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Aqui no mycool, a gente às vezes gosta de ser do contra, ir na direção oposta do que está todo mundo fazendo ou falando. Então, já que a São Paulo Fashion Week já passou e todo mundo já falou por aí das tendências, do que vai se usar, dos makes e dos cabelos, vamos falar de outra coisa: o que não vamos usar no inverno de 2011.
Não somos bobos e sabemos bem que boa parte do que está nos desfiles é proposta de passarela mesmo, sem nenhuma intenção de uso na vida real. Por isso, vamos deixar de lado os looks conceituais e falar do que se pretende mais comercial mesmo – mas que, apesar disso, achamos que, hmmm, vai rolar não.
Também separamos um pinguinho de veneno para o que não queremos que role. Porque, né, tem coisas que dão medo.
Foi? Foi.
1. Homens de saia
Sim, Marc Jacobs tá aí, todo muso e sempre de saia. Mas, fora ele, são raríssimos os boys no planeta que sairiam na rua de saia. Os estilistas estão tentando, mas a gente acha que o mundo masculino ainda não está pronto pra tamanha transgressão.
V Rom
João Pimenta
2. Saias midi
São lindas, chiques e estão nas passarelas internacionais e nos blogs de street style. Ok. MAS, também são difíceis de usar, porque não é qualquer corpo que segura um look que pára no meio da canela, o ponto mais feio de qualquer perna. Pra looks de festa, até rola, mas é no dia-a-dia que não acreditamos no midi. A pessoa precisa ter 1,80m, 50kg e um par de Louboutins – e, oi, tá fácil pra ninguém.
Reinaldo Lourenço [we <3 a estampa] e Fernanda Yamamoto [reparem como até a modelo, magérrima, ficou meio achatada]
3. Patriotismo
O Brasil tá com tudo, o Lula é o cara, a Dilma é um sucesso, o Real tá valorizado. Mas não precisa exagerar no amor, né meu povo?
Cavalera
4. Pele + branco + franjas
All over the place esse look, hein seu Waldemar? Separados, os três são tendência. Juntos, NÃO.

Iódice
5. Vestidos de musseline com babados assimétricos
Porque foi isso que vesti na minha formatura do colégio. Eu e todo mundo. Faz anos. Sem mais.

Iódice [que errou a mão dessa vez]
6. Cara de pijama
Bocejos.
Do Estilista e Maria Bonita
7. Cara de colégio interno
Só quem já foi mandado pra um internato na Suíça vai querer usar isso.

Fause Haten
#TODOSCHORA
Nessa última edição do Fashion Week teve até Lady Gaga travestida dando as caras pela Bienal. Daí você vê até onde as pintas vão pra serem fotografadas…
O resto do povo tava mais honesto, destaque pra Japinha fofa que super fizemos amizade!
A foto da Lady Gaga Wannabe veio do Flickr da Jana.
Enquanto esperamos o desfile do André Lima resolvemos comentar os dois desfiles do último dia de SPFW que mais gostamos. Depois disso ó, bye bye, acabou, c’est fini. E quer saber? Essa estação deixou um pouco a desejar.
Isabela Capeto
A marca pintou e bordou, literalmente, os looks na passarela. Com uma inspiração super étnica, Isabela e Eduarda Braga arrasaram no desfile, que rolou no shopping Iguatemi. Foram peças de uma delicadeza incrível e que, sem o styling fodástico de Felipe Veloso, não impactariam tanto quanto.
Do Estilista
Marcelo Sommer deixou o público passado com a densidade e toda a vibe noir. Uma quantidade imensa de carvão tomou conta da passarela, e os modelos wannabe que ali desfilaram (profissionais da moda, designers e criativos, no geral) fingiam estar pisando o fogo. Todo o ar da coleção era pesado, cinzento e maravilhoso. Se não o melhor desfile da estação, um dos melhores, com certeza. Pagando muito pau nesse momento para o primeiro look, ilustrado logo abaixo:
Hoje acaba a São Paulo Fashion Week. E o que rola nos dois últimos dias, geralmente, é uma falta de qualidade generalizada nos desfiles. Também que galere não aguenta mais correr pela Bienal, muito menos ver porcaria sendo desfilada. Dá super pra perceber que fica cada vez mais vazio, e tristemente algumas vezes as assessorias das marcas têm que arrecadar povo pelos corredores pra assistir ao desfile. Alguma pouca coisa sempre se salva, tipo ontem, ó:
Alexandre Herchcovitch (masculino)
A inspiração foi O Sétimo Selo, de Ingmar Bergman. E todos os modelos desfilaram com uma maquiagem incrível, aka uma caveira desenhada nos seus rostos. Os looks, em sua maioria super classicões, tomaram um shape descolado através do styling gênio de Maurício Ianês. O pouco de cor usada ficou por conta do vermelho vivo, e de resto veio muito branco, preto, verde musgo e azul marinho. Fosse eu rica e tivesse um namorado estiloso, compraria a coleção toda pra presentear!
Neon
A Neon, ou melhor, Dudu Bertholini e Rita Comparato, assumiram a África que existe dentro de cada um e jogaram na passarela um leão de madeira gigantesco, com as estampas indo desde tucano até elefante. Vários caftãs, calças de alfaiataria, saias sequinhas e muito batom vermelho garantiram o ar meio anos 50 do desfile. Over the top, como Neon sempre é, e felizmente sempre encontra quem goste.
Outros desfiles, aqui.
Não sei vocês, mas eu não tenho inspiração para me vestir no verão. Dentre aquele mar de pernas de fora e muitos decotes, meu sonho secreto seria vir trabalhar de biquíni. Imagina, que luxo! Seria só jogar um caftã por cima e pedir uma marguerita para o garçom. Como o mundo não é perfeito, chego ao penúltimo dia da temporada me questionando: quem realmente inspira e influencia a nossa maneira de vestir?
Claro que o objetivo aqui é ver que tipos de babado encontraremos nas próximas duas estações. Não podemos esquecer, entretanto, que ainda faltam alguns meses para a temperatura cair. E foi nos corredores da Bienal em que encontrei minhas inspirações para um verão menos suado sem cair nas armadilhas de uma alma piriguetchy!
Nome: Brian, estudante de moda
O que te inspirou a montar o look? Pop art, acionistas de Viena, designers perfomáticos.
Nome: Carla Aquino, artista plástica.
O que te inspirou a montar o look? Trance mundial, união dos povos pela paz, energia positiva, nascer e pôr do sol.
O pessoal menos frito circulou mahomeno assim:
A semana de moda vai chegando ao fim, e a nossa paciência e energia também. Rolaram desfiles bacanas sim, mas infelizmente eles vêm sempre das mesmas marcas, o que acaba não nos surpreendendo muito. Mesmo assim, aí vai um apanhadão do best of de ontem, na nossa opinião.
2nd Floor
A 2nd Floor é fofa, e extremamente comercial. Pro inverno 2010 eles fizeram uma releitura do trench-coat e, de resto, colocaram na passarela looks über fáceis de serem usados fora dela. Com muito jeans e acessórios incríveis, o diferencial ficou mesmo por conta das máscaras de tricô feitas por Helen Rödel, nossa amiga gaúcha. Prático e normal. Agora é só dar uma baixadinha nos preços, ô 2nd Floor, que a gente sai correndo pra comprar!
Animale
Depois de um atraso de mais de uma hora, se a Animale desapontasse a plateia na passarela, ficaria muito feio. Mas não! O povo já tava inquieto pra ver Raquel Zimmermman dar o ar da sua graça loira e, realmente, toda vez que ela dava um passo nas lindas botas da coleção, galere fazia a baianagem e começava a gritar desesperadamente. Parafraseando o FFW, a Animale veio bem assim: “inspirado no futuro e na passagem do tempo, o inverno da grife merece respeito pelo uso de tecnologias super avançadas: estampas fotográficas tridimensionais, cortes lapidados, fendas feitas no fio do laser, lã feltrada, camurça com textura de lã, couro estampado com nanocorantes, beneficiamento resinado“. Thumbs super up pra todos os looks!
Terça reservou alguns dos melhores desfiles pra Bienal do SPFW. Olha aí:
Iódice
Amazonas foi a inspiração de Valdemar, que trouxe novamente seus looks elegantéérrimos para passarela. Muito peso nos acessórios (luvas, correntes, pulseiras), muito couro, penas, e tecidos trabalhados dignos de virar obra prima. A cor veio no laranja, roxo, amarelo, e nas estamparias florestais.
Ronaldo Fraga
Ronaldo Fraga, como de costume, foi além do desfile e apresentou um show de criatividade e genialidade na passarela. A inspiração central veio da coreógrafa Pina Bausch, e a escolha pela alfaiataria x sobreposições x modelos incógnitas deu um ar Comme Des Garçons abrasileirado incrível. As modelos desfilavam com uma peruca no rosto e uma máscara na nuca, portanto o look funcionava tanto de frente como de costas. As interpretações eram imensas, assim como o jogo de materiais e cores. Maestria pura. Ronaldo superou expectativas, mais uma vez.
Triton
Numa pegada super declarada Harajuku girls, a Triton apresentou uma coleção original e de deixar muita gente boquiaberta. Com estampas exclusivas de cogumelos, corujas e teias de aranha criadas por nada menos que Lovefoxxx (que já trabalhou na marca antes de ser famosa), a marca brincou com o lúdico e o sexy, de triste e de alegre, com vários toques infantis carregados por tamancos altíssimos, ao som de uma trilha indie no último, com direito a The XX e Yeah Yeah Yeahs. Dizer o que mais? Foi denso, foi noir, foi lindo, Triton!
Lá no ffw.com.br você encontra os outros desfiles do terceiro dia.
Já é fato que as tendências mais fortes lá nos gringos demoram, mas um dia chegam ao Brasil. E foi bem nas coleções de outono/inverno que o pessoal resolveu investir pesado nas tão queridas hotpants.
Pra quem não sabe, hotpant é tipo um shortinho minúsculo, menor que de dançarina de axé, meio que pra calçola de vó fashion, geralmente de cintura alta e usado por meninas quase-modelo que tiveram a sorte de nascer com pernas-palito.
A tendência se fortalece em terras brasilis e algumas marcas incluíram super a peça nos seus desfiles desse SPFW, dá um look:
Osklen
Colcci
Rosa Chá
Cori
Vai encarar ou vai deixar essa exclusiva pra Lady Gaga?
A pessoa chega a Bienal e dá de cara com homens mascarados e mulheres com cílios postiços de borboleta e colant branco. Lindos. E encontra também um segurança sorridente. Sem entender, adentra o recinto.
Logo na primeira parede, há espelhos côncavos (ou convexos, faltei a esta aula de física), que criam uma quase ilusão de obesidade recém adquirida. Você fica confusa. E então, finalmente, compreende o que está acontecendo. Pega balinhas – uma de cada tipo; joga um jogo de roleta – sem saber exatamente como ganhar. Senta no sofá branco e, de lá, aprecia a seleção de sapatos.
A nova coleção, chamada Melissa Et Circenses, apresenta uma combinação da tradicional sandália de plástico com glitter, material acamurçado, cristais, contrastes fortes de cores e texturas, traduzindo o tema circo de uma forma sutil e elegante em sapatilhas, ankle boots e sapatos com salto não muito alto, lindos para o inverno que se aproxima.
Todas se perdem entre sonhos e toques, no meio daquele cheirinho gostoso de chiclete, até que, de repente, você esquece onde está. Esquece todos os sapatos que viu, esquece que não ganhou o prêmio, esquece a lista mental que fez para compras na Galeria Melissa no mês que vem. Esquece da vida, da idade, do trabalho. E só pensa em uma coisa: numa criança. Num neném. Em ter filhos! E se pergunta: por que não pensaram em fazer uma coleção de Minimelissas antes? Ou mais tarde, para ter uma penca de filhas e poder comprar todas!
Não houve uma pessoa que não contemplou a maternidade depois de deparar com os sapatinho. Portanto, fica a dica: se houver um baby-boom nos próximos meses, não digam que eu não avisei!


































































