pop e o rock e, geralmente, elas são direcionadas a sexo e dinheiro. Eu me dei conta cedo que essa não era uma estrada para mim, talvez por causa dos princípios com que fui criado, ou meus pais me levando pra igreja.
Definitivamente não é normal pra um cara da minha idade ter esposa e filhos, mas eu acho que pra mim é reflexo das minhas raízes, do exemplo dos meus pais. Eles foram casados por 44 anos e sempre teve muita alegria no meu lar. É isso o que eu quero.
Acho que quando eu tive meu primeiro filho eu tinha uns 17 ou 18 sobrinhos, então eu estava muito acostumado a ter crianças por perto. Quando se tem um filho é como se abrisse uma porta que você não sabia que existe no seu coração. Tem sido uma ótima experiência, eu estou transbordando com esse amor que eu não sabia que eu tinha.
É difícil agendar tours, eu brigo com nosso agente se ele nos coloca na estrada por muito tempo. Eu vou chegar em casa e o Ammon vai estar tipo “oi pai!” (voz grossa). (risos) Eu não quero pular etapas.
Começar uma família, me dar conta de que é isso que eu quero, acabou se tornando mais importante que a própria música pra mim.
Quando eu fui ficando mais velho, eu definitivamente me tornei mais cuidadoso em relação às letras. Eu quero ser uma força positiva no mundo e motivar as pessoas.
Muitas pessoas adoram vir até mim e dizer que eles foram criados na igreja. Eles esperam que role uma cumplicidade do tipo “a gente é fruto disso e agora somos espertos o bastante para não estar mais lá.” Isso aconteceu com tanta frequência que me fez olhar pra mim mesmo e me dar conta de que eu fui criado nela e eu ainda… ainda tem um chama queimando aqui.
Meu nome é Breno Flores, sou pai, marido e sou um Mórmon.

Eu curto muito quando aparece gente com cacife suficiente pra seguir a contramão e bancar uma opinião diferente, criticando tabus e pessoas mitificadas. Claro que essa opinião às vezes pode ser mero sensacionalismo, numa tentativa vazia de ser apenas polêmico ao atacar os favoritos.
Não parece que esse seja o caso do nosso querido Flavourwire, que apareceu um tempinho atrás com uma lista de 10 letristas overrated no rock. Nessa seleção, figuram nomes “intocáveis” como Robert Plant, Jim Morrison e ~TCHANAM~ Bob Dylan (3497 porto alegrenses estão praguejando).
Se você fica irritado ao ver gente desmerecendo seus deuses, acalme-se. O Flavourwire não está jogando tomates; em boa parte dos casos, como Lou Reed e Conor Orbest, o site reconhece todo o talento dos caras, mas alega (e PROVA!) que eles também tem seus momentos ruins – e justamente por isso não são tããããão fodões como todo mundo acha.
Confere a lista:
- Lou Reed
- Paul Banks (Interpol)
- Serj Tankian (System of a Down)
- Bernard Sumner (New Order)
- Matt Bellamy (Muse)
- Conor Oberst (Bright Eyes)
- Jim Morrison (The Doors)
- Robert Plant (Led Zeppelin)
- Chris Martin (Coldplay)
- Bob Dylan
Se você segue furioso e injustiçado, leia as explicações das escolhas aqui.
Mais alguém sentiu falta do Noel Gallagher?

Saiu no Flavorwire um tempinho atrás uma lista bastante engraçada mostrando como precisar/querer dinheiro pode fazer um artista vender sua obra pra comerciais que destoam completamente da proposta artística inicial, chegando ao ponto em que fica impossível dissociar a música da peça publicitária.
Não que seja errado querer ganhar um dinheiro extra com publicidade, ainda mais pra alguns indies mortos de fome que não arrecadariam 1/3 dessas cifras vendendo sua discografia inteira. Alguns casos, porém, claramente banalizam aquela canção que a gente tanto curte ou simplesmente ficam ridículos – ainda mais em propagandas de hambúrguer com música feita por vegetarianos ou, pior ainda, permitindo mudanças na própria letra. Vamos a eles:
10. Lou Reed – Walk on the Wild Side + Honda Scooters
9. Violent Femmes – Blister on the Sun + Wendy’s
8.Phoenix – 1901 + Cadillac SRX
7.The Seekers – I’d Like to Teach the World to Sing + Coca Cola
6.Vampire Weekend – Holiday + Honda Civic
5.Nick Drake – Pink Moon + Volkswagen
4.The Rolling Stones – Start Me Up + Windows 95
3.Train – Hey Soul Sister + Samsung
2.Jet – Are You Gonna Be My Girl? + iPod
1.José Gonzales – Heartbeats (The Knife cover) + Sony Bravia
Eu ainda colocaria nessa lista Garnier + Klaxons e MTV Exit + Killers. Quem quiser sacar mais detalhes e explicações engraçadinhas, confere aqui.










